Na Sexta-feira Santa, católicos se unem para ajudar os irmãos da Terra Santa

Nadim Asfour /CTS

Na Sexta-feira Santa, 15, como acontece todos os anos, será realizada nas igrejas católicas de todo o mundo a Coleta para os Lugares Santos, gesto de generosidade universal em favor dos cristãos da Terra Santa.

Essa coleta foi instituída de forma sistemática e permanente por São Paulo VI em 25 de março de 1974, por meio da exortação apostólica Nobis in animo. “A Igreja de Jerusalém ocupa um lugar de eleição na solicitude da Santa Sé e na preocupação de todo o mundo cristão, enquanto o interesse pelos lugares santos, e em particular pela cidade de Jerusalém, emerge mesmo nos grandes consensos das nações e nas maiores organizações internacionais. Tal atenção é hoje primordialmente pedida em razão dos graves problemas de ordem religiosa, política e social ali existentes”, afirmou o Papa. No entanto, a origem desta coleta remonta a uma tradição dos cris- tãos do primeiro século, relatada na Bíblia, quando o apóstolo São Paulo pede que seja organizada uma coleta para socorrer os irmãos da Igreja de Jerusalém (cf. 2Cor 8,1).

CUSTÓDIA

A Custódia da Terra Santa é a instituição da Igreja Católica mantida pelos Franciscanos, responsável pelo cuidado da maioria dos lugares santos na Palestina, em Israel, na Jordânia, na Síria, em Chipre, em Rodes (Grécia) e no Egito.

Por meio da Fundação Franciscana para a Terra Santa, a associação ATS Pro Terra Santa e a Fundação Terra Santa, a Custódia promove diversos projetos para favorecer e apoiar as comunidades locais. Ali trabalham cerca de 300 religiosos, em 80 santuários, que sustentam iniciativas culturais, como a Escola Bíblica e de Arqueologia do Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém. São também mantidas 25 paróquias, 18 escolas, cinco lares para enfermos e órfãos, seis lares para peregrinos, três institutos acadêmicos, duas editoras, mais de 1,1 mil postos de trabalho e 630 unidades habitacionais para famílias carentes.

Com a ajuda financeira, também é possível colaborar com a construção de moradias para os cristãos, de modo especial para os que tiveram suas casas destruídas em regiões de conflitos, como aconteceu nos últimos anos em Alepo, na Síria, com um total de 1.470 unidades habitacionais reconstruídas no ano passado. A coleta também ajuda a financiar 500 bolsas de estudos para que cristãos possam estudar no exterior e depois retornarem para auxiliar na Terra Santa. Um dos exemplos de iniciativas é a Escola Magnificat, a única no Oriente Médio em que estudam cristãos, muçulmanos e judeus.

STATUS QUO

Ao longo da história, a vida nos lugares santos foi diretamente influenciada pelos diferentes momentos políticos da região. Durante os séculos XVII e XVIII, os cristãos gregos ortodoxos e católicos mantiveram contínua disputa sobre a posse de alguns santuários. Somente em 8 de fevereiro de 1852 foi assinado um acordo com o nome de Status quo, que definiu a quem pertence a propriedade dos lugares santos.

O Status quo determina, ainda, de forma concreta, os espaços de cada igreja cristã nos santuários, os horários e os tempos das funções, os deslocamentos, os percursos, bem como o modo pelo qual devem ser realizados. Na Terra Santa, também há a presença das igrejas católicas de rito oriental, como os católicos greco-melquitas, além de cristãos luteranos e anglicanos.

TENSÃO E VIOLÊNCIA

A Semana Santa de 2022 nos lugares santos acontecerá em meio a um clima de tensão entre israelenses e palestinos, sobretudo após as mortes de dois palestinos em uma operação do exército do Estado hebreu na Cisjordânia na quinta-feira, 31 de março, e um terceiro que foi morto a facadas em um ônibus, após um atirador matar 12 pessoas e deixar numerosos feridos em um atentado em Tel Aviv, no dia 29 de março. Inicialmente, o suspeito pelos disparos foi identificado como um homem de origem árabe. No entanto, as autoridades acreditam que ele seria palestino da Cisjordânia. Em um comunicado divulgado no sábado, 2, os líderes cristãos compartilharam a preocupação com o aumento das tensões e o que consideram “atos de violência indiscriminada”, em plena época das grandes festas religiosas das três religiões abraâmicas: Ramadã, Pessach e Semana Santa – Páscoa. “Pedimos aos fiéis das três tradições que demonstrem respeito mútuo e cuidado uns com os outros, valores que estão no cerne dos ensinamentos de cada fé”, manifestaram.

ESPERANÇA PARA O FUTURO

O Custódio da Terra Santa, Frei Francisco Patton, define a Coleta para os Lugares Santos como “uma esperança para o futuro dos cristãos orientais”. “Numa situação inédita como a dos últimos dois anos, nós, Francis- canos da Custódia da Terra Santa, tentamos continuar nossa missão: em santuários sem peregrinos, intensificamos a oração, dando voz ao clamor de toda a humanidade”, afirmou o Frade, na mensagem enviada a toda a Igreja por ocasião da Sexta-feira Santa, enfatizando o esforço em continuar a celebrar e a estar ao lado dos fiéis locais, trabalhadores, migrantes e refugiados. “Nos centros de estudos, recebemos e formamos jovens frades, mas também sacerdotes, religiosos e religiosas, leigos de todo o mundo… Com dificuldade, tentamos apoiar materialmente as comunidades mais fracas: as comunidades de Belém e de Jerusalém, sem mais peregrinos e sem trabalho; as comunidades do Líbano, devastadas por uma crise econômica e política cada vez mais gangrenada; os da Síria, prisioneiros de uma guerra que parece não ter fim”, acrescentou o Custódio.

Por essa razão, Frei Francisco Patton renovou o apelo: “Também este ano, na Sexta-feira Santa, lembrai-vos de nós, vossos irmãos e irmãs que vivem na Terra Santa. Ajudai-nos segundo a generosidade do vosso coração, lembrando-vos das palavras do Senhor Jesus: ‘Há mais alegria em dar do que em receber’”.

A Custódia da Terra Santa também disponibiliza um site para o envio direto de doações financeiras.

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