Anote na agenda: 8 de dezembro é o Dia do Amparo

Data instituída pelo Amparo Maternal busca a obtenção de doação para a continuidade das atividades do centro de acolhida voltado a gestantes, bebês e puérperas

Anote na agenda: 8 de dezembro é o Dia do Amparo, Jornal O São Paulo
Luciney Martins/O SÃO PAULO

A Associação Amparo Maternal, que tem por missão acolher mulheres gestantes em situação de vulnerabilidade, incluirá em seu calendário institucional o Dia do Amparo, a ser comemorado em 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição. 

Neste primeiro ano, a data destacará a campanha “Amparo pela Vida de 2022”, iniciada em maio e que tem arrecadado recursos fundamentais para a instituição seguir com as atividades do Centro de Acolhida, que existe há 83 anos. 

Sediada na Vila Clementino, na zona Sul da capital, o Amparo Maternal acolhe gestantes e seus bebês de forma integral e humanizada, oferecendo residência e atendimento especializado para a reinserção social. 

“A instituição é reconhecida por dar apoio à formação de cidadãos éticos e íntegros para a sociedade. Ela salva vidas, promove dignidade”, disse, ao O SÃO PAULO, Lorenna Pirolo, diretora-presidente da instituição e cofundadora da associação católica de fiéis Missionários da Redenção. 

Lorenna enfatiza que o Amparo Maternal foca no “ser” de cada mulher, a fim de que “se veja perante a si mesma o mundo e a sociedade; e, assim, possa se recolocar e saber quais são os valores necessários para uma vida em abundância, àquela pregada por Cristo. A meta é que ela possa ser e sair daqui com autonomia e com protagonismo”.

Para promover tudo isso, além de manter parceiros que auxiliam as atividades desenvolvidas, a instituição conta com a generosidade de voluntários e doadores. 

Atualmente, o Centro de Acolhida tem trabalhado em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMAD), realizando 50 acolhimentos simultâneos, somando mães e bebês. 

Apenas em 2022, o Centro de Acolhida resgatou das ruas da capital 187 vidas. “Nos últimos cinco anos, tiramos das ruas 900 vidas, mulheres e bebês que moraram conosco por mais de seis meses”, comenta Lorenna. 

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Acolhimento

As gestantes chegam ao Centro de Acolhida encaminhadas pela Prefeitura, responsável por regular as vagas. 

“Quando a Prefeitura é acionada para socorrer uma gestante em situação de vulnerabilidade, seja por sofrer violência doméstica,  conflitos familiares ou situação de rua, uma assistente social vai até essa mulher. Somente depois ela é encaminhada para cá”, explica Lorenna.

No Centro de Acolhida, a assistida pode entrar a partir do primeiro mês de gestação. Após o parto, ela permanece até o sexto mês de vida do bebê. 

“Esse período pode ser prorrogado conforme cada caso. Hoje, por exemplo, temos na casa mães com bebês que já estão completando quase nove meses de permanência. Elas estão no processo que chamamos de saída qualificada”, detalha Lorenna, reforçando que o objetivo do trabalho é que a mulher acolhida não volte para as ruas, mas que vá para uma moradia autônoma ou para a família. 

Vidas resgatadas

Ana Paula Pereira Santos, 44, viveu em situação de rua por mais de quatro anos na Cracolândia. Ela chegou ao Centro de Acolhida em junho de 2021, no sétimo mês de gestação, e lá permaneceu até julho deste ano, quando o filho já tinha 11 meses de vida. 

“Estava no fundo do poço, sendo consumida pelo vício das drogas. Lembro que fazia quatro dias que não conseguia levantar do chão nem para comer. Mas pedia muito a Deus, por mim e pelo meu filho, para não me deixar morrer daquele jeito”, conta. 

Ela conseguiu pedir ajuda a uma assistente social da Prefeitura, durante uma abordagem e, assim, chegou ao Centro de Acolhida. “Agradeci a Deus e fiz um compromisso com o meu Senhor, não queria voltar a viver daquele jeito”, lembra. 

Ana Paula acredita que, se não tivesse sido acolhida, hoje não estaria com o filho. “Eu teria doado ele. E estaria na mesma situação de antes, nas drogas”, assegura. “O Amparo foi a mãe que me acolheu na hora que eu mais precisava”, relata. “Lá eu me encontrei, me fortaleci e me reergui. Voltei a ser eu, revivi”, acrescenta.

Ana Paula destaca o amplo apoio que recebeu na casa. “Todos estavam ali o tempo todo, desde a faxineira até a diretora. Conversando e me ajudando a me lembrar de mim. E, assim, ressurgiu a Ana Paula que sempre fui: trabalhadora, que luta e que vai atrás.” 

Quando do Centro de Acolhida, Ana Paula foi morar com uma sobrinha. Estava trabalhando como cozinheira em um centro de permanência para idosos. Hoje, ela trabalha em outra empresa, como auxiliar de limpeza, área que já tinha experiência, por isso acredita que terá mais possibilidades de crescer profissionalmente. 

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Serviços ofertados

O Centro de Acolhida oferece abrigamento, oficinas, apoio pedagógico, psicológico, serviço social e atividades socioeducativas. “Além da alimentação e todo o material básico para sobrevivência, para que de fato o serviço seja considerado integral e que promova dignidade”, diz Lorenna.

A gestante é recebida na casa por uma equipe técnica composta por psicólogo, pedagogo, assistente social e a gerência. “No primeiro momento, a prioridade é saber como está a saúde dela e do bebê.” 

Por meio de um amplo diálogo, é levantado o histórico da mulher atendida, para entender suas demandas e quais atividades serão necessárias. “Começa uma busca para saber se ela já passou por outro centro de acolhida, se há alguma outra questão. Assim, ela fica com relatório na Secretaria Municipal”, explica. 

Dentre os serviços ofertados estão três oficinas de capacitação – informática, cabeleireiro e corte e costura –, realizadas por meio de parcerias e voluntários. 

“Nas oficinas, mostramos habilidades específicas que poderão servir como um apoio para as mulheres entrarem no mercado de trabalho”, diz Lorenna. 

Além de autonomia e autoconhecimento, é reforçado o vínculo familiar, e, para quem deseja, tem a promoção de atividades voltadas para a espiritualidade. “Temos missa toda última terça-feira de cada mês para quem deseja participar.” 

Dia do Amparo

Em 8 de dezembro, o Dia do Amparo, a instituição preparou uma programação especial. A casa ficará aberta das 9h às 18h, para visitação guiada. “Assim, voluntários e apoiadores terão a oportunidade de conhecer o espaço”, diz Lorenna.

“Tentaremos fomentar a consciência de que a união fraterna de pessoas que acreditam e que defendem uma causa como essa, que é a vida na sua totalidade, pode fazer a diferença, seja fazendo uma doação em espécie ou estimulando a doação”, destaca.

Lorenna ainda enfatiza que o objetivo é conduzir as pessoas para uma corresponsabilidade social, a fim de manter a instituição de portas abertas e aumentar a capacidade de acolhimento.

Haverá um coffee break às 16h, momento em que serão destacadas as benfeitorias feitas ao longo do ano, graças às doações voluntárias, como “a reforma de três ambientes e a implementação de um banheiro com acessibilidade”.

Para doar, acesse: https://amparopelavida.com.br/ 

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Destaques da história 

A Associação Amparo Maternal foi fundada em 1939 por iniciativa da religiosa franciscana Madre Marie Domineuc, com o apoio do médico obstetra Álvaro Guimarães Filho e do então Arcebispo de São Paulo, Dom José Gaspar D’Affonseca e Silva. 

Em 1974, a Congregação das Irmãs Vicentinas de Gysegem assumiu a responsabilidade pela gestão da instituição, sob a liderança da Irmã Anita Gomes, permanecendo por mais de 30 anos, contribuindo para o crescimento e permanente estruturação das atividades voltadas à assistência social e maternidade.

Em 2007, a Associação Congregação de Santa Catarina (ACSC) assumiu a administração tanto dos serviços prestados na maternidade quanto no Centro de Acolhida. 

Em 2021, com o encerramento da parceria com a Santa Catarina, o Centro de Acolhida permaneceu sob a gestão da Associação Amparo Maternal, e a maternidade passou a ser gerida pela Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM).

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