Doutrina Social na Igreja

A Igreja, atenta e solícita, inaugurou o ensino social no dia 15 de maio de 1891, quando o Papa Leão XIII apresentou aos católicos e ao mundo a encíclica Rerum novarum. A Esposa de Cristo respondeu às mudanças que estavam acontecendo no cenário social e econômico, no final do século XIX. Auscultou os fortíssimos problemas, e, com mestria, indicou a caridade, centrada no Evangelho de Jesus Cristo, como resposta às inúmeras indagações.

“Deus criou o homem à sua imagem, à imagem de Deus ele o criou, homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27). “[…] De fato, o homem tem uma lei escrita por Deus em seu coração. Obedecer a ela é a própria dignidade do homem, que será julgado de acordo com esta lei […]” (Gaudium et spes, 16). A defesa da criação, homem e mulher, imagem de Deus, e a obediência à lei escrita por Deus tornam-se o entendimento do princípio fundamental da dignidade e dos direitos inalienáveis da pessoa humana. No ensino social, a Igreja busca compreender o ser humano à luz da Sagrada Escritura. Também à luz da Palavra revelada, o Magistério da Igreja tem assegurado a defesa de todo homem e mulher, desde a criação aos nossos dias. 

A Igreja procura ler os acontecimentos da sociedade e possibilita algumas pistas para refletir. Ela não possui expertise em economia, mas em tempo e a seu modo sugere orientações para o bem comum. Não se resguarda frente às forças hegemônicas e às potências mundiais, nem se esquiva em se posicionar frente aos mais desprotegidos. Não ao socialismo sem Deus e não ao capitalismo, cujo deus é o dinheiro. Entre uma tendência e outra, o Papa Leão XIII apresentou a via da caridade. Aprendemos que a caridade é uma virtude teologal e está presente no seguimento de Jesus Cristo.

Nos 130 anos da encíclica Rerum novarum, a Igreja presente no mundo se vê diante da pandemia da COVID-19 e acompanha os seus desdobramentos. Hoje, implica debruçar e buscar respostas sobre o fenômeno do coronavírus, mortal e, ao mesmo tempo, destruidor da economia mundial. A sociedade inteira está gemendo e, ao mesmo tempo, buscando soluções para o drástico momento. 

Vislumbrando com alegria e celebrando com esperança a encíclica Rerum novarum, a Igreja se mantém firme no anúncio querigmático do Evangelho de Jesus Cristo e se mantém segura no profetismo contemporâneo do diálogo e da presença na sociedade. O ensino social da Igreja, de fato, está presente na centralidade da mensagem salutar e salvífica da Boa-Nova de Nosso Senhor Jesus Cristo. Deus criou-nos à sua imagem e segundo sua semelhança (cf. Gn 1,27). Seja em tempo de guerra, seja em tempo de desastres ambientais ou mesmo em momento de pandemia, como a COVID-19, como cristãos, e em todas as circunstâncias, nós devemos sempre defender e preservar a vida.

O Papa Leão XIII selou o início do ensino da Doutrina Social da Igreja. O Concílio Ecumênico Vaticano II nos alertou que devemos perscrutar os acontecimentos e os sinais dos tempos. Hoje, o Papa Francisco mantém o diálogo esperançoso e propositivo com a humanidade. Portanto, estejamos atentos ao momento atual e sejamos prontos em relação aos mais vulneráveis. Quer estejam no campo, quer estejam na cidade, seja no centro, seja nas periferias, devemos sempre levar a Boa-Nova do Salvador e garantir por meio dela a certeza da vida. “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6).

Padre José Ulisses Leva é professor de História Eclesiástica na PUC-SP.

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