Os frutos de um pai virtuoso

Quando decidimos por uma vida virtuosa, por buscar o bem e lutar por vivê-lo, com certeza escolhemos um caminho mais árduo, não tão fácil como o de vivermos buscando o prazer, o conforto. 

Viver de modo coerente com os valores mais altos na família – o amor, a capacidade de se doar pelo bem comum, de fazer as escolhas que contribuam para o crescimento equilibrado dos filhos, renunciar a interesses próprios em diversas situações cotidianas – é, com certeza, um ato de coragem, de generosidade, de fortaleza. 

A capacidade de agir desse modo é fruto de uma decisão responsável. Quando decidimos formar uma família, comprometemos o nosso futuro. Já pararam para refletir sobre isso?

Ao escolher um(a) companheiro(a) para essa missão, decidimos a nos entregar completamente para fazê-lo(a) feliz e para receber e educar com amor os filhos que vierem dessa união. Escolhas trazem consequências, todos sabemos, mas assumir essas consequências de modo responsável é para os virtuosos, aqueles que amadureceram e entenderam que a vida real é feita de desafios, de lutas diárias e que as recompensas vêm a longo prazo. 

As atitudes virtuosas, os bons hábitos, são motivados por uma vontade forte, uma vontade que vê o bem que eles podem trazer e sabem que esse bem vai levar um tempo a aparecer. No momento exato da ação, provavelmente ela não será fácil nem prazerosa. 

Já os maus hábitos normalmente são motivados por prazeres imediatos: ficar mais na cama, comer muito daquilo de que se gosta, deixar os filhos se entreterem nas telas para facilitar o dia… Porém, os resultados a longo prazo são desastrosos. 

Hoje, quero com este artigo motivar os pais: lutem por ser virtuosos! Por marcar positivamente seus filhos com seu exemplo responsável, com sua luta pelo melhor.

Escrevo isso a vocês, motivada por compartilhar a alegria que tenho de ter sido filha de um pai virtuoso. Um homem que assumiu de modo responsável a família, que foi muito exigente consigo mesmo e com os outros (às vezes, até demais), que viveu de modo coerente com os valores que considerava inegociáveis (a fé, a fidelidade à família, o trabalho honesto, o respeito aos que cruzavam seu caminho). Ele nunca foi alguém que quisesse ser o centro das atenções, não chamava a atenção para si em festas, reuniões, nem no dia a dia. Era uma presença discreta, mas marcante pela autoridade que transmitia no trabalho, nas relações familiares e nas atividades que se propunha a realizar. Apesar da discrição, muitos o rodeavam, pois gostavam de ouvir suas opiniões sábias e ponderadas sobre a vida.

Muitas vezes, por excesso de zelo, errava na conduta comigo e com minhas irmãs. Entretanto, ouvia atentamente nossos protestos, dizia que ia pensar a respeito e, muitas vezes, se desculpava. Suas atitudes transmitiam uma grande convicção – não agia por impulso, considerava a situação e buscava o melhor dentro de suas possibilidades. Desde muito pequena, eu o admirava e me sentia muito segura sob sua orientação – era estável, firme e muito amoroso. Muitas e muitas vezes não gostava de suas decisões, ficava inconformada, protestava. Mas não ousava desobedecer, pois ele era muito coerente e sua coerência me convencia a lhe obedecer. Não me arrependo: hoje, mais madura, compreendo suas decisões e valorizo suas ações. Os erros, as limitações, ficam perdidos no meio de tantos bons exemplos, de tanta luta por nos oferecer o melhor: uma formação sólida. 

Posso dizer que tenho em minha biografia muitas marcas positivas e a grande alegria de saber que tive como pai um homem de bem. Espero, de coração, deixar a mesma percepção na vida dos meus filhos, apesar de todas as minhas limitações e erros. 

Pais, coragem nessa luta. Não se deixem levar pela atração dos prazeres e facilidades, não valem a pena. Passam rapidamente e não trarão aos seus filhos uma alegria mais sólida e perene. 

Vale a pena sermos lembrados pelo bem que lutamos por fazer. 

Simone Ribeiro Cabral Fuzaro é fonoaudióloga e educadora. Mantém o site: www.simonefuzaro.com.br. Instagram: @sifuzaro.

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