Primeira noite de ação emergencial contra o frio tem avaliação positiva

Prefeitura e governo paulista montaram tendas de apoio à população em situação de rua e abrigos temporários no Metrô e em espaços mantidos pela igreja

João Doria, Padre Julio Lancellotti e Ricardo Nunes na Casa de Oração do Povo da Rua (fotos: Luciney Martins/O SÃO PAULO)

Na semana em que a meteorologia anuncia que São Paulo terá as temperaturas mais baixas do ano, o poder público, a sociedade civil e a Igreja uniram-se para dar suporte a população em situação de rua.

Desde a noite da quarta-feira, 28, até a madrugada de sábado para domingo, dias 31 de julho e 1o de agosto, a Prefeitura manterá cinco tendas para a distribuição de cobertores, agasalhos, comida e bebidas quentes à população de rua na Praça da Sé, Praça Princesa Isabel (Luz), Largo da Concórdia (Brás), Praça Salim Farah Maluf (Santo Amaro) e Praça Miguel Dell’Erba (Lapa).

Além disso, a  Prefeitura e o Governo do Estado instalaram ou tem dado suporte a abrigos temporários para acolher esta população no pernoite, em locais como a estação Dom Pedro II do Metrô, com capacidade para acolher 400 pessoas, e outros ambientes, alguns destes mantidos pela Igreja Católica na cidade.

“São parceiras nesta iniciativa de acolhida a Casa de Oração do Povo da Rua, a Paróquia São Miguel Arcanjo, o Núcleo São Martinho, que é próximo desta igreja passa a atender a partir de hoje [quinta-feira] 40 pessoas, e o Sefras [Serviço Franciscano de Solidariedade], que está atendendo no ‘Chá do Padre’ [na região da Praça da Sé] e vai passar a atender no núcleo do Cambuci também”, detalhou, em entrevista ao O SÃO PAULO, Berenice Gianella, secretária municipal de Assistência Social.

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Ainda de acordo com a secretária, desde a quarta-feira foram abertas 187 vagas em hotéis para famílias e a SPTrans tem feito o transporte das pessoas que aceitam ir para os abrigos, as quais, caso desejem, são levadas no dia seguinte ao local onde costumam viver na ruas.

“Toda pessoa que chega a estes abrigos é atendida. Não é pedido a ela qualquer tipo de documento, apenas que dê seu nome e idade. Caso não tenha vaga, a orientação é que quem cuida do local telefone para nossa central de vagas e a Prefeitura se encarrega de levar essa pessoa para um lugar onde tenha”, detalhou à reportagem, assegurando que na primeira noite não houve registros de mortes ou hospitalizações em decorrência do frio.

Unidos pela solidariedade

Casa de Oração do Povo da Rua preparada para acolher 60 pessoas para o pernoite

Na Casa de Oração do Povo da Rua, no bairro da luz, cerca de 30 pessoas pernoitaram de quarta para quinta-feira, em uma das 60 vagas que foram montadas no salão onde está a capela deste espaço criado e mantido pela Arquidiocese de São Paulo desde os anos 1990.

Na manhã da quinta-feira, quando as pessoas em situação de rua já haviam deixado o local (a permanência para quem pernoita é até às 8h), o governador João Doria, o prefeito Ricardo Nunes, acompanhados das respectivas primeiras-damas, de integrantes do secretariado e de outros políticos com cargos legislativos, participaram de um ato pelo qual a Prefeitura e o governo paulista, com a ajuda de empresários, doaram 8 mil cobertores, mil sacos térmicos de dormir e 4 mil agasalhos novos, que serão repassados a 15 grupos e entidades que atuam no auxílio da população em situação de rua em toda a cidade.

“Nada melhor do que homenagear as pessoas em situação de rua dando a elas o que precisam: amor, alimento, compaixão e acolhida”, declarou Doria. O governador disse ainda que a ajuda da iniciativa privada foi indispensável para o bom êxito desta ação emergencial.

“Para termos produtos de qualidade, foi preciso pedir doações do setor privado, pois a área pública para comprar estes itens tem de ser pelo menor preço, o que significa a pior opção e não a melhor que as pessoas precisam neste momento”, ressaltou o governador.

Ricardo Nunes assegurou que na última noite não faltou abrigo ou algum tipo de suporte para os que precisaram se proteger do frio e declarou estar feliz em ver a união de esforços para proporcionar dignidade às pessoas em situação de rua.

Padre Julio Lancellotti, Vigário Episcopal para a Pastoral do Povo da Rua da Arquidiocese, comentou que a ação emergencial é uma boa sinalização para a ampliar as políticas púbicas em favor da população de rua na cidade. “Que tudo isso signifique uma luta para que haja moradia, respostas efetivas para uma população que mudou muito de perfil e que precisa ter inovação de respostas”.

O Sacerdote disse, ainda, que pelo ineditismo da iniciativa a adesão das pessoas à ida aos abrigos não foi ampla, mas que isso deve aumentar nas próximas noites, conforme perceberem que serão bem tratadas nos locais. “Muitas vezes o morador de rua nem consegue entrar no Metrô, então podem ter achado estranho o convite para ir dormir na estação”.

Padre Julio fez um apelo à ampla sensibilização da sociedade. “Cada um pode levar um gorro no bolso, uma garrafinha térmica com uma bebida quente, um par de meias. Quem está sozinho na rua é candidato potencial à hiportemia. Ligue no 156, avise a Prefeitura, ajude a aquecer esta pessoa. Essa responsabilidade é de todos. Os irmãos que estão na rua não só cidadãos de um estado, de um município, são nossos irmãos e ninguém deve deixá-los assim na rua”.

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