São José, o menino Jesus, o Shemá Israel e o amor absoluto

São José, o menino Jesus, o Shemá Israel e o amor absoluto
Representação de São José com o Menino Jesus (artista Guido Reni, 1635)

Gosto muito de refletir sobre as verdades Bíblicas não explicitamente escritas, porém inferidas por meio de sofisticado exercício de interpretação, levando-se em conta não só a Teologia, mas a história e a antropologia.

Outro dia, refleti isso:

José, pai adotivo de Jesus, a quem Deus confiou Sua família, era um homem justo.

Justo, no sentido Bíblico, é aquele que cumpre fielmente a lei de Deus.

E, depois de ler a respeito, permiti-me refletir sobre a justeza de São José, cujo ano de 2021 se lhe for dedicado pelo Papa e o esvaziamento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Se José era justo e cumpria a lei Divina, é correto dizer que rezava todos os dias o Shemá Israel, a profissão de credo dos judeus e que foi ensinada ao povo por Moisés após se encontrar face a face com Deus no monte Sinai.

E sendo justo, um pai zeloso, um judeu fiel, José rezava o Shemá Israel, cantando-0 ao pé do ouvido do pequeno Jesus, enquanto o embalava amorosamente em seus braços.

Afirmo isso ancorado na teoria do equilíbrio das probabilidades, já que até hoje todo pai judeu piedoso faz isso com seus filhos pequenos.

Não é lindo isso!?

Não é comovente, não é de fazer estremecer as entranhas e bater mais forte o coração?

A cena mostra, a um só tempo, a VOCAÇÃO de José, que cumpriu fielmente a missão de guarda da Sagrada Família, sentinela do Senhor no mundo, e o ESVAZIAMENTO de Jesus que, sendo o DEUS que assumiu em tudo, menos no pecado, a condição humana, permitiu que um homem lhe ensinasse a oração que Ele mesmo, enquanto parte da Santíssima Trindade, ensinou ao seu povo amado e da primeira aliança.

Vocação e esvaziamento implicam comprometimento e humildade e tudo isso, ao sabor da fé, é a beleza por excelência, é o amor pleno em exercício.

Transmitir a fé é gesto de amor. Aprender e guardá-la, transmiti-la, também.

Por isso, a Santa Igreja, cuja cabeça é o Cristo Jesus, tem São José como patrono e os fiéis o tem como modelo de homem decente, digno e justo.

Todos os dias, com esta cena em mente e plasmada em meu coração, eu rezo logo cedo o CREDO, oração oficial da Igreja e que traduz a santa fé CATÓLICA e rezo o SHEMÁ ISRAEL, a oração que o próprio Senhor rezava e que “aprendeu” de São José.

OUVE, ó Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor, portanto o amarás com toda sua alma, com toda sua força e com todo seu coração (…)”.

Neste tempo de especial dificuldade, em que vivemos uma Quaresma acossada pelo flagelo da pestilência, muito aproveita recordar dessas coisas para que nossa fé possa ser animada, fortalecida e o desejo de fazer o bem não venha a ser enfraquecido pelas mazelas do mundo.

Que possamos esvaziar nossos egos, nossas supostas convicções e, assim, trabalhar o que é bom, justo e valioso em busca do bem comum.

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