Scalabrinianos mantêm ações em favor de crianças migrantes e refugiadas

Fundado há 126 anos, o Instituto Cristóvão Colombo oferece serviço de convivência e fortalecimento de vínculos a crianças e adolecentes de 6 a 15 anos

Instituto Cristóvão Colombo

O Instituto Cristóvão Colombo (ICC), fundado em 1895 pelo Padre José Marchetti, missionário scalabriniano, é uma das mais antigas instituições a trabalhar com crianças e adolescentes migrantes no estado de São Paulo.

Durante viagens rumo ao Brasil no fim do século XIX e início do século XX, em navios com péssimas condições de salubridade, muitos migrantes italianos morriam, vitimados especialmente pela febre amarela.

O jovem Padre se sensibilizou com essa realidade, especialmente depois de uma mãe, antes de morrer, lhe ter entregado o filho recém-nascido. Diante da dificuldade de encontrar em solo brasileiro alguém que acolhesse este e outros bebês, decidiu fundar um orfanato para as crianças órfãs no bairro do Ipiranga, na zona Sul da capital paulista. Assim surgia o instituto que atualmente atende 146 crianças e adolescentes de famílias migrantes e em situação de vulnerabilidade, prestando serviços de assistência social e educação, na perspectiva da formação humana integral.

ATUAÇÃO

A missão do ICC é acolher e garantir a ação humana integral, dando às crianças acesso à educação e valorização dos seus direitos, com ênfase na atuação socioassistencial. Busca mediar a inclusão dos pequenos migrantes nos serviços assistenciais de educação, cultura e saúde.

Para isso, a instituição promove atividades educacionais, lúdicas, culturais e esportivas como formas de expressão, interação, aprendizagem, proteção social e prevenção de situações de risco social.

O convívio social e familiar é prioridade no ICC. As ações realizadas visam a desenvolver o senso de pertença, a formação da identidade, a construção de processos de sociabilidade, os vínculos sociais, as relações de cidadania das crianças e dos adolescentes.

“As atividades do ICC promovem experiências que potencializam a vivência desses ciclos etários em toda a sua pluralidade. Aqui, os beneficiários têm garantida a oportunidade de aprender, experimentar, brincar; ser protagonistas; ter seus direitos e deveres salvaguardados”, destacou Paula Leão, coordenadora geral do instituto, cuja capacidade de atendimento é 250 crianças e adolescentes.

EXTENSÃO ESCOLAR

Padre José Edvaldo Pereira Silva, Diretor do instituto, salientou que a iniciativa “é uma extensão escolar. Inclusive, um dos requisitos [para ter vínculo com a instituição] é estar matriculado na escola. O ICC promove diariamente atividades complementares com oficinas, música, lazer e esporte na promoção dos valores humanos, dignidade e aptidão ao estudo e aprendizado”, disse o Padre, reforçando que o carisma do instituto, desde sua origem, é o cuidado com os migrantes.

No ICC, as crianças e adolescentes recebem gratuitamente educação escolar – em parceria com o Estado –, uniforme, refeições, material pedagógico, atendimento odontológico preventivo, apoio psicológico e assistencial.

PORTAS ABERTAS

A maior incidência de migrantes e refugiados atendidos no instituto é de venezuelanos, bolivianos e peruanos.

Jiover José Carvajal Fermin, 40, é pai da Arianna Saray Carvajal Herrera, 10, que atualmente frequenta o ICC. A família migrou da Venezuela por causa da situação política e econômica e, também, em busca de melhores condições de saúde e educação para todos.

“Cheguei ao Brasil com medo e cheio de incertezas, e logo conseguimos uma vaga no ICC. O estudo, a educação, a disciplina são muito importantes. A convivência das crianças é fundamental para o crescimento e desenvolvimento. A inspiração cristã é um diferencial”, destacou o engenheiro elétrico, que desabafou sobre a situação de seus compatriotas. “Na Venezuela, antes da crise, eu ganhava bem e mantinha um padrão de vida bacana. Hoje, os colegas que lá trabalham conseguem comprar um frango e um quilo de carne com o salário e nada mais; a realidade é dramática”, contou.

Ao longo da pandemia, o ICC organizou uma frente emergencial para combater a fome, distribuindo cestas básicas e kits de higiene. “As atividades continuaram seguindo os protocolos, mas precisamos criar frentes emergenciais com a doação de alimentos e kits de higiene para amenizar o sofrimento e garantir o básico na mesa de muitas famílias que perderam seus empregos”, salientou o Padre José Edvaldo.

HORTA ORGÂNICA

As crianças recebem três refeições ao longo do dia. Boa parte dos alimentos é produzida na horta do ICC, que é totalmente orgânica e com variedade de verduras e hortaliças. Por mês, são plantadas mil mudas. As hortaliças são variadas: alface, couve, escarola, repolho, beterraba e mandioca; quanto às frutas, há o cultivo de banana, pitanga, acerola e amora. Toda a produção garante a alimentação das crianças e dos profissionais ao longo de todo o ano. O excedente é compartilhado com as famílias das crianças, colaboradores da entidade e com a Missão Paz, que também atua no acolhimento de migrantes e refugiados.

“Tudo aqui é feito com amor e, por isso, a natureza retribui com abundância”, contou Cleber Pinsetta, 44, responsável pelo plantio e cultivo da horta há duas décadas, destacando que ela alimenta, diariamente, 200 pessoas.

Comentários

  1. O ICC, Instituto Cristóvão Colombo é um grande espaço em que a criança pode realmente ser criança.

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