As mulheres que dedicaram a própria vida à Igreja de Cristo

Arte: Sergio Ricciuto Conte

Na história da Igreja, muitas mulheres se dedicaram ao Reino de Deus e testemunharam o amor a Cristo com os seus exemplos de vida.

Conforme escreveu São João Paulo II na carta apostólica Mulieris dignitatem (1988), “a Igreja, com efeito, defendendo a dignidade da mulher e a sua vocação, expressou honra e gratidão por aquelas que – fiéis ao Evangelho – em todo o tempo participaram na missão apostólica de todo o povo de Deus. Trata-se de santas mártires, de virgens, de mães de família, que corajosamente deram testemunho da sua fé e, educando os próprios filhos no espírito do Evangelho, transmitiram a mesma fé e a tradição da Igreja”.

Na Oração Eucarística I, depois da consagração, o sacerdote que preside a celebração recita uma lista de 15 santos, incluindo sete mulheres: Felicidade, Perpétua, Águeda, Luzia, Inês, Cecília e Anastácia.

Entre as inúmeras santas, algumas ganharam o título de “Doutoras da Igreja Universal”, por seu notório saber teológico e por deixarem uma contribuição fundamental para a Igreja, entre elas: Hildegarda de Bingen, Teresa de Ávila, Catarina de Sena e Teresinha de Lisieux. Apresentamos a seguir quem são essas 11 mulheres acima mencionadas e a maneira como dedicaram suas vidas à Igreja.

SANTAS FELICIDADE E PERPÉTUA

Felicidade foi uma jovem escrava que viveu no século II. Depois de ficar grávida, foi perseguida pelos romanos devido a sua fé cristã e condenada à morte, juntamente com Santa Perpétua, que era uma nobre de Cartago (África), e foi jogada na mesma prisão que Felicidade por se recusar a abandonar a sua fé em Cristo. Ela relatou sua experiência em um diário. Estas duas santas morreram martirizadas em Cartago, em 7 de março do ano 203.

SANTA ÁGUEDA

Nasceu por volta de 230, em Catânia, na Sicília. Desde pequena, consagrou-se ao Senhor, prometendo se manter casta para servi-lo. De grande beleza, atraiu os olhares do governador da Sicília, que a pediu em casamento. Depois de recusar, foi denunciada. Águeda, porém, manteve-se fiel ao Senhor. A jovem foi duramente torturada, passando por inúmeros sofrimentos, até que morreu, pronunciando louvores ao Senhor, em 254.

SANTA LUZIA

Nascida em Siracusa, na Sicília, Itália, no século III, Luzia dedicou sua virgindade a Cristo quando ainda era criança, mas sua mãe não estava ciente disso e arranjou um casamento para a menina. Ela se recusou por causa de seus votos. O homem com quem ela deveria se casar, porém, a denunciou por ser cristã. Isso a levou a um horrível martírio. Conta-se que seus olhos foram arrancados antes mesmo de ela ser morta.

Dica de leitura: “Santa Luzia: O brilho de uma luz – A Protetora dos Olhos” – Padre Jerônimo Gasques, Paulus Editora.

SANTA INÊS

Era filha de pais ricos e distintos membros da sociedade romana do sé- culo IV. Ela também se dedicou a Deus e se recusou a casar-se. Aos 12 anos, foi condenada à morte por sua recusa e por ser cristã. Seu nome significa “cordeiro” e, anualmente, em sua festa, dois cordeiros são abençoados pelo Papa. A lã deles é retirada na Quinta-feira Santa e, depois, utilizada na confecção do pálio que os arcebispos metropolitanos usam sobre os ombros.

SANTA CECÍLIA

Cecília viveu no século II, era de uma família nobre e também dedicou sua virgindade a Deus. Ela foi forçada a se casar, mas um anjo da guarda ajudou a preservar a sua pureza. Cecília foi condenada à morte por sua fé cristã e é popularmente conhecida como a padroeira da música, por suas habilidades nesta arte. Diz-se, também, que ela frequentemente ouvia melodias do céu.

Dica de leitura: “Santa Cecília” – Dom Edson de Castro Homem, Editora Trindade

SANTA ANASTÁCIA

Anastácia foi convertida à fé cristã por seu professor, Crisógono, futuro santo mártir, e dedicou-se a ajudar os pobres e a converter os pagãos. Obrigada a se casar com um rico pagão da nobreza romana, logo foi impedida de qualquer atividade. Quando o marido descobriu que ela estava ajudando os pobres às escondidas, foi proibida de sair de casa. Após ficar viúva devido à morte súbita do marido, Anastácia foi libertada e retomou atos de caridade e a prática de sua fé cristã. Durante a perseguição do imperador Diocleciano, Anastácia morreu queimada viva, no dia 25 de dezembro de 304, em Esmirna.

SANTA TERESA DE ÁVILA

Teresa de Jesus nasceu em Ávila, na Espanha, e viveu entre 1515 e 1582. Recebeu o título de Doutora da Igreja em 1970, por São Paulo VI. Aos 20 anos, decidiu-se pela vida religiosa, apesar da resistência de seu pai. Ela saiu de casa para entrar no Mosteiro Carmelita da Encarnação. Lá, viveu por 27 anos, suportando e superando uma grave doença, que marcou sua vida. Por volta dos 40 anos, Teresa sentiu o chamado que ficou conhecido como “experiência mística”, o que mudou o curso de sua vida. Aos 47 anos, começou uma terceira fase, empreendendo sua tarefa de fundadora andarilha. Santa Teresa morreu no dia 4 de outubro de 1582. Sua canonização se realizou em 1622.

Dica de leitura: “Santa Teresa D’Ávila – Obras completas”, Paulinas Editora

SANTA CATARINA DE SENA

Também proclamada por São Paulo VI como Doutora da Igreja, em 1970, a religiosa dominicana Catarina de Sena nasceu na Itália e viveu entre 1347 e 1380. Catarina ficou marcada ainda por sua atuação em defesa da Igreja e do Papa, especialmente no fim da Idade Média, quando inúmeros conflitos surgiram contra o Pontífice. Viajando de cidade a cidade, Catarina interveio para o restabelecimento da paz, sendo assim uma forte defensora do papado. Santa Catarina morreu no dia 29 de abril de 1380, em Roma, com apenas 33 anos, de um súbito ataque. Foi canonizada em 29 de junho de 1461, pelo Papa Pio II.

Dica de leitura: “Cartas completas – Santa Catarina de Sena”, Paulus Editora

SANTA TERESINHA DE LISIEUX

Santa Teresinha de Lisieux, conhecida como Santa Teresinha do Menino Jesus, nasceu na França e viveu entre 1873 e 1897. Viveu somente 24 anos, mas deixou um grande legado de amor para a Igreja. Teresinha entrou para o Mosteiro das Carmelitas, em Lisieux, aos 15 anos de idade, com a autorização do Papa Leão XIII. Sua vida se passou na humildade, simplicidade e confiança plena em Deus. Santa Teresinha tinha um profundo desejo em seu coração de se tornar missionária, mas morreu de tuberculose, em 30 de setembro de 1897. Foi beatificada em 1923 e canonizada em 1925, pelo Papa Pio XI, que a declarou “Patrona Universal das Missões Católicas”, em 1927.

Dica de leitura: “História de uma alma – Santa Teresinha”, Paulus Editora

SANTA HILDEGARDA

Santa Hildegarda de Bingen, viveu no século XII. Descendente de nobre e riquíssima família alemã. Em 1115, emitiu os votos religiosos. Em 1136, após a morte da superiora, tornou-se Abadessa do mosteiro. Fundou, ainda, dois mosteiros na Alemanha: o de Bingen, em 1147; e o de Eibingen, em 1165. Morreu em 1179, no Mosteiro de Bingen. Foi canonizada, em 1584, pelo Papa Gregório XIII, e, em 7 de outubro de 2012, proclamada Doutora da Igreja pelo Papa Bento XVI. Ao longo de sua vida, desenvolveu uma abundante atividade literária. Destacou-se nas várias áreas do conhecimento: Medicina e Ciências Naturais, Teologia, Espiritualidade, História, Física, Literatura e, sobretudo, no canto e na música.

(Com informações de Aleteia, A12 e ACl Digital)

*Texto produzido sob a supervisão de Daniel Gomes

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