Noviça recebe o hábito concepcionista no Mosteiro da Luz

Luciney Martins/O SÃO PAULO

A comunidade do Mosteiro da Luz, no centro de São Paulo, esteve em festa no domingo, 21. Durante a missa da Solenidade da Assunção de Nossa Senhora, presidida pelo Cardeal Odilo Pedro Scherer, a aspirante Maria José Santos recebeu o primeiro hábito da Ordem da Imaculada Conceição, das monjas concepcionistas. 

Aos 49 anos, Maria José deu um novo passo na sua caminhada vocacional. Consagrada desde os 19 anos, passou por outras congregações religiosas até que, na maturidade, descobriu que Deus, na verdade, chamava-a para a vida contemplativa. Foi quando ela decidiu novamente deixar tudo e ingressar no Mosteiro da Luz, há dois anos. 

“Por que alguém decide deixar tudo para viver em um mosteiro?”, indagou Dom Odilo, na homilia. “Para ser um sinal de que há algo que vale mais a pena que todas as outras coisas no mundo, inclusive as boas. Sinal do Reino de Deus”, completou. 

NOVA VIDA 

Durante o rito, o Arcebispo Metropolitano entregou o hábito à candidata, enquanto proferiu uma oração que destaca que o hábito será o sinal de sua doação a Deus. “Sua alvura representa a pureza da Imaculada Virgem Maria, que deverás cultivar no teu corpo e na tua alma”, completa. 

Seguindo antiga tradição da vida consagrada, ao ingressar no mosteiro, Maria José recebeu um novo nome religioso: Irmã Joana Angélica do Coração de Jesus. 

Para explicar a decisão radical de ingressar na vida monástica, a agora Irmã Joana Angélica recordou a cena em que Jesus é acolhido pelas irmãs de Lázaro, Marta e Maria, e, diante do questionamento de Marta sobre o fato de sua irmã não a ajudar nos afazeres da casa para ouvi-lo, o Senhor responde que Maria “escolheu a melhor parte e esta não lhe será tirada”. 

“Como Maria, eu escolhi a melhor parte, aquela parte que não me será tirada. Estou muito feliz de seguir o exemplo de Santa Beatriz, que recomendou que buscássemos imitar a Virgem Maria, consagrando nossa vida inteiramente a Deus”, disse a noviça. 

CONCEPCIONISTAS 

A Ordem da Imaculada Conceição surgiu em 1484, em Toledo, na Espanha, quando Santa Beatriz da Silva, com 12 companheiras, deu início à nova família religiosa com uma intenção bem definida: contemplar e difundir o privilégio da Imaculada Conceição de Maria, devoção que, embora ainda não houvesse sido confirmada como dogma de fé, o que ocorreu apenas em 1854, já era bastante difundida, sobretudo pelos franciscanos. 

A Ordem é caracterizada por três heranças espirituais de Santa Beatriz: “O amor a Maria Imaculada, à Paixão de Jesus Cristo e à Santíssima Eucaristia”. 

Conforme afirmam suas constituições, a Ordem da Imaculada Conceição é integralmente contemplativa. “A contemplação é o apostolado da concepcionista, no qual ressoam harmoniosamente hinos, salmos, cânticos, leituras e responsórios, bênçãos e súplicas em favor das almas e de toda a Igreja. Na leitura orante da Bíblia, na solidão, no silêncio, na simplicidade do trabalho de cada dia e na penitência ardorosa”, explicou Irmã Maria Aparecida de São José, Madre Vigária do Mosteiro. 

Atualmente, existem 16 mosteiros concepcionistas no Brasil. A comunidade do Mosteiro da Luz conta com 12 monjas. 

FORMAÇÃO 

O processo formativo de uma monja concepcionista se inicia com o aspirantado, quando a candidata, após prévio acompanhamento vocacional, decide fazer uma experiência no mosteiro. Esse período dura pelo menos três meses. Em seguida, vem o período do noviciado, que dura dois anos, quando a jovem recebe o hábito e vive mais intensamente a vida monástica, estudando as regras e se aprofundando na espiritualidade da Ordem. 

Após o noviciado, a candidata inicia o juniorato, quando professa os primeiros votos temporários, renovados em média por três anos, até a profissão solene, quando a jovem emite os votos perpétuos de castidade, pobreza, obediência e de clausura. 

MOSTEIRO DA LUZ 

Fundado em 2 de fevereiro de 1774, por Santo Antônio de Sant’Anna Galvão, o Mosteiro da Luz nasceu inicialmente como um recolhimento de senhoras que viviam de maneira comunitária, dedicando-se à oração, sem, no entanto, professarem os votos religiosos, uma vez que, na época, o Marquês de Pombal não permitia a fundação de casas religiosas. Esse recolhimento se tornou um mosteiro apenas em 1929, incorporado à Ordem da Imaculada Conceição. 

As monjas do Mosteiro da Luz são as responsáveis pela confecção das famosas “pílulas de Frei Galvão”. Certo dia, o Santo franciscano foi procurado por um senhor aflito, porque sua mulher estava em trabalho de parto e em perigo de morte. O Frade escreveu em três papeizinhos o versículo do Ofício da Santíssima Virgem – Pos partum Virgo, Inviolata permansisti: Dei Genitrix intercede pro nobis (Depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus, intercedei por nós) – e entregou ao homem. Após a esposa dele ingerir as pílulas, o parto ocorreu normalmente. Caso idêntico aconteceu com um jovem que sentia fortes dores provocadas por cálculos na vesícula. Daí nasceu a devoção em torno das pílulas. 

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