Confira nossa versão impressa

Deus é Amor

Em intrigante procedimento judiciário aforado em São Paulo, resultou decididamente que a expressão “Deus é Amor” não pode ser considerada uma marca. Vale dizer, não seria possível a alguma pessoa jurídica de qualquer natureza obter o copyright dessa expressão. Mesmo não conhecendo o inteiro teor da decisão que, seguramente, será apreciada pelas instâncias judiciárias superiores, já podem ser trazidos alguns subsídios ao tema.

Consta que certa instituição religiosa do segmento evangélico obteve no Instituto Brasileiro de Propriedade Intelectual (IBPI) o uso da expressão “Deus é Amor” como designativo jurídico. E que distinta entidade, do mesmo movimento religioso, deliberou criar outra denominação, utilizando-se da mesma expressão das Escrituras Sagradas para a respectiva identificação.

Com efeito, a expressão consiste na mais sintética e precisa definição de Deus. E, seguramente, o Discípulo Amado a apreendeu diretamente do Senhor, nos colóquios em que auscultava o coração de Jesus diretamente do peito em que reclinava sua cabeça.

E, assim como não se pode tomar o nome de Deus em vão, como ordena o segundo preceito do Decálogo, também ninguém pode registrá-lo em qualquer instância humana. Somente o coração da pessoa, na medida em que se torna semelhante ao coração Dele, será o lugar de registro, não tanto da definição, que é bem mais uma categoria de pensamento, mas do animus com o qual capta o que se espera daquele que aloja esse sentir e, consequentemente, esse pensar e agir mediante o amor que Deus irradia em favor de todos e do qual, não poucas vezes, estes se recusam a desfrutar.

Suponhamos, porém, que alguém tenha logrado registrar em certa repartição burocrática essa firma. Sim. Deus passaria a ser de propriedade daquele que obteve a carta patente na qual se garante a utilização exclusiva da marca.

Sem que se cuide da discussão jurídica, pelas razões expostas no início, ressalta à evidência que o ato do registro não retira de nenhum de nós o direito de, como sacerdotes, profetas e reis que somos por múnus decorrente dessa mesma definição – Deus é Amor – e, por assim dizer, a propriedade intelectual, anímica, desse inesgotável Amor que supera todo e qualquer amor. Tudo passará, afirma o apóstolo que é o Patrono de nossa cidade, do nosso Estado e deste jornal, menos o amor.

E os rios de água viva que manam diretamente do coração desse Deus de Amor serão capazes de lavar todo o sofrimento e toda a dor que, nestes dias, tantos e tantos estão sentindo.

O Amor do Deus que é Amor espera que, decididamente, como se todos fôssemos um só, caminhemos no rumo da Civilização do Amor, na qual a existência mesma suprimirá todas as marcas, todas as firmas, todas as definições, toda a lágrima, toda a enfermidade e todo o luto.

- publicidade -

Colunas relacionadas

Comentários

DEIXE UM COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Compartilhe!

Últimas Colunas

Cem mil mortos de COVID-19

No sábado, dia 8 de agosto, o Brasil ultrapassou a impressionante soma de 100 mil mortos, em decorrência da COVID-19, desde o...

‘Laços de Esperança’ – Peça de Karol Wojtyla adaptada ao cinema

Laços de Esperança é uma adaptação ao cinema da peça de teatro A Loja do Ourives, escrita em 1960 por Karol Wojtyla,...

‘Por que duvidaste?’

Certa vez, Jesus dormira na barca, durante uma forte tempestade. Acordado por discípulos desesperados, repreendeu-lhes a falta de fé e conjurou os...

‘Um padre pode celebrar um casamento fora da Igreja?’

O autor da pergunta preferiu não se identificar. Inicialmente, respondo que, claro, um padre pode celebrar casamentos fora da Igreja. Entretanto, há...

Escola e família em tempos de pandemia

Esta quarentena, que a princípio seria reduzida, prolongou-se muito e estamos há aproximadamente 150 dias vivendo uma rotina completamente diferente da habitual.

Newsletter