Cardeal Scherer faz apelo pela conversão daqueles que promovem a ‘cultura da guerra’

Arcebispo de São Paulo presidiu missa pela paz na Ucrânia, na Catedral da Sé 

Cardeal Scherer faz apelo pela conversão daqueles que promovem a ‘cultura da guerra’, Jornal O São Paulo
Leigos e religiosos ucranianos, alguns dos quais refugiados da guerra, participam da missa na Catedral da Sé, no dia 24 de fevereiro
Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Membros da comunidade ucraniana residente em São Paulo foram acolhidos na Catedral da Sé na sexta-feira, 24 de fevereiro, para uma missa pela paz e em memória das vítimas da ofensiva armada russa no país do leste europeu, iniciada há um ano.

A Eucaristia foi presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo. Entre os sacerdotes concelebrantes, estava o Padre Josafat Vozivoda, Pároco da Paróquia Católica de Rito Ucraniano Imaculada Conceição, localizada na zona Leste da cidade.

A comunidade ucraniana estava representada pelo cônsul honorário da Ucrânia, Jorge Rybka, fiéis leigos e religiosos originários dessa nação, incluindo alguns refugiados da guerra. Também estiveram representantes consulares de outros países, como Polônia, Myanmar e República Tcheca. 

Cardeal Scherer faz apelo pela conversão daqueles que promovem a ‘cultura da guerra’, Jornal O São Paulo
Jorge Rybka, cônsul honorário da Ucrânia, saúda Dom Odilo pela atenção com ucranianos

“Hoje, recordamos um ano de sofrimentos, destruição, mortes… Estamos aqui para rezar pela Ucrânia e pedir a paz, pedir que haja um caminho de solução para esta guerra que se prolonga. Uma guerra, no fundo, sem sentido”, afirmou Dom Odilo, no início da missa, pedindo a Deus que toque o coração daqueles que têm o poder de decisão, “para que tomem decisões sábias, justas e respeitosas em favor da paz e para reconstruir a vida das populações duramente atingidas pela guerra”.

Durante a celebração, muitos fiéis se emocionaram ao ouvirem o salmo responsorial cantado no idioma ucraniano por Nataliya Narbut, que veio ao Brasil como refugiada da guerra e, atualmente, integra o coro da Catedral da Sé. 

Cardeal Scherer faz apelo pela conversão daqueles que promovem a ‘cultura da guerra’, Jornal O São Paulo
“Estamos aqui para rezar pela Ucrânia e pedir a paz”, afirmou o Cardeal Scherer

CONVERSÃO DOS CORAÇÕES 

Na homilia, o Cardeal Scherer partiu do contexto quaresmal para ressaltar o sentido do jejum e da oração no combate ao mal. O Arcebispo recordou o trecho dos evangelhos em que os discípulos, ao não conseguirem expulsar o demônio de uma pessoa, recorrem a Jesus, que lhes diz que certas espécies de demônios só podem ser expulsas com jejum e oração.

“Certas guerras, certos conflitos e situações, realmente, só se resolvem mediante o jejum e a oração, a conversão, o chamado à mudança de atitude, a rever por que se faz a guerra… De nossa parte, rezemos, façamos jejum na intenção da mudança dos corações, das mentes, da cultura da guerra”, completou o Arcebispo, reforçando a importância do diálogo, da diplomacia, da ajuda da comunidade internacional para que se chegue a uma solução a um conflito que “não é do agrado de Deus”.

Cardeal Scherer faz apelo pela conversão daqueles que promovem a ‘cultura da guerra’, Jornal O São Paulo

PAZ E LIBERDADE

No fim da missa, o cônsul honorário da Ucrânia agradeceu ao Cardeal Scherer e a Igreja em São Paulo e a sociedade em geral pela proximidade ao povo ucraniano. Jorge Rybka ressaltou que são 365 dias da invasão das tropas russas ao território ucraniano, porém, trata-se de um conflito que começou há, pelo menos, nove anos, quando, em 2014, a Rússia anexou a região ucraniana da Crimeia ao seu território.

Cardeal Scherer faz apelo pela conversão daqueles que promovem a ‘cultura da guerra’, Jornal O São Paulo

“Nós, ucranianos, buscamos a paz desde o primeiro dia. Mas a paz verdadeira, em que são respeitadas a liberdade, a democracia, a soberania e a integridade territorial da Ucrânia”, disse o cônsul, sublinhando que a população e as forças de segurança do país estão se defendendo de um ataque que viola seus direitos e liberdades como nação.

Jorge Rybka invocou a intervenção divina sobre as consciências daqueles que agridem seu povo para que, de fato, queiram a paz. “A paz só virá se todos quiserem e trabalharem para isso”, completou. 

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