Assembleia Geral da CNBB: ‘Expressão de comunhão, colegialidade e sinodalidade dos bispos do Brasil’

(Reprodução da internet)

Foi aberta na manhã desta segunda-feira, 12, a 58ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos Brasil (CNBB). Prevista para acontecer em abril de 2020, o encontro que reúne o episcopado brasileiro teve que ser adiado duas vezes, devido à pandemia de COVID-19, e acontece ela primeira vez de forma on-line, por meio de videoconferência.

Ao contrário das edições anteriores, a Assembleia não terá nove, mas cinco dias de trabalhos, encerrando-se, portanto, na sexta-feira, 16. Ao todo, participam mais de 400 bispos.

O tema central é “Casas da Palavra – Animação bíblica da vida e da pastoral nas comunidades eclesiais missionárias”. Além disso, estão em pauta outros 30 assuntos.

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Aprendizado e discernimento

A Assembleia foi aberta pelo Presidente da CNBB Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG), e contou com a presença do novo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, que se encontra com o episcopado brasileiro pela primeira vez desde sua chegada ao País, em dezembro.

No discurso inaugural, Dom Walmor destacou que a Assembleia “expressão de comunhão e colegialidade, com exercícios concretos de sinodalidade” em vista da missão dada por Jesus aos bispos. “Assim, sua misericordiosa compaixão para conosco nos dispõe o coração e a mente para o propósito que nos congrega aqui pensando sempre em nossa responsabilidade primeira com a missão de nossa amada Igreja”, afirmou.

O Presidente da entidade ressaltou que diante dos tempos difíceis enfrentados, chegam à Assembleia “com os pés cansados e os joelhos enfraquecidos”.  “A pandemia tem exigido aprendizagens e qualificados discernimentos de rumos em vista de ações assertivas e novas respostas. É irrenunciável a tarefa educativa da igreja no mundo. Nossas fragilidades expostas nos pedem retorno às fontes e unção de comunhão”, acrescentou o Arcebispo.

Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidene da CNBB (foto: CNBB)

“Com humildade, temos que aceitar que somos aprendizes de muitas coisas, também do tesouro da nossa fé, a Palavra de Deus, a nossa tradição”, sublinhou Dom Walmor, invocando as luzes do Espírito Santo para os trabalhos e que traga: “benção, serenidade, discernimentos, escolhas e paixão maior pela missão, ajudando o mundo a ter um novo estilo de vida ao sabor do Evangelho de Jesus”.

“Esta sala virtual nos fará lembrar saudosos a casa da Mãe Aparecida”, disse o Presidente, recordando o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, onde costumam acontecer as assembleias. Por fim, Dom Walmor pediu a intercessão da padroeira do Brasil para todo o episcopado.

Dom Odilo: ‘Buscar o bem da Igreja’

No programa “Diálogos de Fé” deste domingo, 11, transmitido pela rádio 9 de Julho e pelas mídias digitais, o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo, explicou que o tema central da Assembleia faz referência às Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023). “Nessas diretrizes, temos os vários pilares da evangelização. Um desses é a Palavra de Deus que, por isso, deve estar presente em toda a ação e vida da Igreja”, destacou. 

O Cardeal acrescentou que existem, ainda, outros assuntos que normalmente são tratados em uma Assembleia Geral, como os relatórios que precisam ser apresentados, como os trabalhos realizados pela presidência, das comissões episcopais, além da análise da conjuntura nacional e eclesial. “É importante refletir juntos como está a situação atual. Sempre dedicamos um bom tempo a isso, pois a Igreja vive e realiza o seu trabalho em um espaço histórico, social, econômico, político, cultural, religioso”.

Dom Odilo Scherer (Arquivo/O SÃO PAULO)

Dom Odilo enfatizou que os bispos realizam a assembleia como pastores da Igreja, conscientes da missão e responsabilidade a eles confiada e, por isso, as diferenças e eventuais divergências de opinião não se sobrepõem à unidade. “Os bispos participam com muito amor e interesse, buscando o bem da Igreja no Brasil”, afirmou, recordando que cada bispo é encarregado da sua diocese ou arquidiocese em particular, mas que o conjunto da missão da vida da Igreja no Brasil se manifesta pela colegialidade dos bispos reunidos na conferência episcopal.

Expectativas

O SÃO PAULO conversou com alguns bispos do Brasil sobre as expectativas e temas que consideram importantes para serem abordados na Assembleia geral.

Ordenado há menos de um ano,  Dom Francisco Agamenilton Damanscena, Bispo de Rubiataba-Mozarlândia (GO), participará da primeira vez de uma Assembleia Geral da CNBB como bispo. Esse ressaltou a extensão da pauta e considera todos os temas importantes. No entanto, sua expectativa maior é para a pastoral durante e após a pandemia. 

“Algumas pastorais e movimentos estão com suas atividades paralisadas. Outras já começaram a se reinventar. De todo modo, há muito o que fazer. Penso que não se possa aguardar a pandemia passar. Encontramo-nos nesta situação há um ano. Tudo indica que não retomaremos a vida eclesial como era antes. Para mim a palavra é ‘recomeçar’. Por isso, a reflexão dos bispos sobre este assunto poderá muito ajudar cada bispo a tomar decisões em sua diocese”, afirmou.

Profética e missionária

Dom Nelson Francelino Ferreira, Bispo de Valença (RJ) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB, considera que a própria realização da assembleia, mesmo que forma remota, será uma oportunidade de os bispos, de certa forma, isolados pela pandemia, possam se reencontrar, ouvir uns aos outros e, principalmente, compartilharem as experiências da missão nesses tempos difíceis.

Para ele, a Assembleia será uma rica ocasião para refletir sobre o aspecto profético e missionário da Igreja nas atuais circunstâncias. “Profética, porque deveremos estar em consonância com a Palavra de Deus no juízo sobre as várias posições que são tomadas no âmbito sociopolítico, que geram vítimas, esquecem dos mais pobres e vulneráveis, dentre esses a própria juventude, em seus ideais”, manifestou o Bispo, desejando que as reflexões da assembleia sobre a pandemia forneça luzes para a atuação da Igreja.

Outros temas

Entre os temas prioritários a serem tradados a Assembleia, Dom Sergio de Deus Borges, Bispo de Foz do Iguaçu (PR), sublinhou o novo estatuto da CNBB, cujo processo de reformulação foi iniciado em 2018. Ele observou que a atualização desse documento busca atender as novas necessidades, “sobretudo, o tempo em que estamos vivendo, de uma Igreja sinodal, que se abre com vigor e entusiasmo para as novas periferias”.

Dom Sergio também chamou a atenção para a necessidade de a Conferência Episcopal refletir com profundidade e seriedade sobre as diretrizes para a aplicação correta da recente mudança feita pelo Papa Francisco no Código de Direito Canônico em relação à concessão dos ministérios do leitorato e acolitato a mulheres.  “Acredito que dentro desse contexto de aplicação concreta em nossa realidade, precisamos fazer uma reflexão mais ampla, série e profunda sobre o papel e a missão da mulher dentro da Igreja nos vários ministérios que nascem da vocação batismal”, destacou.

O Bispo paranaense também salientou o tema do Ano Vocacional a ser celebrado em 2023 e assinalou a necessidade de os bispos refletirem sobre a questão da liberdade religiosa, em pauta na atualidade. Todos precisamos tratar disso com seriedade. Vivemos tempos difíceis e precisamos primar pela vida com sentido, que passa pelo direito de praticar e viver intensamente a fé e a religião”, enfatizou Dom Sergio. 

Unidade do episcopado

Ao ser questionado sobre os assuntos de maior relevância nesta Assembleia, Dom Pedro Carlos Cipollini, Bispo de Santo André (SP), sublinhou a unidade do episcopado em todos os níveis e a sinodalidade, que será tema do próximo Sínodo dos Bispos. “Porém, estas abordagens não deveriam ser abstratas ou teóricas, mas feitas a partir da realidade, de como são vivenciadas no dia a dia das dioceses”, observou.

Acompanhe a cobertura da 58ª Assembleia Geral da CNBB pela hashtag #58AGCNBB.

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