Expressões de carinho e gratidão no adeus ao Cardeal Cláudio Hummes

* Texto em atualização

Centenas de fiéis e dezenas de clérigos participam na manhã desta quarta-feira, 6, da última missa de corpo presente do Cardeal Cláudio Hummes, que morreu na segunda-feira, 4, aos 87 anos de idade.

Fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO

A reportagem do jornal O SÃO PAULO e da rádio 9 de Julho conversou com algumas dessas pessoas antes da missa. Leia alguns dos depoimentos a seguir:

Doutor Antônio funari – presidente da comissão justiça e paz

Por causa do apoio que deu à greve do ABC, nos anos 1979/1980, Dom Cláudio era chamado de o ‘Cardeal dos Trabalhadores’. E agora, conclui a sua vida como profeta da Amazônia. Ele conduziu o Sínodo sobre a Amazônia. Ele viveu intensamente e sempre esteve do lado certo.

Dom Wilson Angotti, Bispo de Taubaté (SP)

Fui assessor na CNBB , antes de ser bispo e pude conhecer todo o trabalho de Dom Cláudio não só na Arquidiocese, mas também em Roma,  na Congregação para o Clero, e depois de emérito também na CNBB nas reuniões em vista da proteção da Amazônia, dos povos indígenas, toda a dedicação de Dom Cláudio. Um homem que pela envergadura do que fez na Igreja, pela contribuição que deu, certamente é um homem de grande envergadura espiritual, profética e também, poderíamos dizer pastoral, apostólica. O exemplo dele deixa marcada a Igreja no Brasil, e nós somos devedores de tudo que ele fez pela Igreja, por São Paulo, pela Igreja também em âmbito mundial. Esse é o legado que Dom Cláudio nos deixa, um homem preocupado com os mais pobres, com a Igreja, que deixa um legado, uma herança que persevera  mesmo depois de sua partida. A marca que ele deu, a contribuição que ele deixou, isso fica na história. E nós somos gratos a Dom Claudio por tudo aquilo que ele fez.

Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo

Dom Cláudio era um homem muito generoso, corajoso. Convivi intensamente com ele, como vereador, deputado estadual, deputado federal, e, principalmente, como vice-prefeito e prefeito, quando pude acompanhá-lo, pudemos estabelecer parcerias, a prefeitura com a Igreja, e posso dizer que sou testemunha do quanto ele fez pela nossa cidade, pelo nosso estado, pelo nosso país, com a sua inteligência, com a sua coragem. Em nenhum momento, ele deixou de lutar, mas com muita força para que tivesse um país mais justo, para que em especial os pobres fossem tratados de maneira diferenciada, para que pudéssemos ser um pais mais igual… seu legado é seu exemplo, sua conduta e é evidente que com isso nós podemos sempre transmitir aos outros o quanto é importante , o quanto é possível nós trabalharmos por um Brasil, um país melhor, por um mundo melhor.

Diva Santos, da Comunidade Shalom, trabalhava para Dom Claudio Hummes

E fiquei lá cuidando dele, cuidando da casa, preparamos tudo quando ele voltou de Roma e ficamos lá cuidando dele, eu e mais uma pessoa da Shalom que veio me ajudar. Ele viajava, a gente tomava conta da casa, ele voltava e a gente continuava com ele. Eu fiquei com ele por três anos, porque depois eu tive um problema de saúde, tive um câncer e precisei me afastar, mas a Lucia, inclusive, essa que começou comigo, ela continuou até o falecimento dele. Ele gostava muito da Shalom, tinha um carinho muito grande pelos consagrados da Comunidade Shalom, então, acho que isso fez que a gente se sentisse muito a vontade com ele. Ele era um pai, uma pessoa assim…  não dá pra descrever, de tudo que bom que ele é, mas deixa saudades, né, deixa assim um grande carinho de tudo que a gente passou com ele… Ele foi muito marcante na minha vida.

Geraldo de Medeiros, sacristão da Catedral da Sé há 43 anos

Tive o prazer de pegar o início e o fim de Dom Claudio como Arcebispo e foi sempre uma grande alegria, com ele sempre muito simpático, principalmente quando chegava na Catedral para presidir as grandes celebrações… Um momento muito especial foi quando eu completei 40 anos de catedral e coincidiu que ele veio presidir a missa aqui nessa data e alguém comentou com ele , e ele fez questão de mandar me chamar e me cumprimentar pessoalmente diante dos padres. Isso me marcou bastante… Sim, uma atitude na qual eu não esperava, né, porque se até então eu estivesse na sacristia e alguém tivesse feito o comentário, eu via de uma maneira, mas assim foi muito mais agradável, ele pedir para que alguém me localizasse para que ele me cumprimentasse, foi uma alegria em dobro… Ele se preocupava com o povo, ou seja, as suas ovelhas, e vejo também de perto a grande preocupação dele, a grande ocupação dele no sentido da reforma da Catedral de São Paulo, que fechou oficialmente em 20 de julho de 2000 e foi reaberta em 29 de setembro de 2002.

Padre Décio Rocco Gruppi, da Diocese de Santo André, foi ordenado por Dom Claudio em 1996

Quando eu entrei no seminário em 1986, Dom Cláudio era bispo da Diocese de Santo André e ele tinha uma atuação muito grande, com relação à formação dos seminaristas, dos Padres, ele sempre dizia que era muito importante que isso tudo fosse bem acompanhado. Era um bom, um grande Pastor, foi um grande pai para todos os padres que gostavam muito dele, pela sua atuação junto aos operários e junto à classe que mais precisava. Era uma pessoa muito simples, muito humilde, e gostava de conversar com todo mundo, acolhia todo mundo, igualmente, o lema dele, “Vós sois todos irmãos” isso a gente percebia na maneira como ele vivia o pastoreio na Diocese.

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