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No coração e nos braços de Deus

“Mas, como está escrito, o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração do homem não percebeu, isso Deus preparou para aqueles que o amam.” (1 Cor 2,9). Nascemos do querer de Deus e tornamos ao Altíssimo quando Ele nos chama. Viemos do Eterno e na Ressurreição seremos plenificados. A belíssima passagem da Sagrada Escritura alenta nossas vidas e nos faz crer firmemente na Santíssima Trindade. No hoje da nossa vida, abrimos os nossos olhos e podemos contemplar as maravilhas do Sempiterno. Quando do retorno e carregado pelos seus braços, abriremos nossos olhos, nossos ouvidos e nosso coração, diante da majestosa beleza preparada, e O contemplaremos eternamente.

Meu coração rejubila diante da vida. Sou agradecido pela família que Deus me deu. No dia 3 de junho, minha família e eu lembramos os nove anos de falecimento do pai, Alcebíades Leva. No dia 23 de julho, nós nos despedimos da mãe, Giselda Zecchinelli Leva. Muitas lembranças. Ternas e alegres recordações. Estão sempre presentes nas nossas mentes e para sempre são lembradas com carinho e afeto.


Quando a pandemia foi decretada, em março, eu estava com a passagem comprada para Monte Alto, para visitar minha mãe. Na quarentena, ela celebrou o dia das mães e seus 91 anos, no dia 15 de junho. Falávamos por telefone. Isolamento sanitário e dor por conta da separação. Distanciamento necessário e uma distância de 360Km. Nesses tempos de confinamento, por ocasião da COVID-19, os nossos braços se encurtam e nosso coração se apequena. Na verdade, gostaria de alargar e dilatar meus sentimentos. E assim, passaram-se meses para eu visitá-la. Digo e insisto, novamente, meu coração se alegra, porque houve tempo para eu estar com ela e vivermos juntos momentos felizes e edificantes.


Cheguei à Monte Alto no dia 6 de julho. Celebrei meus 60 anos, no dia 13 de julho, na sua presença e passei um dia carregado de bons sentimentos. Como é fundamental e importante ter o colo daquela que nos gerou. Como presbítero, eu afirmo que saí de casa, para eu responder à minha vocação, mas eu nunca deixei de estar com a minha família.


Minha mãe foi hospitalizada no dia 22 de julho. Passei a noite com ela. Às 8h, do dia 23 de julho, quando fui descansar para retornar mais tarde, meia hora depois ela faleceu. Foram 17 dias de profunda alegria. Eu não encaro como tempo que foi passado, mas uma terna e presente lembrança. Mesmo em tempos pandêmicos, minha família e eu, velamos seu corpo por quatro horas. Eu presidi a missa do seu corpo presente na Capela do Cemitério. Éramos cinco padres e dois diáconos, da Diocese de Jaboticabal (SP), e três religiosas scalabrinianas, que trabalham na Santa Casa de Misericórdia de Monte Alto. Os filhos estavam à sua volta e reunidos a levamos, às 5h, para que ela fosse sepultada em companhia do nosso pai.


Aprendemos com nossos pais a importância do trabalho e a estima para com a família. Nossos pais nos orientaram os valores da vida e nos indicaram o caminho da Igreja. Exigiu-nos pelo exemplo. De fato, minha mãe me ensinou e mostrou o crer em Deus. Ela padeceu seus últimos anos e resignada e confiante mostrou-me o verdadeiro amor a Deus sem exigências.


Acredito, piamente, que devemos viver o tempo presente com prontidão e alegria. Confio, plenamente, que seremos acolhidos no tempo eterno e no hoje de Deus. Se memória é a lembrança viva e presente daqueles que sempre amamos, digo e afirmo que, o despertar do sono com Deus é o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram e o coração ainda não percebeu. Na Ressurreição, estaremos vivos no coração do Altíssimo e seremos embalados nos braços de Deus.

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