Os compromissos do presidente eleito

Com os votos de 60,33 milhões de brasileiros, Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente da República, em 30 de outubro. O petista, que já presidiu o País entre 2003 e 2010, desta vez se comprometeu a reconstruir e transformar o Brasil, tendo como primeiro e mais urgente compromisso “a restauração das condições de vida da imensa maioria da população brasileira – os que mais sofrem com a crise, a fome, o alto custo de vida, os que perderam o emprego, o lar e a vida em família”, conforme consta em seu plano de governo registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

Em linhas gerais, estes propósitos estão em sintonia com a busca do bem comum, que é “a razão de ser da autoridade política” (Compêndio da Doutrina Social da Igreja, CDSI, 168), mas que só é efetivamente alcançado quando o governo de um país se compromete a harmonizar, com justiça, os diversos interesses setoriais (cf. CDSI, 169); sendo também importante que no exercício do poder o governante tenha como finalidade do próprio agir o bem comum e não o prestígio ou a aquisição de vantagens pessoais (cf. CDSI, 410). 

Os brasileiros não esperam menos do que isso do presidente eleito, e Lula reafirmou alguns compromissos com a população em seu primeiro discurso após a vitória. Ele destacou como prioridade número 1 acabar com a fome, mazela social que tem afetado milhões de lares e as muitas pessoas que vivem em situação de rua nas grandes cidades do País. Falou, também, em proporcionar um crescimento econômico que possa ser repartido entre toda a população. “A roda da economia vai voltar a girar, com geração de empregos, valorização dos salários e renegociação das dívidas das famílias que perderam seu poder de compra”, e garantiu, ainda, apoio aos pequenos e médios produtores rurais e incentivos aos micros e pequenos empreendedores. 

Lula também se comprometeu a intensificar diálogos com o Legislativo e o Judiciário para “reconstruir a convivência harmoniosa e republicana entre os três poderes”; com governadores e prefeitos, “para definirmos juntos as obras prioritárias para cada população”; com o povo, por meio das conferências nacionais, para que se estabeleçam as prioridades das políticas públicas em diferentes áreas; com empresários, trabalhadores e a sociedade civil organizada, com diferentes nações e com investidores internacionais, a fim de firmar novos acordos comerciais para que o Brasil não seja apenas um exportador de commodities e matéria-prima, mas, também, para que exporte conhecimento. 

A defesa dos biomas, em especial da Amazônia, dos povos originários e o combate à violência contra as mulheres e a todas as manifestações de racismo, preconceito e discriminação também foram mencionados pelo petista. 

Ao longo da campanha, Lula também assumiu compromissos pela liberdade de expressão, que, conforme seu plano de governo, “não pode ser um privilégio de alguns setores, mas um direito de todos”; contudo, defende ao mesmo tempo a implementação de “marcos legais”, que, na prática, estabeleceriam limites à liberdade informativa prevista na Constituição. 

Em uma carta endereçada à comunidade evangélica, em 19 de outubro, Lula foi explícito sobre seus compromissos em relação à liberdade religiosa, à família e à defesa da vida. Ele assegurou que não fechará igrejas, que defende o exercício da religião sem interferência do Estado, que é tarefa primordial dos pais educar seus filhos, cabendo à escola respeitar os valores das famílias, e que seu governo terá compromisso com a vida plena em todas as suas fases. “Sou pessoalmente contra o aborto e lembro a todos e todas que este não é um tema a ser decidido pelo presidente da República e sim pelo Congresso Nacional.” 

Que após tomar posse da Presidência da República, em 1º de janeiro de 2023, Lula se empenhe em cumprir os compromissos assumidos, e que o povo, dono do poder que confere a seus representantes eleitos, faça atenta observação e as devidas cobranças ao longo dos quatro anos de mandato. 

2 comentários em “Os compromissos do presidente eleito”

  1. Surpreende a qualquer leitor mediano a condescendência com que um ex-presidente, condenado em três graus de jurisdição, e por doze juízes é tratado como um político ilibado em condições de concorrer a qualquer cargo eletivo. Um Jornal Católico precisa saber que as leis civis precisam estar subordinadas à Lei Natural, e não o contrário. Desta feita é impossível absolver um criminoso, simplesmente porque os meandros processuais criminais assim permitiram. Uma decisão injusta, não se torna justa por sua legalidade. Nunca aquele conceito de Aristóteles presente no - A Politica - onde falando do governo de todos em prol do bem comum: a "politéia", pode ser deformada e corrompida, transformando-se na "democracia". Nossa democracia voltou ser aquela já definida por Aristóteles: apenas uma deformação de um dos regimes de governo.

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  2. Me entristece profundamente um editorial desse tipo. Tive e tenho minhas críticas ao governo que sai, entretanto esperava um edital reivindicando respeito às leis, a harmonia dos poderes políticos e o direito inalienável e constitucional à liberdade de expressão. O que vejo, ao contrário, é a mais pura condescendência da Igreja de São Paulo, -leia-se cardeal Scherer- e do Brasil, através do partido político chamado CNBB, em aceitar a corrupção em todos os seus âmbitos, durante pelo menos 12 anos de um único partido. Legitimar esta eleição e todo o processo de recolocação no pleito de um criminoso que não se retratou dos seus vícios e pecados, é ser conivente com suas práticas e seu entorno anticristão. Quem é amigo deste mundo é inimigo de Deus. E os frutos dessa conivência se fazem visíveis no abandono das vozes católicas que defendem a vida e os valores religiosos nas redes sociais silenciadas e desmonetizadas. Amanhã toda esta sanha poderá atingir o seio da Igreja e os católicos mais honestos e dedicados poderão não mais conseguir ajudar a mantê-la.
    Vocês não tem medo do inferno? Por que não se atrevem a dar testemunho do reino? Estão com medo de serem pregados numa cruz por defender o Mestre?
    Um edital como esse é a visível aceitação de todo esse atropelo e toda a corrupção vigente.
    Somos uma imensa massa de trabalhadores que se levanta muito cedo, trabalha, paga todos os impostos possíveis e imagináveis, respeita as leis, cuida de casa, de filhos, da rua, da comunidade, ajuda e contribui nas obras da Igreja, ajuda familiares, e outras infinitas ajudas financeiras, e somos obrigado a nos deparar com um edital desse. Essa Igreja de São Paulo, esse cardeal, esses bispos auxiliares e essa CNBB não me representam. Espero que pensem no que publicam e espero que realmente acreditem naquilo que pregam... LAMENTÁVEL.
    Não espero aqui nenhuma retratação dos senhores prelados, porque vocês são dados a pregar a humildade e o reconhecimento do erro, mas nada humildes em se retratar ou corajosos em denunciar todos estes desmandos e afronta às leis e ao estado democrático. Onde estás cardeal Scherer. Onde estão senhores bispos auxiliares? Onde ficou a coragem de vocês. Não sou eu que chamo, é Deus!

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