Local de peregrinação na zona Leste, Capela Reino do Céu completa 50 anos

Fotos: Instituto Redenção

Conhecida pelos trabalhos sociais e de evangelização, desenvolvidos desde a sua fundação, em 10 de agosto de 1972, em São Mateus, extremo Leste da capital paulista, a Capela Reino do Céu teve extensa programação de atividades no começo deste mês, na celebração do jubileu de ouro. 

Embora pertença à Paróquia Jesus Ressuscitado, sob os cuidados dos frades agostinianos, na Região Belém, desde o final de 2021, a pedido do Frei Bruno Henrique Lima, antigo Pároco, a Capela é administrada pelo Instituto Redenção, uma associação católica de missionários leigos, que desenvolve trabalhos sociais e de evangelização. 

“Somos em média 40 membros. Trazemos um carisma muito específico de levar o resgate aos cárceres atuais revelando o mistério da redenção, por meio do preciosíssimo sangue de Jesus, dentro das nossas atividades”, contou, ao O SÃO PAULO, Lorenna Pirolo, responsável pela administração da Capela.

Para celebrar os 50 anos, o Redenção realizou uma programação especial, em parceria com a Paróquia e a Subprefeitura de São Mateus. Entre os dias 3 e 5, aconteceu o tríduo, com Terço às 19h na gruta de Nossa Senhora e missa às 20h; e no sábado, 6, durante o dia, os fiéis participaram do evento festivo com barracas e venda de produtos. 

“O valor arrecadado no evento será destinado à manutenção emergencial, o que inclui a reforma dos banheiros e um projeto de acessibilidade, dado o grande número de idosos que frequentam o local”, explicou Lorenna Pirolo.

CONSTRUÇÃO E PIEDADE POPULAR 

Construída pelo então proprietário da área, Felício Saad, a Capela tinha originalmente apenas 35m². No entorno, havia poucas casas, um campo de futebol e uma lagoa, onde hoje está situado o conjunto residencial Santa Bárbara. 

Carlos Borges, que faz parte da Ordem Terceira do Carmo e frequenta a Capela desde 1973, conta que a construção se deu atendendo a um pedido de Nossa Senhora de Lourdes. Conforme a piedade popular, Maria Santíssima teria aparecido, em 11 de maio de 1972, a quatro crianças da comunidade, e naquele mesmo mês, no dia 25, há relatos da aparição de Santa Filomena, considerada a padroeira da Capela. 

Por força desses relatos, os fiéis passaram a se reunir próximo à árvore em que teriam ocorrido as aparições, para ali rezar o Terço. Conta-se, ainda, que pessoas adoecidas obtiveram a cura por meio de um chá feito a partir das folhas dessa árvore. Por ora, não há reconhecimento da Igreja sobre essas aparições e milagres. 

Carlos Borges é ainda responsável pela primeira atividade pastoral realizada na Capela: a entrega de pães aos pobres. “Distribuíamos todos os domingos à tarde, depois da missa. A cada dia, eram entregues cerca de mil pães”, recordou. 

GRUTA 

Em 1983, leigos pagaram pela construção de uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes, e ali passaram a rezar o Terço. Na gruta, há registros daqueles que acreditam ter alcançado graças após visitarem o local e se colocarem em atitude de oração. 

“As imagens que nela estão, o mármore do altar da Capela e boa parte de tudo que temos aqui são doações. A maioria das coisas veio de pessoas que passaram por aqui e conseguiram algum milagre por meio da fé, da oração e da persistência”, relata Lorenna.

Desde 1972, nunca cessou a oração do Terço no local. “Faça chuva ou sol, sempre tem um grupo rezando aqui, seja oração dominical ou vigília”, comenta a administradora da Capela.

Juraci Lima, 86, relata a intercessão da Virgem Maria para a cura de sua filha, diagnosticada com câncer há 20 anos. 

“Era câncer na garganta. Ficamos desesperadas. Fizemos [na gruta] uma novena para Nossa Senhora de Lourdes. Quando minha filha voltou ao médico, ele disse que ela não tinha mais nada”, recordou Juraci. 

COMUNIDADE DAS VOCAÇÕES 

Carlos define a Capela como “um lugar de oração e ação”, enfatizando que dela saíram, como vocacionados, “quatro padres e quatro freiras”. 

Para Lorenna, tais vocações decorrem do fato de a comunidade “ver os sinais de Deus em todos os tempos, mesmo nas dificuldades, tentando enxergar o que Ele ainda tem para a Capela e para cada pessoa”. 

Ronaldo dos Santos, consagrado com o nome de Irmão Eugênio da Cruz, foi um dos que tiveram a vocação despertada na Capela: “Sinto muito orgulho daqui e estou feliz de ver que Deus ainda tem um projeto muito grande para ela”. 

VIDA PASTORAL 

Em 1995, a Paróquia instalou na Capela a Comunidade Nossa Senhora de Lourdes, levando outras pastorais para o local. 

“Foi assim com o grupo de oração e com o de jovens. Com a comunidade, veio toda uma estrutura de grupos associada ao protagonismo da Renovação Carismática Católica, marcante neles”, comenta Lorenna. 

Na época, ocorreu uma ampliação do templo. Em 2005, a Capela foi fechada por determinação da Prefeitura. “A doação do terreno da Capela para a Paróquia não estava formalizada. Com isso, instalou-se uma disputa do espaço por parte do residencial, que fica aqui na frente, e pelo pessoal do transporte, que faz ponto final aqui do lado, e queria usar o espaço como estacionamento”, explica Lorenna, detalhando que a Prefeitura comunicou ser proprietária do terreno, e, assim, determinou o fechamento do templo, até que tudo fosse regularizado. As atividades de evangelização e entrega dos pães, porém, continuaram no espaço aberto da gruta. 

Em 2010, após ampla mobilização dos leigos do grupo de oração, a Capela foi reaberta, mas com a exigência de que além da atividade religiosa, houvesse um trabalho social. “Assim, a comunidade trouxe o projeto Colmeia, que tinha por base a pintura de panos de pratos.” 

“Hoje, a missão do Instituto Redenção é pegar o histórico de toda essa documentação para regularizá-la”, detalhou Lorenna. “Estamos em processo com a Prefeitura, pedindo a cessão de uso do espaço.” 

De portas abertas, os leigos se mobilizaram para realizar uma reforma que resultou na ampliação para 200m² de área construída, que é a metragem atual da Capela. 

Em 2018, a Paróquia encerrou as atividades da Comunidade Nossa Senhora de Lourdes no local, transferindo a administração para a Comunidade Olhar Divino, por um período de quatro anos. 

TRABALHOS SOCIAIS 

Hoje, por iniciativa do Instituto Redenção, está sendo desenvolvido, todos os sábados, o projeto Tecer e Semear, com vistas à inclusão social de mulheres em situação de vulnerabilidade no mercado de trabalho e sua autonomia financeira. 

“Temos parceria com uma empresa em que as mulheres fazem o curso teórico de costura e modelagem. A prática ocorre na oficina montada no salão da Capela”, explica Lorenna. “Elas são remuneradas pelos produtos que fabricam.” Iniciado em outubro de 2021, o projeto já capacitou 40 mulheres. 

PASTORAIS 

Além das reformas emergenciais, a Capela Reino do Céu demanda uma nova ampliação para poder acomodar seus projetos, inclusive de evangelização. Atualmente, nela são realizadas as seguintes atividades: 

  • Quinta-feira, às 15h30 – Adoração ao Santíssimo Sacramento; 
  • Sexta-feira, às 15h – Terço da Misericórdia; 
  • Sábado, das 19h30 às 21h30 – Grupo de oração; das 22h às 5h – Vigília; Domingo, às 18h – Rosário;
  • Todo dia 19, às 8h30 – Oração das Mil Ave-Marias; 
  • Toda primeira sexta-feira, às 20h – Missa do Sagrado Coração, presidida pelo Frei Ábdon de Santana, Vigário Paroquial e Diretor Espiritual do Redenção. 

DOAÇÕES PARA A NOVA REFORMA DA CAPELA 

Chave Pix: e-mail: CapelaReinoDoCeu@redencao.org 

Deixe um comentário