O Senhor ressurgiu, aleluia, aleluia!

Logo que o menino nasceu, seu corpo foi envolvido em panos e deitado numa manjedoura. O texto bíblico diz que Maria fez isso e acrescenta que não havia lugar para eles na sala. Assim que souberam, os magos vieram de longe e trouxeram presentes: ouro, incenso e mirra. 

Na cidade de Betânia, nos dias tensos de julgamento e condenação, uma mulher se aproxima de Jesus levando um frasco de alabastro com perfume de mirra muito caro e, derramando sobre a sua cabeça, perfuma todo o seu corpo. 

Na última ceia é Jesus que toca o corpo dos seus discípulos, lavando seus pés e ensinando que o mais valioso é dar a vida, passar a vida servindo os outros. E, nesse contexto, diz que vai continuar em nosso meio quando fazemos memória dessa ceia, pois: “Isto é o meu corpo, tomai e comei. Isto é o meu sangue, tomai e bebei”. Tão expressivo que a Igreja nos ensinou a cantar: “O cálice por nós abençoado é a nossa comunhão no sangue de Jesus”.

Forçado a caminhar carregando pesada cruz, chicoteado diversas vezes, coroado com coroa repleta de espinhos, o corpo de Jesus vai sendo humilhado, torturado, dilacerado até ser pregado numa cruz. A caminho do calvário, em meio à multidão, mulheres batem no peito e se lamentam diante do sofrimento de Jesus. E mais uma vez, mesmo em meio a tanta dor, a Igreja nos ensina a cantar: “Prova de amor maior não há que doar a vida pelo irmão”.

José de Arimateia e Nicodemos tomam o corpo de Jesus para o sepultamento. Pegaram o corpo, enrolaram com lençóis e colocaram mais de 30 quilos de perfume de uma mistura feita de mirra e aloés. As mulheres que tinham vindo da Galileia observaram o lugar onde Jesus foi sepultado e, saindo dali, foram preparar aromas e perfumes, e repousaram naquela noite.  

Antes do amanhecer do próximo dia, novamente as mulheres foram ao túmulo levando aromas que tinham preparado e se depararam com as pedras retiradas e o túmulo vazio.  São João destaca a liderança de Maria Madalena, que sai correndo e vai avisar Pedro e João. Os dois saíram apressadamente para conferir o que tinham ouvido. Diante do túmulo vazio, Madalena põe-se a chorar e, quando ouve e vê Jesus perguntando o motivo do choro, pensa estar diante do jardineiro. De fato, Madalena estava diante do jardineiro, aquele que resgatou o paraíso perdido. Jesus é o novo Adão que nos coloca novamente no paraíso, no centro do jardim. 

Os passos de Madalena são bem parecidos com aqueles descritos no livro do Cântico dos Cânticos, no qual a jovem, a amada, sai à procura do noivo, daquele que ela ama; e quando o encontra segura, não larga e quer levá-lo para a casa da mãe. O Evangelho, porém, nos diz que o noivo, o amado, vai para a casa do Pai. Madalena não precisa mais do perfume para afastar o mau cheiro nem do óleo medicinal para tratar as feridas, porque Jesus ressuscitou. 

E como numa bela ciranda, com todos os homens e mulheres da terra, celebremos com toda a criação a vitória da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas. “Terra inteira grite de alegria, festeje e faça músicas… Aplauda o mar e tudo o que nele vive, o mundo inteiro e toda gente! As montanhas e os rios batam palmas e exultem de alegria” (Salmo 97). E quem por primeiro se moveu foram as pedras, pois foi dito: “Se eles se calarem, as pedras gritarão”. “A pedra do sepulcro gritou e, com o seu grito, anunciou a todos um novo caminho. Foi a criação a primeira a fazer ecoar o triunfo da vida sobre todas as realidades que procuraram silenciar e amordaçar a alegria do Evangelho. Foi a pedra do sepulcro a primeira a pular e, à sua maneira, a entoar um cântico novo de louvor e entusiasmo, de júbilo e esperança, no qual todos nós somos convidados a participar” (Papa Francisco).

Então, vamos festejar, mas com os pés no chão bem ao estilo de Madalena, que não tem medo da escuridão e nunca se dá por derrotada, sai de madrugada e vai à luta se tornando fermento novo que anima e contagia a todos. Com um amor apressado, corre para dar a mais bela notícia aos irmãos: Jesus ressuscitou.

Tudo começou numa noite estrelada, quando o corpo de um menino foi enrolado em faixas por sua mãe Maria. Outras mulheres também cuidaram dele ungindo e perfumando, mas foi chicoteado, dilacerado, maltratado e pregado na cruz. Novamente foi envolvido em faixas e colocado no sepulcro. E tudo se conclui com o testemunho de outra Maria, a Madalena, que contempla o Cristo sem faixas, livre, ressuscitado. Sua carne, seu corpo, agora se reveste de eternidade, é um novo dia, um dia que nunca há de se acabar porque Jesus ressuscitou. E, olhando para Jesus, o “Sol nascente que nos veio visitar”, podemos cantar: “O Sol nasceu, é novo dia, bendito seja Deus, quanta alegria”. 

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