Unidos a Cristo e em paz

5º Domingo da Páscoa – 02/05/2021

O livro dos Atos dos Apóstolos deixa transparecer algumas dificuldades do início da Igreja: medos, intromissão de falsos discípulos, discussões com judeus, perseguições e perigos (cf. At 9,26-31). Mas afirma que, apesar disso, “a Igreja vivia em paz” (At 9,31). Por não consistir na simples ausência de problemas, dores e perseguições, a paz da Igreja é diferente da paz do mundo. Pedimos a Deus que, se for sua vontade, poupe a Igreja e as pessoas que amamos de tribulações. Porém, a paz de Cristo vai muito além da falta de padecimentos! 

A verdadeira paz não pode depender das circunstâncias externas. Caso contrário, outros poderiam “roubá-la” e teríamos, então, razão para nos desesperar. A paz depende, na realidade, de nossa união com Jesus Cristo, “porquanto Ele é a nossa paz” (Ef 2,14). A paz é fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5,22), resultado do perdão, da aceitação da vontade divina e da consciência reta. Por isso, o Senhor diz: “Eu vos deixo a paz, a minha paz vos dou; não como o mundo a dá, Eu vo-la dou. Não se perturbe nem se intimide o vosso coração” (Jo 14,27)! 

O próprio livro dos Atos explica, mais adiante, por que a Igreja continuava sempre em paz: “Ela consolidava-se e progredia no temor do Senhor e crescia em número com a ajuda do Espírito Santo” (At 9,31). Os males que realmente oprimem a Igreja e lhe retiram a paz são o pecado, a falta de fidelidade e temor a Deus, a tibieza e a frieza no apostolado. Quando essas enfermidades ganham espaço em nossos corações, abandonamo-nos às nossas próprias forças, esquecemo-nos de que somos filhos de Deus, e as dificuldades nos parecem intransponíveis. 

Então, é o momento de reconstruirmos a amizade com Jesus, de buscá-Lo com mais força e determinação do que nunca! Afinal, Ele diz: “Sem Mim, nada podeis fazer” (Jo 15,5). Como ramos unidos inseparavelmente a uma videira, assim é necessário que permaneçamos com Ele! Isso se dá pela oração frequente, a Confissão, a Eucaristia, o amor fraterno e o amor à Cruz. Enfim, é preciso que sigamos o conselho: “Não vos inquieteis com nada” (Fl 4,6)! Calando o ruído interior, deixando de lado preocupações inúteis, cortando pela raiz a imaginação negativa e nos abandonando completamente nas mãos do Senhor, finalmente “a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e pensamentos, em Cristo Jesus” (Fl 4,7). 

Que estejamos unidos a Cristo, “guardados” em Cristo! Ele prometeu que “aquele que permanece em Mim, e eu nele, esse produz muito fruto” (Jo 15,5). E os frutos que Jesus quer produzir em nós são contados pelo apóstolo: “O fruto do Espírito é amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, continência, castidade” (Gl 5,22-23). Que, por intercessão de Nossa Senhora, cujo mês celebramos em maio, Deus produza em nós muitos frutos, especialmente de caridade e de paz.  

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