Trabalhador informal deve planejar gastos e manter reserva de emergência

Especialistas financeiros dão dicas para organizar as finanças pessoais e orientam sobre as opções de investimentos

Pixabay

No Brasil, quase 2 milhões de pessoas passaram a trabalhar por conta própria entre maio de 2020 e os 12 meses seguintes, enquanto se registrou 1,3 milhão a menos de carteiras assinadas no mesmo período. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no fim de julho. Para os que estão no trabalho informal, realidade de muitos que atuam de forma autônoma, ter um planejamento financeiro é indispensável, incluindo a previsão de uma reserva de emergência, que pode ser usada para cobrir gastos inesperados como um vazamento em casa, um problema de saúde e até custear por um período as contas da família em caso de uma demissão.

Fabio Gallo Garcia, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV-SP) e ex-docente da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), reforça que é preciso criar o hábito de guardar dinheiro. “Por exemplo, fazer regime e ir a uma academia são hábitos de sacrifício. Guardar dinheiro também. E por que se faz isso? Porque, quando você cria objetivos de vida e começa a guardar seu ‘dinheirinho’, percebe o que isso lhe traz de bem.”

Garcia enfatiza que, independentemente do poder econômico, é extremamente importante planejar os gastos e que, mesmo em uma situação de crise, organizar é a palavra de ordem para todos.

“Para você ter maior bem-estar, é indicado planejar-se financeiramente, estruturar suavida financeira para viver com oque ganha de forma melhor”, assinala o professor. “Planejar significa estabelecer seus objetivos de vida, objetivos financeiros e organizar um orçamento dentro disso.”

Como guardar dinheiro tendo uma renda variável?

O Brasil tem atualmente 14,4 milhões de desempregados. De acordo com a Pnad Contínua, no trimestre finalizado em maio, a taxa de informalidade no mercado de trabalho subiu para 40% na população ocupada.

Diante desse cenário, Garcia sugere que o planejamento dos gastos familiares, sobretudo do trabalhador informal que tem renda variável, siga o método que ele apelidou de “orçamento de guerra”, que separa as despesas em grupos “ABCD”. Sendo “A” de alimentar; “B” de básico; “C” de contornável e “D” de desnecessário.

✔ No “A”, deve ser anotado gastos com a alimentação básica: arroz, feijão, óleo etc.;

✔ No “B”, as contas fixas: aluguel, água e luz;

✔ No “C”, gastos que trazem conforto, mas que podem ser cortados: TV a cabo, academia e banda larga;

✔ No “D”, gastos que você se pergunta por que está gastando e se precisa deles, como assinatura de algum aplicativo que não usa.

Garcia afirma que após fazer essa separação, sobram basicamente itens no ABC. “Em situações como essa, você começa depois a cortar coisas do contornável (C) e criar algum grau de poupança (reserva), que no primeiro momento deve ser para emergência.”

Quanto dinheiro deve ser guardado?

Administrador de empresas e especialista em gestão financeira, Marcelo Segredo aconselha que seja reservado no mínimo 10% do faturamento/renda para as emergências.

“O ideal seria 30%, que assim cria uma margem de reserva financeira estratégica de uma forma mais acelerada, em um espaço de tempo muito menor. [Diante do cenário atual] porém, a maioria não vai conseguir 30%. Por isso, damos essa média, de no mínimo 10%, todo mês”, esclarece.

O que fazer com a reserva de emergência?

É preciso lembrar que a reserva de emergência é um dinheiro que a pessoa pode precisar acessar a qualquer momento. No entanto, os especialistas ouvidos pelo O SÃO PAULO orientam que ele não pode ficar parado, guardado “embaixo do colchão”.

O ideal é fazer um investimento desse recurso de modo planejado para que renda e se multiplique.

A seguir, há algumas das opções de investimentos comentadas pelos especialistas e que podem contribuir para quem deseja manter uma reserva de emergência.

Poupança: É a opção mais popular. Uma conta bancária, sem taxa e fácil de aplicar. Sem tributação, não tem incidência de imposto de renda (IR) e tem liquidez total, ou seja, é possível ter o dinheiro à disposição quando precisar/solicitar. O rendimento é baixo, apenas 0,3% ao mês e é calculado pela Taxa Selic.

“Ao investir na caderneta de poupança, você não ficará milionário, mas pelo menos vai preservar um pouco do seu dinheiro”, diz o professor Garcia.

CDB (Certificado de Depósito Bancário): Ao aplicar o dinheiro no banco, a rentabilidade oferecida depende da instituição financeira, do prazo, entre outras situações. Geralmente, quanto maior a duração da aplicação, maior a valorização oferecida pelo banco. Tem liquidez imediata. Não tem taxa, porém tem incidência de IR.

“Você tende a ganhar um pouquinho mais do que com a caderneta de poupança, principalmente se você aceitar deixar o dinheiro guardado por algum tempo”, explica o professor.

Tesouro Direto: Títulos públicos que podem ser comprados por pessoas físicas a partir de R$ 35. Há títulos com diferentes rentabilidades. Podem ser adquiridos por meio dos bancos ou corretoras de investimentos. Há liquidez imediata, mas o ideal é mexer após um ano, para melhor rendimento.

“Sugiro investir em duas frentes: 30% no CDB, do qual é possível sacar a qualquer momento; e 70% no Tesouro Direto atrelado ao IPCA [Índice de Preços ao Consumidor Amplo], que é o índice da inflação. Assim, rende os juros do Tesouro mais a inflação”, elucida Segredo.

Ele finaliza reforçando que a gestão financeira é fundamental. “Você tem que ter certeza de tudo que gasta e onde gasta. Se abrir um MEI [Microempreendedor Individual], tem que ter uma planilha de controle para sua casa e outra para sua empresa; do contrário, mistura-se tudo e nunca vai sobrar dinheiro pra nada.”

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