Em três meses, Paróquia na Região Belém já distribuiu mais de 24 mil marmitas


Paroquianos e Padre Valdir João Silveira (dir.) organizam cestas básicas obtidas por doações

A Paróquia Nossa Senhora das Graças, localizada na zona Leste de São Paulo, por meio de ações caritativas, tem feito a diferença na vida de muitas famílias que residem no entorno da comunidade.

Diante da crescente demanda de pessoas batendo à porta em busca de comida, a Paróquia intensificou suas ações já existentes e iniciou outras, como a distribuição diária de marmitas.

“Quando começou o segundo ciclo da pandemia, houve uma grande procura por comida na igreja, muita gente pedindo tanto cestas básicas quanto refeições prontas”, relata o Pároco, Padre Valdir João Silveira, acrescentando que há muitas pessoas em situação de vulnerabilidade na região.

Por meio de doações e a mobilização de voluntários, de abril até junho deste ano, a Paróquia já distribuiu mais de 24 mil marmitas, quase 6 mil peças de roupas, cerca de 1,5 mil cestas básicas, mais de 1,2 mil máscaras, entre outros itens.

A doação de marmitas

Em abril, a Paróquia passou a receber doações diárias de marmitas de um restaurante do Tatuapé. O proprietário, Carlos Elias Perregil, decidiu doá-las após uma conversa que teve com sua irmã, Maria Cecília Lobo. Ambos são paroquianos e, segundo o Padre Valdir, sempre contribuíram com a Igreja.

Foi Cecília quem conversou com Padre Valdir sobre as doações e intermediou todo o processo. “Temos muito carinho pela Igreja Nossa Senhora das Graças. Foi gratificante ajudar com as marmitas, porque tinha muita gente passando fome. Quando falei com meu irmão, na hora ele decidiu contribuir”, recorda.

A ação foi iniciada com a doação de 130 marmitas diárias, que logo passou para 150. Para chegar a esse número, foi feito um levantamento por voluntários que identificaram e cadastraram as famílias mais necessitadas e que vivem em comunidades próximas à Paróquia. Foram priorizadas aquelas com mais crianças e idosos.

“A preocupação da Cecília era com as famílias que tinham membros [com ocupações] informais, que não estavam podendo trabalhar ou que perderam o emprego. Pessoas que não tinham renda alguma”, acrescenta Luiz Augusto Pereira, que, ao lado da esposa, Terezinha Pereira, coordena a distribuição das refeições.

Devido à pandemia, o restaurante de Perregil estava funcionando apenas na modalidade delivery, o que facilitou que ele e os funcionários conseguissem dar conta de preparar as refeições. “Todos ajudaram. Cada um em sua função. Nas compras, montagens das marmitas, definição dos cardápios. Foi um esforço coletivo para dar certo”, afirma Perregil.

Outro empreendedor também tem contribuído com a ação. “Em frente à igreja, há um pequeno restaurante, o Bar do João, que toda quinta-feira doa dez marmitas. O dono viu a movimentação na Paróquia e decidiu se envolver e ajudar. São 40 marmitas por mês”, conta Padre Valdir.

Em maio, o Pároco conseguiu ainda, por meio da Região Episcopal Belém, inserir a Paróquia em uma ação conjunta da Prefeitura com o projeto “Animando a Esperança”, da Arquidiocese de São Paulo, para que a igreja recebesse 200 marmitas diariamente, que são retiradas no CEU Aricanduva, totalizando 350 refeições recebidas e distribuídas pela Paróquia todos os dias, sendo 360 às quintas-feiras.

A ação na prática

A distribuição das refeições é feita por 13 voluntários que se revezam para coletá- -las, transportando-as em seus carros até as comunidades onde são entregues às famílias cadastradas.

As marmitas são retiradas no restaurante do Tatuapé por volta das 11h30 e levadas aos locais para a distribuição, que ocorre até perto das 13h. Algumas ficam na Paróquia para serem entregues na porta e outras são retiradas por voluntários que levam até a casa daqueles que não conseguem vir buscá-las.

Pereira enfatiza que desde o início uma das preocupações relacionadas à logística da ação foi como seria o transporte. “Não é simplesmente coletar. Temos que acondicionar essas marmitas para que cheguem ao local de distribuição devidamente corretas, tampadas e sem desperdício”, detalha.

Ele conta que, no começo, eram utilizadas caixas de papelão e de isopor para transportá-las. Atualmente, usamse caixas de plástico próprias para o transporte, nas quais cabem de 15 a 20 marmitas. “Voluntários que têm carros menores deitam os bancos traseiros e assim conseguem acomodar as caixas de maneira correta. Com isso, as marmitas ficam bem acomodadas e chegam inteiras”, narra Pereira.

Padre Valdir pontua que, sem as doações e os voluntários paroquianos, esse trabalho seria inviável: “Agradeço muito a participação do povo que está fazendo isso diariamente, inclusive o trabalho de buscar, distribuir e organizar.

O Pároco comenta ainda que são visíveis a alegria e a satisfação dos que colaboram. “Fazem isso com entusiasmo em poder ajudar, porque eles veem a necessidade, principalmente quem faz a entrega”. É o que testemunha Pereira: “É muito gratificante. A fé e a oração são transformadas em missão e ação. Não adianta apenas rezar, temos que fazer acontecer por meio da ação. É o que estamos fazendo, graças a Deus, dando o melhor de nós e o nosso tempo a essas pessoas”.

Situação atual

Com a liberação do governo do estado para a reabertura dos estabelecimentos, o restaurante de Carlos Elias Perregil retomou suas atividades próprias, o que dificultou a rotina de distribuição de marmitas e assim, no início de junho, o restaurante interrompeu as doações de refeições, mas passou a doar cestas básicas à Paróquia.

“Foi muito gratificante poder ajudar tantas famílias na comunidade em que eu e minha família crescemos. Todos os nossos colaboradores também ficaram felizes e animados em poder contribuir nessa ação”, garante Perregil.

A ação da Paróquia, porém, não parou, uma vez que tem sido ponto de distribuição de 350 marmitas enviadas todos os dias pela Prefeitura.

Padre Valdir destaca que algumas das famílias assistidas conseguiram se organizar e por isso tem avisado a Paróquia para redirecionar as doações. “Tem sido um gesto muito bonito. Várias pessoas conseguiram emprego, nos avisaram e já conseguimos remanejar a ajuda para outras famílias”, comenta o Pároco.

Cestas básicas

Outra ação da Paróquia que foi intensificada nos últimos meses foi a distribuição de cestas básicas, oriundas de doações da comunidade e do Centro Pastoral São José do Belém. Antes da pandemia, eram distribuídas 50 unidades por mês. Atualmente são 500.

Essa ação também tem mobilizado voluntários. Éder Francisco Silva é um deles. “Mapeamos [as famílias] por meio dos paroquianos. Eu também faço visitas às comunidades e coleto dados para cadastrá-las. Mensalmente, elas recebem cestas básicas e kits de higiene com máscaras e absorventes”, explica.

Silva também faz a distribuição de marmitas, levando a quem não consegue retirá-las na Paróquia. “Ajudo nessa distribuição mais direta em uma comunidade do bairro Santo Eduardo. Distribuo 50 marmitas diárias e 30 cestas básicas no mês”, conta.

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