Francisco: ‘Famílias, sejam o centro do presente para que haja futuro’

Preocupado com o decréscimo demográfico na Itália e na Europa, o Papa exortou os casais a serem generosos e abrirem-se à vida 

Vatican Media

Quando a família está bem, tudo fica bem. Assim resume o Papa Francisco quando fala desse tema. “Se as famílias não estão no centro do presente, não haverá futuro. Se a família se recupera, tudo se recupera”, afirmou na sexta-feira, 14, em audiência aos participantes de um evento sobre a natalidade na Itália.

A fala veio num contexto de debates sobre a queda dos nascimentos na Europa. A Itália vive, atualmente, uma profunda crise de natalidade: morrem mais pessoas do que nascem. E não se trata apenas de uma preocupação dos religiosos. Os governos buscam alternativas para incentivar as famílias a terem mais filhos – ao mesmo evento compareceu o primeiro-ministro Mario Draghi.

“A Europa está se tornando o velho continente, não mais por sua história, mas pela idade avançada”, alertou Francisco. Ele notou que, a cada ano, a Itália perde mais de 200 mil habitantes – e isso precede as mortes pela COVID-19. “Em 2020, chegamos ao número mais baixo de nascimentos”, disse o Papa. “É um inverno [demográfico] cada vez mais rígido.”

Ventos desse inverno

A tendência de queda da natalidade, na Europa de forma geral, vem desde os anos 1970, quando aumentou o acesso à contracepção. Em alguns países, o aborto vem sendo legalizado e ampliado desde então. Além disso, porém, há outros fatores sociais e econômicos.

Conforme reportagem publicada na revista italiana Panorama, em março de 2018, nenhum dos 28 países da União Europeia atinge hoje o chamado “nível de substituição” – que seria ter nascimentos suficientes para superar as mortes. A taxa média de fertilidade é de 2,1 filhos por mulher.

Os países com a taxa mais baixa são a Alemanha, a Itália e a Espanha. Em alguns, como a França, os imigrantes tendem a ter mais filhos do que os europeus. O impacto sobre o sistema previdenciário, que passa a ter poucos contribuintes, e a manutenção do Estado social são problemas que preocupam os governos.

Segundo a Panorama, entre as causas estão a precariedade do trabalho, a queda na renda familiar, a falta de estruturas adequadas para educação infantil, a normalização das jornadas duplas e triplas das mulheres e a ausência de flexibilidade nos horários de trabalho.

Cultura do dom

“Para que o futuro seja bom, é preciso cuidar das famílias”, afirmou o Papa, no evento Estados Gerais da Natalidade. “Os filhos são a esperança que faz renascer um povo”, disse, defendendo uma cultura que valorize mais “a coragem de doar”, pois “a cultura do futuro não pode se basear sobre o indivíduo e a mera satisfação dos seus direitos e necessidades”.

Essa cultura se promove por meio da solidariedade, acrescentou Francisco, construindo uma sociedade que permita aos jovens trabalhar, sustentar-se e, ao mesmo tempo, constituir uma família.

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