Caminhando juntos para o Natal

Durante o Advento, período que abre o Ano Litúrgico, celebramos as vésperas do Natal, a festa do nascimento de Jesus. Como protagonistas bíblicos deste rico percurso espiritual e social, caminharemos com os profetas do Antigo Testamento, com destaque particular para o grande Isaías; com João Batista, o precursor que mais tarde haverá ele mesmo de apontar o Messias; com José, “o homem justo”, forjado e amadurecido no silêncio, sempre pronto ao serviço; e com Maria, o rosto materno de Deus.

Retomando a experiência fundante do êxodo, Isaías e os demais profetas têm a missão dupla de anunciar e denunciar. Ambas as dimensões são precedidas por um “lembra-te de que foste escravo no Egito e por isso não deves desprezar o estrangeiro, o órfão e a viúva”. A denúncia, segundo Miqueias, é dirigida “aos chefes de Jacó e aos magistrados da casa de Israel”, porque a esses “cabe conhecer o direito e a justiça”. Em vez disso, porém, “odeiam o bem e amam o mal”, além de “arrancarem a pele do meu povo e quebrarem-lhe os ossos, como se fosse carne de panela” (Mq, 3,1-3).

O anúncio, entre outras coisas, assegura que “o povo que andava nas trevas viu uma grande luz, uma luz raiou para os que habitavam uma terra sombria como a da morte”. E assim, “o jugo que pesava sobre eles, a canga posta sobre seus ombros, o bastão do opressor, tu os despedaçastes como no dia de Madiã (…) porque um menino nos foi dado, a Ele caberá o domínio e o seu nome será Príncipe da Paz” (Is 9,1-5).

João Batista, como precursor, “aplaina e prepara os caminhos do Senhor”. A voz que clama no deserto é dura e áspera, mas oportuniza uma mudança radical: “Convertei-vos, porque o Reino dos Céus está próximo”. Em consequência, “produzi, então, fruto que prove a vossa conversão (…). Já o machado está posto à raiz das árvores, e toda árvore que não produzir bons frutos será cortada e lançada ao fogo” (Mt 3,1-12).

Quanto a José, aparece como a pessoa certa, no lugar certo e na hora certa. Chamado por Deus para defender da violência o menino e sua mãe, para proteger a integridade da família e cuidar da vida ameaçada. Por meio de sua prontidão, o “Verbo que se faz carne” cresce na escola de Nazaré. Escola onde a Palavra viva, livre, criativa e libertadora vem embalada no berço do silêncio e da escuta.

Silêncio e escuta que haverão de caracterizar também a vocação e a missão de Maria. Em seu coração, “guardava e meditava” esses acontecimentos (cf. Lc 2,19.51). Guardar e meditar significa interpretar as coisas com os olhos da fé; encontrar nos atos e fatos as digitais de Deus no tecido social da História; e, nesta, descobrir os traços secretos e misteriosos que trazem oculto o sentido da ação salvífica e misericordiosa do Pai. Trata-se, numa palavra, de ler a trajetória da humanidade com os óculos dos “sinais dos tempos”, cuja fonte é a Palavra de Deus, por uma parte, e a Doutrina Social da Igreja, por outra.

Padre Alfredo José Gonçalves, CS, pertence à Congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos).

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