Francisco: acredite no amor, no poder do serviço, na força da gratuidade

“A lógica do dom é muito diferente da nossa. Nós buscamos acumular e aumentar o que temos. Em vez disso, Jesus nos pede para doar, para diminuir. Nós amamos acrescentar, gostamos de adicionar. Jesus gosta de subtrair, de tirar alguma coisa para dar aos outros”, disse o Papa no Angelus.

Vatican Media

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus, nodomingo, 25, Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, da janela do apartamento pontifício, com os fiéis e peregrinos presentes na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, Francisco recordou o Evangelho da Liturgia deste domingo que narra o famoso episódio da multiplicação dos pães e peixes, com a qual Jesus alimentou cerca de cinco mil pessoas que foram ouvi-lo.

Segundo o Papa, “é interessante ver como acontece este milagre: Jesus não cria os pães e os peixes do nada, mas age a partir do que os discípulos lhe trazem. Um deles diz: “Há aqui um jovem que tem cinco pães de cevada e dois peixes; mas o que é isso para tanta gente”? “É pouco, não é nada, mas é o suficiente para Jesus”, disse o Pontífice.

Um grande ensinamento para nós

“Vamos agora tentar nos colocar no lugar daquele jovem”, disse Francisco, acrescentando:

Os discípulos lhe pedem para partilhar tudo o que ele tem para comer. Parece uma proposta insensata, aliás, injusta. Por que privar uma pessoa, principalmente um jovem, do que ele trouxe de casa e tem o direito de guardar para si? Por que tirar de uma pessoa o que não é suficiente para alimentar a todos? Humanamente, é ilógico. Mas não para Deus. Pelo contrário, graças a esse pequeno dom gratuito e, portanto, heroico, Jesus pode alimentar a todos. Este é um grande ensinamento para nós. Ele nos diz que o Senhor pode fazer muito com o pouco que colocamos à sua disposição.

A seguir, o Papa disse que seria bom perguntar-nos todos os dias: “O que eu levo para Jesus hoje?” “Ele pode fazer muito com uma oração nossa, com um gesto de caridade para com os outros, até mesmo com a nossa miséria entregue à sua misericórdia. Deus ama agir assim: Ele faz grandes coisas a partir de coisas pequenas e gratuitas”, sublinhou.

Jesus nos pede para doar, para diminuir

A seguir, Francisco recordou que todos os grandes protagonistas da Bíblia, de Abraão a Maria, e também o jovem citado no Evangelho de hoje, mostram esta lógica da pequenez e do dom.

A lógica do dom é muito diferente da nossa. Nós buscamos acumular e aumentar o que temos. Em vez disso, Jesus nos pede para doar, para diminuir. Nós amamos acrescentar, gostamos de adicionar. Jesus gosta de subtrair, de tirar alguma coisa para dar aos outros. Nós queremos multiplicar para nós. Jesus aprecia quando dividimos com os outros, quando partilhamos. É curioso que nos relatos da multiplicação dos pães presentes nos Evangelhos, o verbo “multiplicar” nunca aparece. Pelo contrário, os verbos usados são de sinal oposto: “partir”, “dar”, “distribuir”. O verdadeiro milagre, diz Jesus, não é a multiplicação que produz glória e poder, mas a divisão, a partilha, que aumenta o amor e permite que Deus realize maravilhas. Vamos compartilhar mais: experimentar este caminho que Jesus nos ensina.

Fome que afeta particularmente as crianças

Francisco recordou que “também hoje, a multiplicação de bens não resolve os problemas sem uma partilha justa”.

Vem à mente a tragédia da fome que afeta particularmente as crianças. Foi calculado que todos os dias no mundo cerca de sete mil crianças abaixo de cinco anos morrem por causa da desnutrição. Porque não têm o necessário para viver. Diante de escândalos como estes, Jesus também nos faz um convite, um convite semelhante ao que provavelmente recebeu o jovem do Evangelho, que não tem nome e no qual todos nós podemos nos ver: “Coragem, doa o pouco que tem, os seus talentos e seus bens, coloque-os à disposição de Jesus e dos irmãos. Não tenha medo, nada será perdido, porque se você partilha, Deus multiplica. Expulse a falsa modéstia de se sentir inadequado, confie. Acredite no amor, no poder do serviço, na força da gratuidade.

O Papa concluiu sua alocução, pedindo “que a Virgem Maria, que respondeu “sim” à proposta inaudita de Deus, nos ajude a abrir o coração para os convites do Senhor e para as necessidades dos outros”.

Dia Mundial dos Avós e dos Idosos

Após a oração mariana do Angelus, o Papa Francisco recordou o primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, celebrado no domingo, 25.

“Acabamos de celebrar a liturgia por ocasião do primeiro Dia Mundial dos Avós e dos Idosos”, disse o Papa, pedindo uma salva de palmas para todos os avós. “Avós e netos, jovens e idosos juntos, manifestaram um dos rostos mais bonitos da Igreja e mostraram a aliança entre as gerações”, disse o Papa, acrescentando:

Convido-os a celebrar este Dia em cada comunidade e a visitar os avós e os idosos, aqueles que estão mais sozinhos, para dar-lhes a minha mensagem inspirada na promessa de Jesus: “Estou com vocês todos os dias”. Peço ao Senhor que esta festa nos ajude, nós que temos uma idade avançada, a responder ao seu chamado nesta época da vida e mostrar à sociedade o valor da presença dos avós e dos idosos, especialmente nesta cultura do descarte.

“Mas, os avós precisam dos jovens e os jovens precisam dos avós: eles devem conversar, devem se encontrar!”, disse ainda Francisco. “Os avós têm a linfa da história que se eleva e dá força à árvore que cresce! Lembro-me, acho que citei uma vez, daquela passagem de um poeta: “Tudo o que a árvore tem de florescido vem do que está enterrado”.

Sem diálogo entre os jovens e os avós, a história não continua, a vida não vai adiante: precisamos retomar isso, pois é um desafio para a nossa cultura! Os avós têm o direito de sonhar olhando para os jovens, e os jovens têm o direito à coragem da profecia, extraindo a linfa dos avós. Por favor, façam isso: avós e jovens devem se encontrar e falar, conversar. Isso fará todos felizes.

Fortes chuvas na China

A seguir, o Papa recordou as fortes chuvas que se abateram na China:

Nos últimos dias, chuvas torrenciais atingiram a cidade de Zhengzhou na província de Henan, na China, causando enchentes devastadoras. Rezo pelas vítimas e suas famílias e expresso minha proximidade e solidariedade a todos aqueles que estão sofrendo com esta calamidade.

Jogos Olímpicos

Francisco recordou também os Jogos Olímpicos em andamento no Japão:

Na última sexta-feira, foi inaugurada, em Tóquio, a 32ª edição das Olimpíadas. Neste tempo de pandemia, que estes Jogos sejam um sinal de esperança, um sinal de fraternidade universal em nome da competição saudável. Deus abençoe os organizadores, os atletas e todos aqueles que colaboram nesta grande festa do esporte.

Por fim, desejou a todos um bom domingo e pediu aos fiéis para não se esquecerem de rezar por ele.

(Com informações de Vatican News)

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