'Conhecerão que sois meus discípulos se vos amardes'

5º DOMINGO DA PÁSCOA

Depois de comer do prato do Mestre, Judas levantou-se e saiu da Última Ceia para trair Jesus, conforme o previsto: “O amigo em quem eu confiava, que comia pão comigo, levantou o calcanhar contra mim” (Sl 40,10). Pouco depois, o Senhor declarou qual é o traço característico dos seus verdadeiros seguidores: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se tiverdes amor uns aos outros” (Jo 13,35). Que contraste! De um lado, a traição; do outro, o Mandamento novo do amor: “Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).  

Judas não era verdadeiro discípulo. Não amava o Senhor e tampouco os irmãos. Além de contribuir decisivamente para a Paixão e Morte de Cristo, a sua traição influiu diretamente na vida dos demais membros da Igreja: Pedro, João, Maria Madalena e, principalmente, Nossa Senhora… Todos padeceriam duramente com as consequências de sua infidelidade. Afinal, a Igreja é um Corpo; a ruína de um membro enfermo multiplica os sofrimentos e trabalhos dos membros sãos. 

Contudo, a traição infligida a Cristo e à comunidade não prevaleceria. Assim que Judas virou as costas, Nosso Senhor disse: “Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele” (Jo 13,31). Era inevitável que houvesse infidelidade e traição; o Senhor mesmo dissera: “O Filho do Homem será entregue, segundo o que está determinado, mas ai daquele homem por quem ele é traído!” (cf. Lc 22,22). No entanto, Deus é maior e mais poderoso do que o mal que há no mundo; e Ele utiliza até a maldade humana para nos salvar e assim ser glorificado. Deste modo, confunde o diabo e seus sequazes. 

A traição gerou as condições para que Cristo praticasse o seu maior ato de amor e redenção. Bebendo o cálice amargo da Paixão, Ele manifestou a caridade por excelência, pois “ninguém possui amor maior do que aquele que dá a vida pelos amigos” (Jo 15,13). Entregue à morte de Cruz por meio do beijo de Judas, deixou-nos os meios necessários para que também nós sejamos capazes de amar os inimigos. Pois é do Sacrifício da Cruz – renovado diariamente na Santa Missa – que vêm toda a força e a eficácia dos cristãos. Do Sangue e da Água que correm do Coração aberto de Jesus nos vem a capacidade de amar e perdoar. 

O mistério de Judas acompanhará a Igreja até o final dos tempos. Nela, muitos trabalham, sacrificam-se e amam; outros traem e fazem sofrer. Uns pastoreiam; outros roubam, matam e destroem. Mas, em tudo isso, o Senhor será sempre glorificado! Sempre haverá aqueles que, em meio a dificuldades e em um mundo adverso, continuarão dando frutos, amando e, portanto, sendo reconhecidos como verdadeiros discípulos. E “nisto é glorificado meu Pai: em que deis muito fruto e vos torneis meus discípulos” (Jo 15,8)! Que o Senhor nos ensine a amar e a participar com alegria e esperança – por amor! – dos sofrimentos infligidos ao seu Corpo.

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