O alimento que permanece até a vida eterna

18º Domingo do Tempo Comum – 01/08/2021

Uma grande multidão procurava Jesus! Ele, porém, não se fiava da estima desses homens, pois sabia que seu entusiasmo se devia ao fato de que, na multiplicação dos pães, “comeram pão e ficaram satisfeitos” (Jo 6,26). Disse-lhes, pois, com franqueza: “Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará” (Jo 6,27). Dessa maneira, introduzia a alma de seus ouvintes ao mistério da Eucaristia.   

Tentado por satanás – “Manda que estas pedras se transformem em pães” (Mt 4,3) –, Jesus respondeu: “Nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus” (cf. Dt 8,3). Quando os discípulos insistiam que comesse, afirmou: “O meu alimento é fazer a vontade Daquele que me enviou” (Jo 4,34). No Sermão da Montanha, proclamou: “Felizes os famintos e sedentos de justiça, pois serão saciados” (Mt 5,6). O Senhor não é indiferente à indigência material dos homens, afinal, Ele mesmo distribuiu pães à multidão! Deseja, contudo, ampliar nosso horizonte para além das necessidades corporais imediatas.

O que nos distingue dos animais é possuirmos uma alma racional imortal, criada à imagem de Deus. Somos capazes de conhecê-lo e amar livremente, e possuímos no coração uma fome de eternidade. Fomos feitos para aspirar a Deus e, portanto, à verdade, à beleza, à bondade, à justiça e à vida eterna. Frequentemente, porém, as preocupações imediatas desta vida humana sufocam, tal como espinhos (cf. Mt 13,22), essas aspirações profundas. Deixamo-nos, então, levar somente pela busca daquilo que é mais superficial, cômodo ou que nos oferece uma recompensa imediata. Há até quem se contente em viver apenas para pequenos ou grandes prazeres, assemelhando-se mais aos animais do que aos filhos de Deus. 

Ao contrário, a fé em Jesus, a esperança na vida eterna e o verdadeiro amor a Deus e ao próximo levam-nos a olhar para além do bem-estar momentâneo! Se perdermos de vista que existe em nós uma “fome” profunda de algo a mais, ficaremos sempre presos à superficialidade da vida, vivendo um materialismo prático. Somente Deus pode saciar o profundo do coração, pois “Ele satisfez a alma sedenta e preencheu de bens a alma faminta” (Sl 106,9)! Na medida em que o buscarmos com todo o ser e procurarmos satisfazer às necessidades corporais dos outros mais do que às nossas, seremos felizes e santos. 

Por isso, o Redentor diz com autoridade: “Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35). Na Eucaristia, “iniciamos”, já aqui, a vida eterna. Nela, recebemos “o mais belo entre os filhos dos homens” (Sl 44,3); “o Justo” (1Jo 2,1); “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6); o único que nos pode saciar! Na Hóstia santa, Cristo se dá inteiramente a nós! Ele é o Alimento celestial admirável que, diversamente dos outros alimentos, em vez de se transformar em nós, nos transforma Nele próprio. Ele é o Pão da Vida!

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