‘Eu te mostrarei o caminho do Céu!’

No sábado, 4, nossa Arquidiocese de São Paulo celebrou com grande júbilo a ordenação, na Catedral da Sé, de quatro sacerdotes, recebida das mãos do Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano. A ordenação desses novos presbíteros é uma boa ocasião para nos relembrarmos daquela pergunta tão crucial para um coração católico: o que é, afinal, um padre? Todos enxergamos rotineiramente, é claro, muitas das atividades que um padre desempenha: visita os doentes, conforta os aflitos, preside a assembleia reunida, socorre os necessitados... Mas, por debaixo de tudo isso, o que está na essência mais profunda do sacerdócio católico? Não se trata, aqui, de pensar apenas no que um padre faz, mas sim no que é um padre.

A definição que o Espírito Santo nos dá é bastante direta: o padre “é escolhido entre os homens e constituído a favor dos homens como mediador nas coisas que dizem respeito a Deus” (Hb 5,1).

O padre, em primeiro lugar, é escolhido entre os homens. Nas profissões humanas, é o interessado que escolhe sua carreira; no caso do sacerdócio (que não é profissão, mas ministério), o jovem é escolhido e responde a essa eleição: “Ninguém se apropria desta honra, senão somente aquele que é chamado por Deus” (v. 4). Escolhido entre os homens: ao ser ordenado, o sacerdote não perde sua natureza humana nem as debilidades que lhe são próprias – e, por isso mesmo, “sabe compadecer-se dos que estão na ignorância e no erro, porque também ele está cercado de fraqueza” (v. 2).

Continua a Sagrada Escritura dizendo que o padre é constituído a favor dos homens: ninguém é padre para si mesmo, mas sim para os outros. Tanto é assim que aquele poder tremendo de perdoar os pecados e levar ao Céu, Cristo confiou-o a seus padres – mas apenas para perdoar os pecados alheios, nunca os próprios... Quando o Titanic naufragou, naquele 15 de abril de 1912, o jovem Padre Thomas Byles, que se encontrava no navio, recusou várias vezes a oferta de um lugar nos escassos botes salva-vidas, e sacrificou-se até o último momento dando a absolvição a todas as almas que lhe pediam.

Por fim, o sacerdote é constituído mediador nas coisas que dizem respeito a Deus. A missão do padre, diz o Espírito Santo, é tratar das coisas que dizem respeito a Deus: seu “primeiro dever”, relembra o Vaticano II, é “anunciar a todos o Evangelho de Deus” (Presbyterorum ordinis, 4). Por isso é que não cabe ao padre ensinar uma sabedoria humana, mas a sabedoria da Cruz, “e convidar instantemente a todos à conversão e à santidade”.

Pedro e João eram homens “sem estudo e sem instrução”, e mesmo assim os eruditos membros do sinédrio se admiraram de sua sabedoria e “reconheceram-nos como companheiros de Jesus” (At 4,13). Feliz do padre que é assim reconhecido por quem o cerca!

O Cura d’Ars, escolhido pela Igreja como padroeiro e modelo dos padres diocesanos, brilhava com esta intimidade com Deus. Certa vez, um ateu ferrenho, irritado com a fama de santidade do “padrezinho do interior”, pegou um trem para confrontá-lo – mas voltou à capital confessado e convertido, exclamando que “viu Deus num homem”. Possam os nossos neossacerdotes, e todos os nossos padres, tomar como lema de vida aquela frase com que o Cura d’Ars iniciou seu ministério em Ars: “Você, jovem rapaz, me mostrou o caminho para Ars; eu lhe mostrarei o caminho para o Céu!”.

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