‘Que Sant’Ana e São Joaquim intercedam por todos os avós e idosos’

Afirmou o Cardeal Scherer, ao celebrar a festa da padroeira da Basílica de Sant’Ana

Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

O Cardeal Odilo Pedro Scherer, Arcebispo Metropolitano de São Paulo, presidiu na terça-feira, 26, a missa da festa litúrgica de Sant’Ana e São Joaquim, na Basílica Menor de Sant’Ana, na zona Norte da capital. A Eucaristia foi concelebrada pelo Reitor da Basílica, Padre José Roberto Abreu de Mattos e diversos sacerdotes.

Na homilia, Dom Odilo recordou que desde 2021, por ocasião dessa festa em honra dos pais de Nossa Senhora e avós de Jesus, a Igreja comemora no 4º domingo de julho o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, por iniciativa do Papa Francisco.

O Cardeal ressaltou que, ao instituir essa comemoração, o Pontífice chama atenção para os idosos inseridos no contexto familiar, a partir da sua relação com as diferentes gerações. “Os avós são importantes para a comunhão da comunidade humana e da Igreja, para nos recordar constantemente aquilo que são os valores fundamentais da nossa existência pelos quais nos orientamos”, afirmou.

O Arcebispo convidou os fiéis a se lembrarem do papel de seus avós na educação e transmissão da fé e indagou: “Os avós de hoje continuam a contar para seus netos as histórias bonitas sobre a fé, sobre Jesus e os santos?”.

Referindo-se, ainda, aos santos Joaquim e Ana, o Cardeal sublinhou que esses foram aqueles que geraram e educaram a Virgem Maria no temor de Deus, ensinaram-na a conhecer e guardar os mandamentos, que, portanto, prepararam o seu coração para acolher o chamado de Deus para gerar e dar à luz o Filho de Deus salvador. Nesse sentido, o Arcebispo reforçou o papel dos pais e avós no cultivo da vocação dos seus filhos e netos.

“Que Sant’Ana e São Joaquim intercedam por todos os nossos idosos”, concluiu o Arcebispo.

Festa

Ao longo do dia, milhares de fiéis passaram pela Basílica de Sant’Ana, para participarem de uma das seis missas celebradas em honra da padroeira e da tradicional quermesse no pátio da Igreja.

A festividade também contou com a “Blitz da Rádio 9 de Julho”, com a presença da equipe da emissora da Arquidiocese de São Paulo, para a divulgação da campanha Família dos Amigos, com flashes da festa na programação e a transmissão do programa “Em Família”, com Cidinha Fernandes, e da missa presidida pelo Cardeal Scherer. 

Antiga tradição

Sobre os avós de Jesus, não há relatos nos Evangelhos canônicos. Algumas das informações a respeito são encontradas no “Protoevangelho de Tiago”, um evangelho apócrifo do século II.

O texto fala dos momentos da vida de Nossa Senhora, o matrimônio dos pais Joaquim e Ana, a concepção da filha após 20 anos de casados, seu nascimento e a apresentação ao Templo de Jerusalém. Os acontecimentos narrados estão inseridos no contexto histórico de Jerusalém.

O culto aos avós de Jesus desenvolveu-se, primeiro, no Oriente e, depois, no Ocidente; mas, ao longo dos séculos, foram recordados pela Igreja em datas diferentes. Em 1481, o Papa Sisto IV introduziu a festa de Sant’Ana no Breviário romano, fixando a data da sua memória litúrgica em 26 de julho, dia da sua morte, segundo a tradição; em 1584, o Papa Gregório XIII incluiu a celebração litúrgica de Sant’Ana no Missal Romano, estendendo-a a toda a Igreja; em 1510, o Papa Júlio II inseriu, no calendário litúrgico, a memória de São Joaquim em 20 de março; depois, foi mudado várias vezes, nos séculos seguintes. Com a reforma litúrgica, após o Concílio Vaticano II, em 1969, os pais de Maria foram “reunidos” em uma única celebração, em 26 de julho.

Foto: Luciney Martins/O SÃO PAULO

Basílica

A origem da Paróquia de Sant’Ana se confunde com a origem da cidade de São Paulo no século XVI, quando uma grande porção de terra do outro lado da margem do Rio Tietê foi confiada aos missionários da Companhia de Jesus (Jesuítas), ao norte da Vila de São Paulo de Piratininga.

Anexa à sede da fazenda, havia uma igreja dedicada a Sant’Ana. Ali, os colonos se reuniam para rezar e, assim, foi se difundindo a devoção à mãe da Virgem Maria. Em cartas enviadas aos portugueses em 1560, São José de Anchieta, fundador da cidade de São Paulo, chega a mencionar a fazenda.

Em 12 de julho de 1895, Dom Joaquim Arcoverde de Albuquerque Cavalcanti, então bispo diocesano de São Paulo, erigiu a Paróquia de Sant’Ana.

Construída entre 1896 e 1936, a matriz paroquial de Sant’Ana é um dos símbolos do bairro que, em 2022, completa 240 anos.

No dia 5 de maio de 2020, a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos atendeu ao pedido do Cardeal Scherer para conceder à Igreja de Sant’Ana o título de basílica menor. O ato que oficializou a elevação do templo à nova dignidade aconteceu no dia 26 de julho do mesmo ano.

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