A Conferência de Aparecida indicou a condição essencial de cada cristão: ser discípulo de Jesus

Missa em ação de graças pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho aconteceu na sexta-feira, 13, no Santuário Nacional

A Conferência de Aparecida indicou a condição essencial de cada cristão: ser discípulo de Jesus
Fernando Geronazzo (Fotos: Comunicação da Arquidiocese de São Paulo)

Em ação de graças pelos 15 anos da realização da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e Caribenho, aconteceu na manhã da sexta-feira, 13, uma missa na basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Realizada entre 13 e 31 de maio de 2007, em Aparecida (SP), a V Conferência teve como tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida” e procurou encontrar respostas para ação da Igreja no continente, analisando a realidade social, econômica, política, cultural e religiosa, e pensando maneiras para o discipulado católico, muitas das quais apresentadas  nas propostas de ação pastoral contidas no Documento de Aparecida, principal fruto dessa Conferência.

A missa em ação de graças foi presidida por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Arcebispo de Belo Horizonte (MG) e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tendo entre os concelebrantes Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Arcebispo de Trujillo, no Peru, e Presidente do Conselho Episcopal Latino-Americano e Caribenho (Celam); o Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo de São Paulo e 1o Vice-presidente do Celam; Dom Joel Portella Amado, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro (RJ) e Secretário-geral da CNBB;  além de outros bispos de diferentes dioceses brasileiras.

GRATIDÃO E CONFIANÇA

Após saudar os bispos concelebrantes e os sacerdotes presentes ao Santuário Nacional, Dom Walmor, na homilia, se dirigiu à assembleia de fiéis recordando que a V Conferência aconteceu “ungida pela presença amorosa e simples dos peregrinos de Aparecida”, os quais chegam sempre ao Santuário Nacional com muitos sentimentos, entre os quais o de gratidão, pelas graças recebidas, e o de confiança de que a Mãe Aparecida intercederá junto a Deus por aquilo que pedem.

“Peço aos peregrinos e peregrinas que possamos inscrever nestes dois sentimentos, de gratidão e confiança, o acontecimento de 15 anos atrás, a inauguração neste Santuário da V Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, dando graças a Deus por essa experiência importante e bonita que inspira o caminho da nossa Igreja, nos dá um horizonte largo e um itinerário muito qualificado para vivermos a experiência importante e bonita de sermos, como o Papa Francisco nos chama, uma Igreja sinodal, e, também, de comunhão, participação e missão”, recordou o Presidente da CNBB.

Dom Walmor lembrou que diante das realidades desafiadoras do Brasil e de todo o continente latino-americano, a Igreja tem muitas respostas a dar por meio de seus discípulos. “A experiência importante e bonita da V Conferência traçou para nós aquilo que é de mais essencial: a nossa condição de discípulos e discípulas de Jesus, para sermos um povo missionário, capaz de ajudar o mundo a abrir-se ao amor de Deus enquanto caminhamos para o Reino definitivo”.

ENCONTRO PESSOAL COM CRISTO

Recordando o Evangelho do dia (Jo 14, 1-6), em que Cristo fala aos discípulos para que não tenham o coração perturbado, pois com Ele estão diante do “Caminho, da Verdade e da Vida”, Dom Walmor lembrou que a Conferência de Aparecida também destacou o valor insubstituível dessa experiência do encontro pessoal e comunitário com Cristo.

“O Senhor nos chama a uma intimidade profunda com Ele, pois sem isso, podemos até ter grandes estruturas, programas, mas não cumpriremos a nossa tarefa missionária a caminho do Reino definitivo. O Documento de Aparecida nos mostra que a missionariedade nasce justamente deste convite à intimidade que o Senhor nos faz para caminhar com Ele. Não podemos dar essa experiência por descontada, deve ser uma tarefa diuturna, cotidiana, para encharcar o nosso coração da força dessa intimidade. Há de se partir sempre dessa experiência de encontro pessoal para que a missionariedade nos coloque no coração do mundo”, enfatizou.

UM CHAMADO SEMPRE ATUAL

Ainda na homilia, o Presidente da CNBB comentou que celebrar os 15 anos da Conferência de Aparecida é também reavivar no coração a atualidade do Documento de Aparecida, suas interpelações e corajosa profecia, uma vez que este traz respostas concretas de como ser discípulo-missionário de Cristo nos tempos atuais.

“Que celebrando essa experiência bonita de festa de 15 anos, reacenda-se em nossos corações o compromisso da missão, em comunhão e participação. Somente nesta experiência importante e bonita de intimidade, é que as nossas diferenças não nos dividirão, não nos afastarão, mas se tornarão uma riqueza indispensável para ajudar o mundo a abrir-se ao amor de Deus”, destacou Dom Walmor.

SINODALIDADE

Após a comunhão, falando em nome de todo o episcopado latino-americano e caribenho, Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Presidente do Celam, enalteceu a celebração dos 15 anos da realização da Conferência de Aparecida.

O Prelado lembrou que o Documento de Aparecida tem permeado a natureza missionária e sinodal da Igreja na América Latina e no Caribe, incluindo o atual processo sinodal e as reflexões propostas a partir da 1a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, realizada em novembro de 2021, a qual “se nutriu da experiência eclesial da Conferência de Aparecida e do seu impulso missionário”.

“Hoje, nosso serviço ao santo povo de Deus e a todos os homens e mulheres de boa vontade do continente nos confirma a necessidade de reafirmar nossa identidade de discípulos-missionários, de ser uma Igreja em saída, sinodal e misericordiosa; de levar a missão permanente aos novos areópagos da nossa história e às fronteiras geográficas e existenciais, onde reconhecemos os diferentes rostos de Cristo, e de assumir, com decisão, a conversão pastoral permanente, a partir do encontro com Nosso Senhor Jesus Cristo”, finalizou.

Antes da bênção final, Dom Walmor exortou que os fiéis releiam o Documento de Aparecida, que traz indicativos de como ser bons discípulos e missionários diante dos desafios atuais.

OUTRAS ATIVIDADES

Como parte das ações comemorativas, foi inaugurado na quinta-feira, 12, no Santuário de Aparecida, o “Espaço Memória” alusivo aos 15 anos do Documento de Aparecida e da realização da V Conferência.

No mesmo dia, ocorreu um momento de oração, conduzido pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, recordando a recitação do Terço pelo Papa Bento XVI no altar central da Basílica da Padroeira do Brasil.

HISTÓRICO

A Conferência de Aparecida indicou a condição essencial de cada cristão: ser discípulo de Jesus
Papa Bento XVI preside a abertura dos trabalhos da Conferência de Aparecida, em 13 de maio de 2007 (foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

A V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribenho foi realizada em Aparecida entre 13 e 31 de maio de 2007, com o tema “Discípulos e missionários de Jesus Cristo, para que Nele nossos povos tenham vida”.

Na missa de abertura, na manhã do dia 13 daquele ano, o Papa Bento XVI enfatizou que a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração, a partir do encontro de cada pessoa com Jesus Cristo.

Na tarde do mesmo dia, o Pontífice presidiu a abertura dos trabalhos no Santuário Nacional. Na ocasião, ele lembrou aos mais de 150 bispos de dioceses de diferentes países latino-americanos e caribenhos que “a Igreja é advogada da justiça e dos pobres, principalmente por não identificar-se com políticos ou interesses de partidos”. Também enfatizou que a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristã.

O Pontífice também alertou que o secularismo, o hedonismo, a indiferença e o proselitismo de numerosas seitas e novas expressões pseudoreligiosas indicam o enfraquecimento da vida cristã no conjunto da sociedade.

Bento XVI ressaltou, ainda, o papel da família – “um patrimônio da humanidade e que constitui um dos tesouros mais importantes dos povos latino-americanos” – e lembrou que a fé e Deus são as únicas maneiras de o homem se livrar dos males da sociedade.

Dirigindo-se aos jovens, exortou-lhes a “opor-se às fáceis ilusões da felicidade imediata e dos paraísos enganosos da droga, do prazer, do álcool, junto com todas as formas de violência”.

Ao longo das reflexões da V Conferência Geral do Episcopado Latino Americano e Caribenho, os bispos expressaram o desejo de renovar as comunidades eclesiais e as estruturas pastorais para encontrar mediações de transmissão da fé em Cristo, por meio de um agir missionário de todos os católicos nas diferentes realidades do continente.

O fruto mais expressivo da conferência é o Documento de Aparecida, que delineou novas perspectivas pastorais para a Igreja no continente, e que foi publicado após a aprovação do Papa Bento XVI.

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