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Para além do protocolo!

Não basta, porém, cumprir rigorosamente o protocolo. Não basta seguir à letra os termos da antiga Lei, diria o apóstolo Paulo. É preciso ir além das normas prescritas! O mistério do “Verbo que se faz carne” revela que a Boa-Nova do Evangelho exige bem mais do que isso. O amor vivo e ativo supera os contornos estreitos de tais procedimentos. O Mestre insiste que veio não para abolir a Lei, e sim para levá-la à sua perfeita plenitude! Disso decorre que o caminho do Cristianismo, além das regras externas, tem exigências éticas, eclesiais e sociais.

Comecemos com as exigências éticas. Elas questionam os laços interpessoais e as relações humanas em geral, bem como o comportamento de cada um no desempenho de sua função na sociedade. A verdadeira ética orienta-se não tanto por regras fixas e exteriorizadas, e sim pelos desafios e valores interiorizados num determinado ambiente cultural. Seguir tais exigências éticas e morais, como sublinham os documentos da Igreja, pode fazer da política “a forma mais sublime de exercer a caridade”. De fato, a ética na esfera pública comporta um empenho não por interesses privados, familiares ou corporativos, mas pela justiça, o direito e o bem-estar comum.

As exigências eclesiais, por sua vez, interpelam o próprio modo de ser Igreja. A vida, a celebração e a convivência comunitárias se apresentam como um sinal e um testemunho numa sociedade fortemente marcada por um individualismo exacerbado. Mais que as palavras e as aparências, vale uma atitude de abertura, diálogo, autenticidade e transparência. Vale aqui o alerta para o fato de que religião e hipocrisia muitas vezes moram debaixo do mesmo teto. O meio de evangelização mais convincente continua sendo uma vida eclesial sadia, fervorosa e revestida de profunda espiritualidade.

Por fim, as exigências sociais, ou sociopolíticas, nos impulsionam em direção aos pobres e excluídos, aos indefesos e necessitados ou aos “invisíveis e descartáveis”, para usar duas noções ligadas, respectivamente, ao flagelo da pandemia e à solicitude pastoral do Papa Francisco. Nesse caso, seguindo de perto o ensinamento social da Igreja, está em jogo a solidariedade diante dos “caídos” à beira da estrada e da vida, como lembra a parábola do Bom Samaritano. “Vai e faz o mesmo”, responde Jesus ao mestre da lei que o havia interrogado. O desafio aqui é resgatar os direitos e a dignidade humana de todas e de cada pessoa em particular.

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