Migrantes, novas diretrizes da Santa Sé para uma pastoral intercultural

Publicado hoje pela Seção migrantes e refugiados do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, um documento, com prefácio do Papa, sobre os desafios e respostas pastorais para “fazer crescer a cultura do encontro” e uma Igreja cada vez mais inclusiva, diante do fenômeno migratório

Migrantes, novas diretrizes da Santa Sé para uma pastoral intercultural
Vatican Media

Um vade-mécum de propostas e respostas pastorais para “fazer crescer a cultura do encontro” e chegar a “um nós cada vez maior” e “a uma Igreja cada vez mais inclusiva”, como indicado pelo Papa Francisco em sua Mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado de 2021. Este é o documento “Diretrizes sobre a pastoral migratória intercultural” publicado na quinta-feira, 24, pela Seção migrantes e refugiados do Dicastério da Santa Sé para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, com o prefácio do Papa. Vinte e duas páginas e um anexo de “boas práticas” já ativas na Igreja, destacando as oportunidades interculturais ligadas aos fenômenos migratórios atuais.

Sete capítulos e um anexo de “boas práticas”

Em sete capítulos ágeis, são analisados os desafios que emergem do cenário atual de migração, cada vez mais global e multicultural, do “reconhecer e superar o medo” até o “considerar os migrantes uma bênção”. São, portanto, oferecidas respostas pastorais adequadas, acompanhadas de boas práticas já em vigor e eficazes. Promover o encontro, um dos desafios apresentados pelas “Diretrizes”, significa implementar a comunhão da diversidade.

A nova missão: construir pontes com a caridade

“A presença de migrantes e refugiados pertencentes a outras religiões, ou não-crentes – lê-se ainda no documento – representa uma nova oportunidade missionária para nossas comunidades cristãs, chamadas a construir pontes através do testemunho e da caridade”. O padre scalabriniano Fabio Baggio, subsecretário da Seção migrantes e refugiados, sublinha que “as novas Diretrizes nascem da experiência das Igrejas locais e a elas são devolvidas com algumas iluminações magisteriais”.

O prefácio do Papa: “Chamados à fraternidade universal”

No prefácio, Francisco reitera o chamado “ao compromisso de fraternidade universal, porque ‘estamos todos no mesmo barco'” e recorda, como escrito na Mensagem para o DiaMundial do Migrante e do Refugiado de 2021, que “no encontro com a diversidade” e “no diálogo que dele pode surgir, nos é dada a oportunidade de crescer como Igreja, de enriquecer-nos uns aos outros”.

Nacionalismos agressivos e o individualismo nos dividem

Infelizmente, prossegue o Pontífice, “em momentos de maior crise, como os causados pela pandemia e pelas guerras a que estamos assistindo, nacionalismos fechados e agressivos e individualismos radicais racham e dividem o nós, tanto no mundo como dentro da Igreja”. E o preço mais alto “é pago por aqueles que mais facilmente podem se tornar ‘os outros’: os estrangeiros, migrantes, marginalizados, aqueles que habitam as periferias existenciais”.

Uma Igreja que não faz distinção entre residentes e hóspedes

Estas Diretrizes pastorais, escreve ainda o Papa Francisco, “nos convidam a ampliar o modo como vivemos o ser Igreja” e “nos exortam a ver o drama do desarraigamento prolongado e a acolher, proteger, integrar e promover nossos irmãos e irmãs”. Elas também nos oferecem “viver um novo Pentecostes em nossos bairros e paróquias, tomando consciência da riqueza de sua espiritualidade e de suas vibrantes tradições litúrgicas”. Só assim a Igreja pode ser “autenticamente sinodal” em caminho: uma Igreja que não faz distinção “entre nativos e estrangeiros, entre residentes e hóspedes, porque nesta terra somos todos peregrinos”.

Jesus nos diz que nós o encontramos no refugiado

É Jesus, conclui o Papa, que “nos diz que toda ocasião de encontro com um refugiado ou um migrante é uma ocasião de encontro com Ele mesmo”. E em seu Espírito conseguimos “abraçar a todos para criar comunhão na diversidade, harmonizando as diferenças sem jamais impor uma uniformidade que despersonalize”. Assim, as comunidades católicas “são convidadas a crescer e reconhecer a vida nova que os migrantes trazem consigo”.

Um documento nascido de experiências locais

O documento propriamente se abre com uma citação da Evangelii Gaudium de Francisco, quando diante do desafio apresentado pelos migrantes, exorta todos os países “a uma generosa abertura, que em vez de temer a destruição da identidade local seja capaz de criar novas sínteses culturais”.

Alessandro Di Bussolo – Vatican News

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