Pai: uma exigente e feliz missão

Arquivo pessoal

Eles não se conhecem, mas têm uma vocação em comum: ser pai. Para Edem Domingues dos Santos Junior, 51, administrador de empresas, seus quatro filhos, já jovens, “são a multiplicação do amor”. Este mesmo sentimento vem à mente do advogado Luiz Henrique Ivanov Dourador, 33, ao falar da pequena Aurora, de 3 meses de idade, “um amor que eu nunca experimentei igual”. E para o jardineiro Marcos Antonio Pereira, 53, pai do José, de apenas 6 meses de vida, o filho “é um presente de Deus”. 

Ao O SÃO PAULO, os três abriram os corações e as histórias da rotina paterna. 

TRANSMISSÃO DA FÉ E DO AMOR PELA MÚSICA 

A felicidade de Edem, pai da Beatriz, 28, da Carolina, 25, do Gabriel, 23, e da Fernanda, 21, está nas coisas simples do cotidiano em família: “Ver a mesa de jantar cheia, ver televisão junto, ter a chance de ajudar no estudo, saber orientar perante as bifurcações da vida – ‘pai, será que vou por aqui ou por ali?’… Essas coisas no dia a dia me enchem de alegria”, comentou o esposo da Débora e, também, avô da Stella, de 5 meses. 

O casal sempre colocou os filhos como prioridade na dinâmica da família: “Eu, como pai, sempre acordei cedo para ajudar a trocar a roupa deles, dar o café da manhã e levá-los para a escola. Quando cada uma das crianças nasceu, minha mulher lhes dava de mamar, mas quem colocava para dormir de novo era eu. Banho nas crianças, apenas eu quem dava, quando chegava do trabalho”. 

A paixão de Edem pelo rock nacional e pelos Beatles “contagiou” os filhos. Hoje, na banda por ele formada há 32 anos também estão a esposa (tecladista) e a filha Beatriz (guitarrista). Além disso, o filho Gabriel participa do ministério de música da Paróquia Santo Antônio, no bairro do Limão, onde o pai iniciou a banda. 

O maior legado deste pai para os filhos, porém, é a fé católica, algo que Edem cultivou no lar desde que eram crianças, com momentos de Catequese e oração, e a participação na Igreja: “Eu lembro que, para irmos na missa do domingo às 10h, eu precisava acordar às 7h30, 8h, pra arrumar a mamadeira, a roupa, as fraldas, mas nunca deixamos de ir”. 

E Edem fez tudo isso sem ter o pai por perto: “Meu pai morreu quando eu tinha 3 anos de idade e eu sempre idealizei – ‘se eu tivesse um pai, gostaria que ele fosse assim’. Então, sempre procurei fazer o que eu gostaria que meu pai tivesse feito comigo”. 

NOVA VIDA, NOVA ROTINA 

“Ser pai envolve muito amor e é algo também desafiador, perante a missão de educar e passar bons valores.” É assim que Luiz Henrique resume a paternidade, desde que a esposa, Lea, soube que estava grávida da Aurora, que veio ao mundo há três meses. 

“Desde que ela nasceu, a nossa rotina virou de cabeça para o ar, incluindo a disponibilidade, horários, por causa de toda a exigência para criar uma criança. O nosso relacionamento mudou, a mentalidade também, aumentou o senso de responsabilidade.” 

Mas que não se confunda responsabilidade com “peso”, pois, como bem destaca Luiz, “na paternidade você tem que se permitir confiar que haverá algo extraordinário a ser vivido”, um misto de alegria e saudade diária: “Nos primeiros dias, a sensação de sair de casa foi bem estranha, era como se um pedaço de mim ficasse para trás. Várias vezes ao dia, já me peguei pensando ‘como será que está em casa? Será que está tudo bem com ela?’ Mas é uma preocupação não em sentido ruim, mas, sim, de vontade de poder estar mais presente dentro de casa”. 

Catequista de adultos na Paróquia Cristo Rei, no Tatuapé, Luiz assegura que ele e a esposa transmitirão a fé católica à filha. “Vamos educá-la na fé já dentro de casa, fazendo o papel próprio dos pais, de primeiros catequistas.” 

A PLENITUDE DA FELICIDADE 

“Quando nos perguntam: ‘vocês têm filhos?’. Nós respondemos: ‘temos um aqui e dois no céu’.” Marcos Antonio Pereira e Renata, leigos consagrados perpétuos da Comunidade Católica Shalom, casaram-se há quatro anos com uma convicção: “Deus tinha um plano para a nossa vida que incluía uma criança!”. 

Renata, no entanto, perdeu os bebês nas duas primeiras vezes em que ficou grávida, e, quando o casal já pensava na possibilidade de adotar uma criança, “obtivemos a graça do nascimento do José”, diz o pai sobre o filho, hoje com 6 meses de idade. 

O nascimento de José trouxe mudanças à vida do casal, com acréscimo de tarefas que Marcos assegura serem feitas por amor, não por obrigação. “Faço tudo por ele com alegria, porque é bom amar, cuidar deste pedacinho de mim. Hoje, ele é a razão para muitas coisas da nossa vida. Um filho é uma dádiva, e Deus nos permite ser coautores desta vida e zelar por ela”, comenta. 

Marcos recorda que seu pai sempre se preocupou com o sustento da casa, mas que cabia à mãe cuidar dos filhos. “Talvez ser pai assim tenha sido bom naquele tempo, mas hoje não, pois as mulheres trabalham fora de casa e o homem precisa estar mais presente. Para mim, é normal trocar as fraldas do bebê, dar a mamadeira e agora, que ele começou a comer, também as papinhas. Isso de modo algum me faz menos homem do que os outros. Estou, sim, participando ativamente do desenvolvimento do meu filho”, enfatiza. 

“É uma responsabilidade imensa e um privilégio ser pai. Muitos abrem mão disso. Estes homens até podem ser felizes não tendo filhos, mas não terão a plenitude da felicidade”, assegura. 

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