Diante dos Jogos Olímpicos, papas ressaltam a fraternidade universal

Passados 55 anos do encontro entre São Pio X e o Barão Pierre de Coubertin, em 1905, que estreitou os laços entre a Igreja e o movimento olímpico, mais de 5,3 mil atletas, de 83 países, estiveram em Roma para a edição dos Jogos Olímpicos em 1960.

Em 24 de agosto daquele ano, na véspera da cerimônia de abertura, São João XXIII recebeu parte dos esportistas em audiência e destacou a capacidade do evento de unir os povos: “Embora pertençais a diferentes nações, estão fraternalmente associados ao mesmo hobby e ao mesmo propósito dos Jogos”.

Diante dos Jogos Olímpicos, papas ressaltam a fraternidade universal
São João XXIII recebe delegação de esportistas dos Jogos Olímpicos de Roma 1960 (foto: Vatican Media)

O Pontífice também indicou que a atividade esportiva praticada de modo honesto e com respeito ao próximo sempre deve ser considerada como “algo honroso e digno de alta recomendação, pois, graças aos exercícios físicos se cultivam, de fato, diversos dons e qualidades de grande valor, como a saúde, vigor, agilidade dos membros, graça e beleza, no que se refere ao corpo; e no que se refere à alma, constância, força e o hábito de abnegação”.

Cinco dias depois, o Pontífice recebeu os membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) e lhes agradeceu a realização dos Jogos em Roma: “Desejamos confiar-vos a missão de renovar nos jovens atletas – cuja presença na Praça de São Pedro continua a ser uma das mais belas recordações deste ano – os nossos votos de feliz sucesso nestes Jogos e de feliz desenvolvimento das atividades como homens no futuro”.

Nos anos seguintes, também os Papas Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI e Francisco dirigiram mensagens ao movimento olímpico, especialmente às vésperas de edições dos Jogos.

São Paulo VI: As múltiplas vertentes da prática esportiva

Em meio à realização da 64a assembleia geral do COI, realizada em Roma em 1966, São Paulo VI recebeu em audiência integrantes daquele comitê e ressaltou os valores comuns que proporcionam o diálogo entre a Igreja e o esporte, na medida em que este é facilitador da educação moral e social pela disseminação de bons valores; proporciona a educação física – “não se trata de uma adoração ao corpo, mas, sim, o reconhecimen- to dos valores do exercício físico, da ginástica, dos treinos de resistência, flexibilidade, vigor, com os devidos cuidados e no respeito a valores superiores à ordem física” –; e ajuda na promoção da paz – “a prática do esporte em nível internacional, que encontra sua expressão mais perfeita nos Jogos Olímpicos, tem se mostrado um fator marcante para o progresso da fraternidade entre os homens e para a difusão do ideal de paz entre as nações. Nas competições internacionais, vários países passam a se conhecer, a se valorizar, a praticar a hospitalidade e todas as atenções sugeridas pelas práticas de cortesia internacional. Eles aprendem a se confrontar nas lutas pacíficas do estádio, e não mais nas lutas fratricidas do campo de batalha”.

São João Paulo II: coorperação universal e entendimento

Em 1984 e 2000, São João Paulo II promoveu os jubileus dos esportistas, voltados a reflexões sobre a perspectiva cristã para o esporte. Além disso, em maio de 1982, o Pontífice recebeu em audiência os participantes da 85a assembleia geral do COI, durante a qual recordou que o esporte “deve ser uma escola autêntica e uma experiência contínua de lealdade, de sinceridade, de honestidade, de sacrifício, de coragem, de tenacidade, de solidariedade, de desinteresse e de respeito! Quando, nas competições esportivas, são a violência, a injustiça, a fraude, a sede de ganho, as pressões econômicas e políticas e as discriminações que levam a melhor, então o desporto se reduz à categoria de instrumento da força, do dinheiro”.

São João Paulo II também enviou mensagens aos participantes de edições olímpicas. Aos dos Jogos em Los Angeles 1984, lembrou que o megaevento deve ser uma “expressão da competição atlética amigável e da busca pela excelência humana, mas também para o futuro da comunidade humana, que por meio do esporte expressa externamente o desejo de todos por uma cooperação universal e entendimento”.

Vinte anos depois, às vésperas dos Jogos de Atenas 2004, a primeira posterior aos atentados terroristas do começo dos anos 2000, o Papa desejava que “no mundo, hoje atormentado e comovido por tantas

formas de ódio e de violência, o importante evento esportivo dos Jogos constitua uma ocasião de sereno encontro e sirva para promover a busca da paz entre os povos”.

Diante dos Jogos Olímpicos, papas ressaltam a fraternidade universal
Delegação de atletas em encontro com o Papa Francisco (foto: Vatican Media)

Bento XVI e Francisco: instrumento de paz e de reconciliação

Os Papas Bento XVI e Francisco mantiveram a tradição de saudar os atletas e organizadores às vésperas dos Jogos.

Durante a oração do Angelus, de 3 de agosto de 2008, Bento XVI dirigiu-se aos participantes da edição de Pequim: “Acompanho com profunda simpatia este grande encontro esportivo, o mais importante e esperado em nível mundial, e formulo sinceros bons votos a fim de que ele ofereça à comunidade internacional um exemplo válido de convivência entre pessoas das mais diversas proveniências, no respeito pela dignidade de todos. Possa mais uma vez o esporte ser penhor de fraternidade e de paz entre os povos!”.

No Angelus de 22 de julho de 2012, Bento XVI enviou sua saudação aos organizadores, atletas e espectadores dos Jogos de Londres: “Que este evento esportivo internacional possa dar fruto, promovendo a paz e a reconciliação em todo o mundo”.

Já a mensagem do Papa Francisco aos participantes dos Jogos Rio 2016 foi proferida durante a audiência geral de 3 de agosto daquele ano: “Diante de um mundo que está sedento de paz, tolerância e reconciliação, faço votos de que o espírito dos Jogos Olímpicos possa inspirar a todos, participantes e espectadores, a combater o bom combate e a terminar juntos a corrida (cf. 2Tm 4,7-8), almejando alcançar como prêmio não uma medalha, mas algo muito mais valioso: a realização de uma civilização em que reine a solidariedade, fundada no reconhecimento de que todos somos membros de uma única família humana, independentemente das diferenças de cultura, cor da pele ou religião”.

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