A dignidade do sacerdócio católico

A Igreja no Brasil tradicionalmente reserva o mês de agosto à oração pelas diversas vocações pelas quais Deus chama seus fiéis a segui-Lo, e o primeiro domingo do mês, pela proximidade com a festa do Santo Cura d’Ars, é reservado à vocação sacerdotal.

Para entendermos a dignidade do sacerdócio católico, pode-nos ajudar remontar à sua origem no desígnio do próprio Jesus Cristo, em seu ministério público aqui na terra: com efeito, Nosso Senhor explicitamente escolheu alguns, dentro do conjunto total de seus discípulos, para uma missão especial, como apóstolos: “Subiu ao monte e chamou os que Ele quis. (…) Designou doze entre eles para ficar em sua companhia”, e depois serem enviados “a pregar, com o poder de expulsar os demônios” (Mc 3,13-15). Na última ceia, Jesus novamente se reuniu apenas com o círculo mais restrito dos apóstolos, e apenas a eles dirigiu estas palavras: “Já não vos chamo servos (…), mas amigos, pois vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi” (Jo 15,15-16).

Aquela dignidade, no entanto, só é plenamente apreendida quando confrontamos a visão católica de sacerdócio com a noção que tem de seus ministros nossos irmãos separados. Para eles, o pastor é um fiel como qualquer outro, que presta à comunidade o serviço de pregação e assistência religiosa, sem no entanto possuir qualquer poder especial que lhe tenha sido sacramentalmente conferido por Deus. Nós, católicos, por outro lado, cremos que Jesus escolheu alguns “para que possuíssem o sagrado poder da Ordem para oferecer o Sacrifício [e] perdoar os pecados” – e este poder é “conferido mediante um sacramento especial, em virtude do qual os presbíteros ficam assinalados com um caráter particular, (…) de tal modo que possam agir em nome de Cristo cabeça” (Vaticano II, Presbyterorum ordinis, 2).

É, também, por causa dessa diferença fundamental que para nós, católicos, a Eucaristia consagrada por um sacerdote é adorada como Verdadeiro Deus.  É ainda pelo mesmo motivo que São John Henry Newman, meditando no poema Hora Novissima sobre a hora de sua morte, não pedia a Deus o conforto de amigos, família ou conterrâneos: mas sim o sorriso de Maria, a presença do Crucifixo e as palavras de absolvição sacramental.

Por força de sua ordenação, os sacerdotes se tornam, portanto, verdadeiramente divinos – e no entanto permanecem também inteiramente humanos, com as fraquezas e misérias próprias de nossa natureza decaída. No fundo, não se trata de uma novidade: logo que foi ordenada a “primeira turma” de sacerdotes, tivemos Judas como traidor, Pedro como renegador, e outros nove desertores – ficando apenas João ao pé da cruz. E estas crises dentre os sacerdotes não se devem apenas às misérias do pecado original: frequentemente há também uma participação especial do demônio – que sabe muito bem que um Padre nunca vai sozinho para o Céu, e por isso ataca de modo especial os pastores de almas.

De nossos sacerdotes, portanto, dependem em grande parte a vida e a salvação eterna dos fiéis – e por isso devemos todos rezar muito, apoiando os nossos padres com as nossas orações, suplicando a Deus que os proteja e santifique e nos envie sempre santas e novas vocações. Enviai, Senhor, operários para vossa messe!

Comentários

  1. Como a Santa igreja católica está se portanto com a expreciva queda no número de ‘ fiéis’ para as seitas protestantes?

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