Creio na Santa Igreja Católica

O Venerável Fulton Sheen (1895-1979) costumava dizer que não existem nem sequer 100 pessoas que detestam a Igreja Católica – mas existem milhões que detestam a falsa imagem que dela têm. Apesar de parecer exagerada, esta frase se torna bem mais plausível se nos lembrar-mos de que a Igreja é um mistério, ou seja, uma realidade de nossa religião que não pode ser plenamente abarcada com nossa razão. Quem tentasse explicá-la com olhos humanos veria apenas um conjunto de pessoas, que cumprem certas normas e pensam de forma mais ou menos parecida – imagem distorcida e obscura do que verdadeiramente é a Igreja, que em sua comunhão de almas abrange não apenas seus filhos vivos nesta terra (Igreja militante), mas também os que padecem no purgatório (Igreja padecente) e os que fruem já da visão de Deus (Igreja triunfante).

A Igreja, com efeito, como família de Deus e sinal da redenção da humanidade, é muito mais invisível do que visível – embora seja justamente seu corpo visível aqui na terra o que mais costuma chamar a atenção do mundo. É que a Igreja possui, sim, um elemento humano –, e falar em homens significa falar da liberdade, com sua abertura ao heroísmo, à fidelidade, ao amor e à abnegação, mas também à vilania, às fraquezas, aos pecados e às mesquinharias. Esta dramática marca da liberdade humana, aliás, está presente desde os primórdios da Igreja e, mesmo antes, perpassa a história da salvação narrada no Antigo Testamento.

No entanto, se por um lado precisamos lamentavelmente reconhecer que nós, os homens que integram a Igreja visível, muitas vezes manchamos, com nosso egoísmo e com nossa miséria, a percepção que o mundo tem da nossa Mãe, por outro lado é igualmente verdade que há também dentre os filhos da Igreja uma infinidade de atos de grande virtude, praticados em silêncio e longe dos holofotes. Isso para não falar de nossos santos e santas canonizados, que em todas as épocas resplandecem como luminosos fanais do amor divino que redime a humanidade: um São Francisco de Assis, um Dom Bosco, uma Santa Teresa de Calcutá…

A Igreja de Cristo, nas pelejas desta vida, não é um lugar reservado aos imaculados, aos que são incapazes de pecar antes, é um “hospital de campanha”,  em  que  se  podem  procurar auxílio eficaz aos feridos na guerra espiritual em que vivemos. A marca de um bom católico, por sinal, não é tanto a ausência de pecado – coisa raríssima –, mas, sim, o reconhecimento sincero das próprias faltas, e a confiança na misericórdia divina, por meio dos sacramentos, da vida de oração e das obras de caridade. Por isso, escreve São João: “Filhinhos meus, isto vos escrevo para que não pequeis. Mas, se alguém pecar, temos um intercessor junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1Jo 2,1). Este, e não outro, é o fim da Igreja: a salus animarum, a salvação das almas, uma de cada vez.

Concluamos, pois, com aquela anedota do católico que ouviu de seu amigo que abandonara a Igreja porque acreditava haver nela muitos hipócritas e pecadores: “Não se preocupe”, respondeu o devoto, “sempre há lugar para mais um!”.

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