Sagrado Coração de Jesus

É verdade que a devoção ao Sagrado Coração – que celebramos solenemente na sexta-feira, 11 – tem grande presença na religiosidade popular brasileira: quem, afinal, não pensa logo nos membros do Apostolado da Oração, entoando piedosamente “Coração Santo, tu reinarás…”, e trajando suas fitas vermelhas na primeira missa da manhã?  Se por um lado, porém, este carinho singelo do povo não deve de modo algum ser desprezado (pois sabemos, pela Comunhão dos Santos, que a oração dos fiéis devotos é verdadeiro sustento espiritual da Igreja), por outro lado o fato é que o culto ao Singelo Coração não tem nada de “piegas” ou “carola” – antes, nele “se contém o resumo de toda a religião, e a norma de vida mais perfeita” (Papa Pio XI, Miserentissimus Redemptor, 3).

A afirmação pode parecer forte – mas é verdadeira em suas duas partes. A veneração do Sagrado Coração contém o resumo de nossa fé, em primeiro lugar, porque “a religião de Jesus Cristo funda-se toda no Homem-Deus mediador; de maneira que não se pode chegar ao coração de Deus senão passando pelo coração de Cristo” (Papa Pio XII, Haurietis aquas, 60). Com efeito, sem a Encarnação – sem que Deus eterno tivesse descido à terra e assumido uma natureza humana, permanecendo ao mesmo tempo divino –, jamais nos seria possível nos elevar até Ele.

Em segundo lugar, o culto do Sagrado Coração possui a norma de vida mais perfeita porque nos lembra que Jesus, “amou-nos a todos com um coração humano” (Catecismo da Igreja Católica, 478) – ou seja, com toda aquela ternura que sente uma lactante pelo recém-nascido em seus braços, ou um avô por um neto querido.

Foi, na verdade, o próprio Cristo quem estimulou a devoção a seu Sagrado Coração, associando-o à sua Misericórdia e ao refrigério de nosso espírito cansado: “Vinde a mim, vós todos que estais aflitos sob o fardo, e eu vos aliviarei. Tomai meu jugo sobre vós e recebei minha doutrina, porque eu sou manso e humilde de coração e achareis o repouso para as vossas almas. Porque meu jugo é suave e meu peso é leve” (Mt 11,28).

Também em suas aparições privadas a Santa Faustina Kowalska, o Senhor enfatizou que seu Sagrado Coração “é a própria Misericórdia”: “Nenhuma alma que de Mim se tenha aproximado, saiu sem consolo. Toda a miséria submerge na Minha Misericórdia, e toda graça brota dessa fonte salvífica e santificante” (Diário de Santa Faustina, 1777).

A Misericórdia divina deve, de fato, ser para nós fonte de grande esperança e consolo, e nos serve de garantia contra qualquer tipo de escrúpulos ou desespero de salvação: Jesus sempre nos espera de braços abertos, pronto a nos perdoar e acolher.

É importante, porém, advertir que há aqui o risco de cairmos na presunção: mesmo sem nos convertermos e abandonarmos o pecado, passamos a ter certeza de que seremos salvos. Um tal laxismo não seria compatível com a mensagem do Evangelho: Cristo diz sim que aliviará nossos fardos – mas apenas se nos dispusermos a ir até Ele

Sigamos, então, o exemplo do Filho Pródigo: batamos no peito, tomemos novamente o caminho da casa do Pai e ponhamo-nos a Seus pés dizendo: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti!”. Aí, então, tenhamos a certeza de ouvir seu misericordioso perdão: “Trazei-me depressa a melhor roupa e vesti-lha, e ponde-lhe um anel no dedo e sandálias nos pés” (cf. Lc 15,11-32).

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