Guanellianos promovem ações para a inclusão das pessoas com deficiência

Inspirados no carisma do fundador, São Luís Guanella (1842-1915), sacerdotes, religiosos e leigos se mobilizam em iniciativas na zona Norte da cidade

Comunicação Recanto Nossa Senhora de Lourdes

Estimular a inclusão da pessoa com deficiência, promovendo sua dignidade, a igualdade e o clima de fraternidade no interior de suas famílias é a missão que a Associação Obras Sociais Santa Cruz (AOSSC), da Congregação dos Servos da Caridade (SdC), desenvolve na zona Norte de São Paulo.

O atendimento compreende em sua maioria pessoas com deficiência, com idade a partir de 7 anos, bem como suas famílias, pertencentes à população de baixa renda e em situação de vulnerabilidade.

Todas as atividades são inspiradas nos ensinamentos do fundador da Congregação, o italiano São Luís Guanella (1842-1915), que fundou os Servos da Caridade em 1908 e antes, em 1866, a Congregação das Irmãs Filhas de Santa Maria da Providência. O carisma guanelliano consiste em “revelar no mundo o amor providente e misericordioso de Deus Pai, num clima de família, promovendo de forma integral a pessoa, particularmente aquelas mais desprovidas, aplicando a pedagogia do amor”.

Compõem a AOSSC o Recanto Nossa Senhora de Lourdes (dimensão educacional), o Núcleo de Apoio à Inclusão para Pessoas com Deficiência (NAIS) São Luís Guanella (dimensão social), o Centro para Crianças e Adolescentes Santa Terezinha (CCA) e o Centro Educacional Infantil (CEI) Dom Guanella.

Recanto Nossa Senhora de Lourdes

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O Recanto está localizado na Avenida Luís Carlos de Gentile Laet, 1.736, no bairro do Horto Florestal, e foi inaugurado em 1990, pelo então Arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns. Inicialmente, eram atendidas cerca de 80 crianças e adolescentes com deficiência. Hoje, o número de assistidos se aproxima de 300, e há projetos e parcerias com a Prefeitura de São Paulo, além do apoio de voluntários e colaboradores.

Há 31 anos, a entidade tem como foco as crianças, os adolescentes, os jovens, adultos e idosos, suas famílias, a escola e a comunidade nas quais estão inseridos, no sentido de sensibilizá-los e orientá-los no que for possível, a fim de garantir a inclusão da pessoa com deficiência tanto na sociedade quanto no mercado de trabalho.

O serviço compreende a realização de oficinas, atividades interdisciplinares e pedagógicas com os assistidos e a participação de suas famílias. Entre as iniciativas, há a realização de atividades lúdicas, físicas, musicais, ensino de informática, artes visuais e expressão corporal. “Todo esse conjunto de ações permite a estimulação cognitiva e o desenvolvimento da interação social”, afirmou Milena Erica de Pina, 44, administradora do Recanto.
Milena lembrou, ainda, que a associação tem 350 colaboradores capacitados que atuam na entidade, além de voluntários para os serviços na horta e em várias ações na sede.

A dimensão do servir

Padre Odacir Lazaretti, Presidente da AOSSC, afirmou que o “principal objetivo do NAIS é prevenir a institucionalização e a segregação de pessoas com deficiência, promovendo sua inclusão social e assegurando o direito à convivência familiar e comunitária”.

O Sacerdote listou algumas das atividades que acontecem no local, como oficina de trabalhos manuais; jardinagem e horta; oficina de artes visuais; expressão corporal; estimulação cognitiva; jogos lúdicos; e confecção de jogos e brinquedos.

Sobre o CCA Santa Terezinha, o Padre enfatizou a parceria com a Rede de Proteção Social Especial de Média Complexidade, pela qual o CCA presta assistência a crianças e adolescentes, de 6 a 14 anos e 11 meses, e suas famílias em situação de vulnerabilidade social.

“Nosso objetivo é oferecer proteção social à criança e adolescente por meio do desenvolvimento de suas potencialidades, bem como estimular ações na busca da autonomia, protagonismo e cidadania, levando em conta o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários”, frisou Milena.

O diretor da associação enfatizou que a  “pedagogia do amor, um legado do fundador, São Luís Guanella, capacita os profissionais da entidade a ouvir os atendidos e impulsioná-los em direção às suas necessidades, tornando-os responsáveis e coconstrutores de sua realidade”.
Fundado em 1974, o CEI São Luís Guanella atende crianças de 1 a 3 anos e 11 meses, em período integral, das 7h às 17h, em parceria com a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS).

Acreditamos que toda pessoa humana é capaz de aperfeiçoamento, por mais limitada que seja em todas as dimensões da sua vida”, pontuou Padre Odacir Lazaretti.

Ampla solidariedade na pandemia

Padre Odacir ressaltou que, embora a pandemia tenha impactado as atividades das obras guanellianas, também foi possível verificar uma ampliação da solidariedade, por meio da distribuição de centenas de cestas básicas às famílias assistidas do NAIS e do Recanto, bem como de kits de higiene e limpeza e materiais pedagógicos.

Os assistidos também receberam as tarefas de atividades para desenvolvê-las em casa durante a quarentena. Segundo Milena, a continuidade do processo educativo, seja no formato remoto, seja no presencial, é indispensável para o aprendizado.

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Um lugar de esperança

Ronaldo Vítor da Silva, 49, tem paralisia cerebral e deficiência física, com severa limitação dos movimentos. Ele  frequenta o NAIS desde 2017 e foi aprovado no Instituto Federal de São Paulo, onde cursa o primeiro ano do ensino médio.

Ao O SÃO PAULO ele contou que estar no Recanto, no contraturno escolar, é “a coisa mais maravilhosa que aconteceu, porque aqui estão os meus momentos de paz e tranquilidade, aqui me sinto calmo e sossegado. Devo muito às pessoas que trabalham  aqui a minha evolução em termos de educação e cultura”.

Nicolas Gabriel de Brito, 31, tem deficiência intelectual, resultante de um acidente. Ele é assistido pelo NAIS há sete anos. “Gosto muito daqui, de todas as atividades e brincadeiras. Aqui eu me sinto bem, pois recebo a ajuda de que preciso”, disse.

Elízia Alves Souza, 35, é professora e mãe do assistido Geovane Oliveira Cardoso, 18. Ela está concluindo o curso de Psicopedagogia, graduação que iniciou com o intuito de ajudar o filho. Geovane é aluno na modalidade Inserção ao Mundo do Trabalho (IMT), desde 2018.


“O Recanto veio em nossas vidas como presente de Deus. Lá, o Geovane cresceu muito, aprendeu a cozinhar. O Recanto o abraçou, olhando as dificuldades dele. Durante a pandemia, a entidade nos ajudou muito com cestas básicas. Conheço várias pessoas que passaram pela entidade e falam bem dela. Tenho orgulho do trabalho realizado, e essa iniciativa deveria atingir mais crianças”, finalizou.

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