Tomar a vacina é uma atitude ética, responsável e de amor ao próximo

Em meio ao aumento de casos de COVID-19 no Brasil, com média diária de mortos pela doença superior a 950 pessoas, a esperança de superação da pandemia foi reavivada nesta semana com o início da vacinação contra o novo coronavírus. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, no domingo, 17, o uso emergencial da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan – cujos primeiros 6 milhões de doses já foram distribuídos pelo Ministério da Saúde aos estados –, e da vacina AstraZeneca/Oxford, feita com a participação da Fiocruz, mas ainda não disponível no País.

Nas cerimônias que marcaram o começo da vacinação em cada estado, inúmeros foram os relatos de emoção e alívio daqueles que receberam a primeira das duas doses da CoronaVac: profissionais da área da Saúde que lidam diretamente com pacientes com a COVID-19, indígenas, além de idosos e pessoas com deficiência que vivem em instituições de longa permanência, como asilos. Eles compõem o grupo prioritário desta fase inicial de imunização no Brasil.

Na semana passada, no Vaticano, o Papa Francisco, 84 anos, e o Papa Emérito Bento XVI, 93, também foram vacinados contra a COVID-19. Dias antes, o atual Pontífice, em entrevista, encorajou que todos, assim que possível, tomem a vacina: “Não é uma opção, é uma ação ética, porque está em risco a sua saúde, a sua vida, mas também a vida dos outros”.

O posicionamento de Francisco e o gesto de se vacinar ocorrem no momento em que ressoam mundialmente dúvidas sobre a eficácia e a segurança das vacinas já aprovadas – mesmo após terem seguido rigorosos protocolos internacionais de certificação – e, também, alguns cristãos questionam se seria moral se vacinar com imunizantes que, em algum momento de seu desenvolvimento, tenham utilizado células de fetos abortados voluntariamente ou de embriões congelados em clínicas de reprodução assistida.

A esse respeito, em dezembro do ano passado, a Congregação para a Doutrina da Fé manifestou-se sobre a moralidade do uso de vacinas contra a COVID-19, pontuando que, embora algumas delas possam ter sido desenvolvidas em culturas de células humanas obtidas, vários anos atrás, a partir de abortos provocados, quem com elas for imunizado não cooperará para a prática do aborto. No entanto, a nota enfatiza: “Com efeito, o uso lícito de tais vacinas não requer e não deve de modo algum implicar a aprovação moral da utilização de linhas celulares de fetos abortados. Portanto, pede-se tanto às empresas farmacêuticas quanto às agências de saúde governamentais que produzam, aprovem, distribuam e ofereçam vacinas eticamente aceitáveis, que não criem problemas de consciência para os profissionais da saúde nem para quantos se devem vacinar”.

A Congregação também recorda que, embora se vacinar seja uma decisão de cada pessoa, “do ponto de vista ético, a moralidade da vacinação depende não só do dever de tutela da própria saúde, mas, também, do dever da busca do bem comum”. Desse modo, quem se vacinar contra a COVID-19 fará bem não apenas a si próprio; também colaborará “com a saúde do próximo, ajudando a diminuir sofrimentos e ainda possibilitando a desejada retomada do ritmo ‘normal’ de vida pessoal e social”, como escreveu o Cardeal Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, na nota “A favor da vacinação”, publicada nesta edição do O SÃO PAULO. Trata-se, pois, de atitude de cuidado também com o irmão que expressa concretamente o mandamento do amor: “Amarás teu próximo como a ti mesmo” (Mt 22,39); “O amor não faz o mal ao próximo, pois o amor é o pleno cumprimento da Lei” (Rm 13,10). Por enquanto, não há vacinas para todos. Assim, o uso da máscara, a higienização frequente das mãos e o respeito às medidas de distanciamento social continuam a ser gestos de amor que salvam vidas.

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