Papa: ‘Que Maria nos ajude a dizer, como ela, um sim pleno a Deus’

Papa: ‘Que Maria nos ajude a dizer, como ela, um sim pleno a Deus’, Jornal O São Paulo
Reprodução de Vatican Media

Deixar” e “seguir”: dois verbos-chave da passagem de Mateus proposta pela liturgia do dia e trazidos pelo Papa na alocução antes da oração do Angelus deste domingo, 22. O convite, portanto, a renunciar àquilo que impede de melhor seguir Jesus.

As palavras iniciais de Francisco direciona os presentes na Praça São Pedro ao cenário do mar da Galileia, escolhido por Jesus para fazer o chamado aos primeiros discípulos. De fato – explicou o Papa – alguns deles já o conheciam graças a João Batista, “e Deus havia colocado neles a semente da fé, mas agora Ele volta a procurá-los onde vivem e trabalham, fazendo a eles um chamado direto: “Sigam-me!” E eles “imediatamente deixaram as redes e o seguiram”.

“Deixar” para “seguir”

Em outras palavras, “é o momento do encontro decisivo com Jesus, aquele que eles recordarão por toda a vida e que entra no Evangelho. Desde então seguem Jesus e, para segui-lo, deixam”:

Deixar para seguir. É sempre assim com Jesus. Com Jesus, é sempre assim. Pode-se começar a sentir o seu encanto de alguma forma, quem sabe graças ao outros. Depois o conhecimento pode se tornar mais pessoal e acender uma luz no coração. Torna-se algo bonito a ser compartilhado: “Sabe, aquela passagem do Evangelho me tocou, aquela experiência de serviço me tocou”, algo que te toca o coração. Assim teriam feito também os primeiros discípulos Mas cedo ou tarde chega o momento em que é preciso deixar para segui-lo. E aí se deve decidir: deixo algumas certezas e parto para uma nova aventura, ou fico como sou? É um momento decisivo para cada cristão, porque aqui está em jogo o sentido de todo o resto (…). Se não se tem coragem de colocar-se a caminho, corre-se o risco de ficar espectadores da própria existência e de viver a fé pela metade.

O que devemos deixar?

 

Assim, observa o Papa, “estar com Jesus exige a coragem de deixar, de colocar-se a caminho”. Mas, pergunta, “o que devemos deixar”?

Mas certamente nossos vícios e nossos pecados, que são como âncoras que nos prendem à margem e nos impedem de zarpar. Para começar a ‘deixar’ é justo que comecemos a pedir perdão: perdão pelas coisas que não foram boas; mas eu deixo essas coisas e sigo em frente. Mas é preciso deixar também aquilo que nos impede de viver em plenitude, por exemplo deixar os medos, deixar os cálculos egoístas, deixar as garantias para permanecer seguros, sem expectativas. E é preciso também renunciar ao tempo que se perde com tantas coisas inúteis. Como é belo deixar tudo isto para viver, por exemplo, o risco cansativo mas compensador do serviço, ou para dedicar tempo à oração, para crescer na amizade com o Senhor.

Para realizar a vida é preciso aceitar o desafio de deixar

 

Nesse contexto, Francisco pensa também em uma jovem família, “que deixa a vida tranquila para se abrir à imprevisível e bela aventura da maternidade e da paternidade. Deixa-se algo para viver esta bela aventura. É um sacrifício, mas basta um olhar para as crianças para entender que foi correto deixar certos ritmos de comodidade, certos confortos, para ter esta alegria. Um passo a mais”.

Mas também pensa em certas profissões:

Por exemplo em um médico ou um profissional de saúde que renunciou a tanto tempo livre para estudar e preparar-se, e que agora fazem o bem dedicando muitas horas do dia e da noite, muitas energias físicas e mentais aos doentes. Penso nos trabalhadores que deixam as comodidades, que deixam o doce ócio para levar o pão para casa. Em suma, para realizar a vida é preciso aceitar o desafio de deixar. É a isso que Jesus convida cada um de nós.

Não ter medo das coisas que tenho que “deixar” para seguir Jesus

 

O Papa, então, propõe algumas peguntas:

Antes de tudo: eu me lembro de algum “momento forte” em que já encontrei Jesus? Cada um de nós pense em sua própria história: em minha vida (há) houve algum momento forte, onde encontrei Jesus? E algo belo e significativo que aconteceu na minha vida por ter deixado outras coisas menos importantes? E hoje, há algo que Jesus me peça para renunciar? Quais são as coisas materiais, os modos de pensar, os hábitos que preciso deixar para realmente dizer “sim” a ele?

“Que Maria – disse o Papa ao concluir – nos ajude a dizer, como ela, um sim pleno a Deus, a saber deixar algo para segui-lo melhor. Não tenham medo de “deixar” se for para seguir a Jesus, sempre estaremos melhores ainda.”

Papa: ‘Que Maria nos ajude a dizer, como ela, um sim pleno a Deus’, Jornal O São Paulo
Foto: Vatican Media

Domingo da Palavra de Deus

Mais cedo, o Pontífice presidiu, na Basílica de São Pedro, a missa do 3º Domingo do Tempo Comum, quando se comemora o Domingo da Palavra de Deus.

Na homilia, Francisco ressaltou que todos, mesmo os Pastores da Igreja, estão sob a autoridade da Palavra de Deus. “Deus aproximou-Se de ti, por isso dá-te conta da sua presença, dá espaço à sua Palavra e mudarás a perspetiva da tua vida. Por outras palavras: coloca a tua vida sob a Palavra de Deus. Este é o caminho que nos apontou a Igreja: todos, mesmo os Pastores da Igreja, estamos sob a autoridade da Palavra de Deus; não sob os nossos gostos, as nossas tendências e preferências, mas unicamente sob a Palavra de Deus que nos molda, converte e pede para permanecermos unidos na única Igreja de Cristo”, afirmou o Papa

Fonte: Vatican News

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