São José: Homem justo e fiel à vontade de Deus

Mosaico da Sagrada Família, de autoria de Marko Ivan Rupnik, na Capela da Sagrada Família, em Branik, na Eslovênia

A principal fonte de informações sobre a vida de São José são os Evangelhos. Há, ainda, alguns elementos da tradição oral da comunidade cristã nascente que ajudam a conhecer melhor esse homem que foi escolhido por Deus para ser o pai adotivo de Jesus.

O que se sabe é que José era um carpinteiro que morava em Nazaré, na Galileia. Em outra informação, ele era descendente do rei Davi. Quando tinha cerca de 30 anos, foi-lhe prometida em casamento uma jovem chamada Maria, também de Nazaré.

Enquanto ainda vivia com os pais, antes de ser desposada por José, a Virgem recebeu a visita de um Anjo que lhe anunciou que, pela ação do Espírito Santo, ela conceberia um menino, a quem seria dado o nome de Jesus, o Filho de Deus.

Um sonho, um chamado

Ao tomar conhecimento da inexplicável gestação da- quela que seria sua esposa, a angústia tomou o coração de José. O Evangelista São Ma- teus refere-se ao carpinteiro de Nazaré como um homem justo que, não querendo de- nunciar publicamente Ma- ria, despediu-a em segredo.

O mesmo Evangelista narra que, enquanto dormia, apareceu-lhe, em sonho, um Anjo do Senhor, o qual lhe disse: “José, filho de Davi, não tenhas receio de receber Maria, tua esposa; o que nela foi gerado vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados”. O Anjo explicou, ainda, que tudo aquilo havia acontecido para se cumprir o que o Senhor dissera pelo profeta: “Eis que a Virgem ficará grávida e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que significa: Deus conosco”.

Quando acordou, conta o Evangelho, José fez conforme o Anjo tinha mandado e acolheu sua esposa e o filho em seu ventre.

Rumo a Belém

Um decreto do imperador César Augusto ordenava o recenseamento de todo o povo sob domínio romano (cf. Lc 2,1). José partiu com Maria para Belém, cidade de origem de sua família. A viagem foi muito cansativa, tanto pelas condições precárias da estrada quanto pelo estado de Maria já no fim da gestação.

No livro “A sombra do Pai – História de José de Nazaré”, o polonês Jan Dobraczynski narra em forma de romance a história deste Santo, por meio de uma série de relatos e diálogos fictícios que ilustram detalhes dos sentimentos e difi- culdades humanas vividas por José e, ao mesmo tempo, o quanto ele foi ampara- do por Deus nessa missão.

“José mal podia andar. Ardiam-lhe os olhos devido ao pó das rochas, que a ventania arrastava, misturando com gotas de água. Apesar disso, continuava protegendo Miriam [Maria] e cuidando das passadas do asno”, descreve o autor.

Mosaico da Natividade, de autoria de Pietro Cavallini, na Basilica de Santa Maria in Trastevere, em Roma

Natal

Ao chegar a Belém, encontraram uma cidade tomada por estrangeiros. José percorreu todas as hospedarias à procura de um lugar para a sua esposa, mas as esperanças de encontrar uma boa acolhida foram frustradas. Finalmente, encontraram acolhida em um lugar onde ficavam os animais, e lá Maria deu à luz seu filho, que foi colocado em uma manjedoura (cf. Lc 2,7).

Ao imaginar a cena, Dobraczynski escreveu que José pôs as mãos por baixo dele e o ergueu, conforme um antigo costume da época. Depois, ele se sentou ao lado da manjedoura. “Com a cabeça apoiada na mão, contemplava o menino adormecido”, acrescentou.

No templo

A Lei de Moisés prescrevia que, depois do parto, a mulher era considerada impura, e devia ficar 40 dias segregada se tivesse dado à luz um menino. Depois desse período, deveria se apresentar. A Lei também prescrevia que o filho primogênito deveria ser consagrado a Deus ou, então, apresentava-se uma oferta para o sacrifício.

No templo, José e Maria encontraram o profeta Simeão, que se referiu a Jesus como “luz para iluminar as nações” e, quanto a Maria, profetizou que uma espada lhe transpassaria a alma (cf. Lc 2,35).

“José contemplava Simeão estupefato. Enquanto ele não conseguia descobrir nenhum sinal de qualquer coisa extraordinária, havia pessoas que encontravam no filho de Maria o milagroso sob a aparência do cotidiano”, escreveu o polonês, sublinhando que José vivia sua missão com simplicidade, sem jamais perder a confiança em Deus.

Afresco ‘Fuga para o Egito’, de autoria de Giotto di Bondone, na Cappella degli Scrovegni, em Pádua, Italia

Fuga para o Egito

Outro desafio enfrentado por José foi a fuga para o Egito, depois de novamente um Anjo lhe aparecer em sonho e dizer: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e foge para o Egito, fica lá até que te avise quando voltar; porque Herodes está procurando o menino para matá-lo” (Mt 2,13).

“Logo tudo estava empacotado: um pouco de roupa, alguma comida, umas poucas ferramentas de carpinteiro. José pegou o burrinho, pôs-lhe os arreios. Enquanto isso, Maria vestia Jesus”, narrou Dobraczynski, descrevendo a cena.

José foi logo embora com a família (cf. Mt 2,14) para uma viagem de cerca de 500km. A maior parte do caminho foi pelo deserto, infestado de serpentes e outros perigos. A Sagrada Família teve que viver a penosa experiência dos refugiados longe da própria terra, para que acontecesse, quanto tinha dito o Senhor por meio do Profeta: “Eu chamei o filho meu do Egito” (Os 11,1).

Em Nazaré

No mês de janeiro do ano 4 a.C., logo após a morte de Herodes, um Anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito, e lhe disse: “Levanta-te, pega o menino e sua mãe e vai para a terra de Israel; na verdade, morre- ram aqueles que procuravam matar o menino” (Mt 2,19).

José obedeceu às palavras do Anjo e partiu com a família, mas quando lhe chegou a notícia de que o sucessor de Herodes era o filho Arquelau, ele teve medo. Avisado novamente em sonho, foi para Nazaré, cumprindo-se, assim, o que fora anunciado pelos profetas: “Ele será chamado Nazareno”.

Foi em Nazaré que a Sa- grada Família viveu a maior parte do tempo. Esse é o pe- ríodo da chamada vida oculta de Jesus, que desperta curio- sidade em muitas pessoas, mas, na verdade, não possui nenhum mistério a não ser o da vida cotidiana, marcada pelo trabalho, oração, conví- vio familiar e a educação do menino que, como os Evan- gelhos descrevem, “crescia em estatura, sabedoria e graça”.

Pintura ‘Morte de Sao José’, de Giuseppe Maria Crespi, no Museu Hermitage, em São Petersburgo, Rússia

José também era um pai de família fiel às tradições religiosas e, como todo bom judeu, peregrinava com sua família ao templo, em Jerusalém, para as festas prescritas. Uma dessas ocasiões é narrada por São Lucas, o famoso episódio da perda e do encontro de Jesus entre os doutores da lei.

Morte

Não há relatos históricos sobre a morte de São José, a não ser a tradição difundida entre os primeiros cristãos. Acredita-se que ele morreu pouco antes de Jesus iniciar sua vida pública, por volta do ano 30, provavelmente de velhice, tendo diante de seus olhos aqueles aos quais protegeu e dedicou a vida e, um dia, contemplaria na eternidade: Jesus e Maria.

(Pesquisa da imagens: Wilma Tommaso, Doutora em Ciências da Religião e Especialista em Arte Sacra)

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