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‘A Catedral é sinal da presença de Deus e da nossa fé nesta cidade’

Afirmou o Cardeal Odilo Scherer, na missa pelo 66º aniversário de dedicação da Catedral da Sé

‘A Catedral é sinal da presença de Deus e da nossa fé nesta cidade’
Cardeal Odilo Pedro Scherer, preside missa pelo 66º aniversário de dedicação da Catedral da Sé (Foto: Luciney Martins)

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, presidiu, neste sábado, 5, a missa solene pelos 66 anos da dedicação da Catedral Metropolitana Nossa Senhora da Assunção e São Paulo (Sé). A data é comemorada como solenidade litúrgica na própria Catedral e como festa em toda a Arquidiocese.

Na homilia, Dom Odilo ressaltou que a catedral é a igreja-mãe de uma diocese, o templo onde está a cátedra do Bispo, ou a sede (sé), de onde ele ensina e pastoreia a porção do povo de Deus a ele confiada em uma Igreja particular.

MORADA DE DEUS

“Quando falamos da igreja dedicada a Deus como lugar de especial encontro com Ele, sempre nos vem a pergunta que o rei Salomão fez na sua oração de dedicação do templo que ele fez construir em Jerusalém: ‘Será que Deus pode realmente morar sobre a terra?’”, afirmou o Cardeal, ao refletir sobre um trecho da primeira leitura da missa (1Rs 8,22-23.27-30).

“Deus quis ter morada entre nós. Sim, Ele quis estar no meio dos filhos dos homens… Isso não significa que Deus não seja infinitamente grande. Mas, de tão grande que é, também se faz pequeno, próximo, para escutar nossas orações, súplicas, louvores, pedidos de perdão”, afirmou o Cardeal, destacando, ainda, que Jesus, ao se encarnar e se fazer homem, tornou-se templo de Deus no meio da humanidade.

‘A Catedral é sinal da presença de Deus e da nossa fé nesta cidade’
(Foto: Luciney Martins)

LUGAR DE ESPERANÇA

O Arcebispo chamou a atenção para a necessidade de se refletir sobre a importância que os cristãos dão para as igrejas, enquanto elementos simbólicos. “Nossas igrejas devem, de alguma maneira, falar dessa presença de Deus também para os pobres”, sublinhou, enfatizando que os templos devem ser lugares de referência para o serviço ao próximo.

“Cada vez que vamos à igreja, crescemos em esperança, nutrimos a fé de, um dia, estarmos plenamente com Deus, face a face… Quem não vem à igreja, quem não reza com os outros, em comunidade, como pode alimentar o desejo de um dia também estar na comunidade celeste?”, acrescentou Dom Odilo.

VIDA ECLESIAL

Dom Odilo renovou o convite para que as pessoas não apenas frequentem a igreja, mas participem da vida eclesial no seu conjunto. “Isso é testemunho da nossa fé para a cidade. Nós não podemos esconder a nossa fé, como se fosse algo que dissesse respeito apenas à nossa vida privada como alguns querem. É testemunho público daquilo em que nós cremos e daquilo que praticamos como consequência da nossa fé”, sublinhou o Cardeal.

Dom Odilo reconheceu que a Igreja sofre muitas perseguições, dificuldades e problemas humanos. “Porém lembremos sempre que a Igreja não apenas uma realidade humana, ela depende de Jesus Cristo que a sustenta e sempre de novo a chama a se renovar e se converter, que dá sempre nova vitalidade à Igreja”, sublinhou, pedindo a todos que rezem sempre pela Igreja.

‘A Catedral é sinal da presença de Deus e da nossa fé nesta cidade’
Antiga Sé de São Paulo, demolida em 1911

HISTÓRIA

No fim da missa, o Cura da Catedral, Padre Luiz Eduardo Baronto, recordou que a história da Sé de São Paulo começou em 1589, quando o cacique Tibiriçá, em acordo com os missionários jesuítas, escolheu o terreno onde seria erguido o primeiro templo da cidade, construído em taipa de pilão. “Tratava-se da Igreja Matriz da pequena Vila de São Paulo de Piratininga. Essa igreja era situada onde hoje está o monumento de Anchieta [na Praça da Sé], concluída em torno de 1616”, destacou.

Com a transformação da vila em cidade, em 1745, a Capitania de São Paulo tornou-se sede episcopal e com isso a “antiga Sé”, como era conhecida, foi elevada à dignidade de catedral. Por isso, nesse mesmo ano, iniciou-se a edificação da segunda matriz, no mesmo local da anterior. Ao lado dela, em meados do século XIII, foi construída a Igreja de São Pedro.

Em 1911, os dois templos foram demolidos para as obras de ampliação da praça da Sé e para dar lugar a uma nova catedral, idealizada pelo primeiro Arcebispo de São Paulo, Dom Duarte Leopoldo e Silva.

NOVA CATEDRAL

‘A Catedral é sinal da presença de Deus e da nossa fé nesta cidade’
Catedral em construção

Inaugurada em 25 de janeiro de 1954, por ocasião das comemorações do IV centenário de fundação da cidade de São Paulo, a Catedral da Sé foi dedicada somente em setembro, durante o I Congresso Nacional da Padroeira do Brasil, realizado entre São Paulo e Aparecida. A dedicação foi feita pelo Cardeal Adeodato Givanni Piazza, que veio como enviado pontifício para o Congresso da Padroeira.

Com 111 metros de cumprimento, 46 metros de largura e 65 metros de altura (com exceção das torres), a atual Catedral foi idealizada para substituir a antiga Igreja da Sé, de 1612, bastante deteriorada pelo tempo.

PROJETO

A Catedral da Sé passou pelas mãos de muitos engenheiros e arquitetos, mas o principal foi Maximiliano Hehl, que acompanhou a construção por apenas três anos, pois morreu em 1916. A construção passaria por outros arquitetos e também por algumas modificações no projeto original, tais como o mobiliário, os vitrais, a capela do Santíssimo.

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Carrilhão de sinos da Catedral da Sé (Foto: Luciney Martins)

ESTILO

O estilo neogótico da Catedral é considerado peculiar, com seu aspecto eclético em estilos arquitetônicos. Nas colunas alçadas a 70 metros de altura, encontram-se elementos típicos da fauna e da flora brasileiras, como ramos de café, o tamanduá-bandeira, o tatu-bola, a coruja contrastando com grandes personagens do século XX, da história da Catedral e da história universal.

ÓRGÃOS E SINOS

O órgão foi fabricado em Milão e é o maior da América Latina, com 10.200 tubos. Está desativado desde 1999 e existe projeto em andamento para a sua reconstrução. Já o carrilhão de sinos, localizado nas torres é um dos maiores do País, com 61 sinos sendo 35 acionados eletronicamente. Passou recentemente por uma reforma geral e está em pleno funcionamento.

RESTAURAÇÃO

Fechada durante três anos (1999-2002), a Catedral passou por um restauro, no qual foram concluídos os 14 torreões, previstos no projeto original.

No restauro, também foram feitos os reparos de trincas, descupinização, sistema de águas, limpezas, restauração dos vitrais, elementos artísticos, mobiliário e portas, novas instalações elétricas, prevenção de combate a incêndio, recuperação da escadaria e construção de novos banheiros, reservatórios, elevador para deficientes físicos entre outras melhorias.

‘A Catedral é sinal da presença de Deus e da nossa fé nesta cidade’

SINAL DAS RAÍZES CRISTÃS

“O templo, como nos sugere os salmos, é como o ninho onde os pássaros abrigam seus filhotes. A Catedral está situada no centro barulhento de São Paulo. Muitos entram aqui buscando silêncio, aconchego, lugar para rezar. Alguns chegam até a dormir devido ao cansaço da dureza da vida. A Catedral cravada no centro da cidade, no seu marco zero, lembra-nos das nossas raízes cristãs que tantos, agora, tentam nos fazer esquecer e até mesmo negar”, ressaltou o Padre Baronto.

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