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A evangelização continua: uma paróquia em Mianmar

JOÃO FOUTO

Na Diocese de Loikaw, cristãos resistem à perseguição religiosa e tomam precauções para testemunhar a fé em meio à pandemia de COVID-190

A evangelização continua: uma paróquia em Mianmar
Catedral de São Mateus, Diocese de Loikaw (crédito: Reprodução da internet – imagem feita antes da pandemia de COVID-19)

O Padre Pius Kyan, da Diocese de Loikaw, Mianmar, falou à Agência Fides sobre a situação religiosa em que vive. Apesar do país estar há décadas sob ditaduras e dos cristãos serem perseguidos, o Padre se encontra em uma região de catolicismo numeroso e florescente, a poucos quilômetros de Loikaw, capital do estado de Kayah, no qual dois terços da população é cristã. “As nossas relações com todas as outras comunidades religiosas são boas e improntadas ao diálogo”, disse ele.

“A Paróquia de Tananukwe compreende cinco vilarejos e uma população de 560 famílias. A maioria da gente dessa zona é cristã, com uma forte presença católica”. De fato, a paisagem revela a presença de inúmeras igrejas e capelas, muito mais numerosas do que os pagodes e as mesquitas.

A preocupação com o novo coronavírus chegou também a Mianmar. Embora Kayah não tenha registrado caso algum e todo o país conte com menos de 350 casos e apenas seis mortos, foi decretada emergência.

A evangelização continua: uma paróquia em Mianmar
Padre Pius Kyan (crédito: Agência Fides)

“Celebramos a missa com somente cinco fiéis por vez, para respeitar as regras impostas pelas autoridades, para evitar aglomerações. Há alguns dias, estive em um funeral, mas só para dar uma bênção e um conforto espiritual às famílias. Cada mês, visito os vilarejos, mas depois me movo somente em casos de emergência, como para a Extrema Unção”.

Desde abril, as atividades estão paradas por conta da pandemia. Aos poucos, o isolamento tem sido afrouxado, mas alguns vilarejos o mantém e não permitem a entrada de pessoas de fora. O Ministério de Turismo liberou a circulação de turistas, porém algumas zonas ainda impedem sua entrada.

O Cristianismo é majoritário na região, mas ainda estão presentes traços de alguns hábitos que antes vigoravam. A área paroquial é famosa pela existência das “mulheres girafas”. Por meio de argolas colocadas no pescoço que se apoiam sobre os ombros – fazem isso desde meninas –, sua caixa torácica é abaixada, provocando o alongamento do pescoço. É uma prática da cultura indígena que os missionários combateram com força. Hoje permanece somente em áreas mais remotas, onde é forte o animismo, uma expressão religiosa antiquíssima – e presente nos povos primitivos de todo o planeta – que crê que o mundo esteja repleto de espíritos. Lá, o animismo se exprime com longos totens de madeira e túmulos funerários, ao lado dos quais os familiares depositam alimentos e bebidas para o uso do defunto em sua viagem.

As histórias e/ou lendas mantêm viva a memória das fadigas dos primeiros missionários. Uma delas se tornou até peça de teatro: conta a história de um missionário preso em um chiqueiro pelos locais, que nunca haviam visto um homem branco, com barba e sapatos. Após comer, já cheio de fome, o alimento dos animais e retirar os sapatos, os indígenas reconheceram que se tratava de um ser humano, e então perderam o medo. Com isso, pode-se imaginar as dificuldades que enfrentaram os primeiros missionários, entre as quais, não faltou o martírio. Mas ainda há muito trabalho a ser feito.

O Padre Pius, com 38 anos, tem atrás da igreja uma pequena escola, com uma quadra de vôlei e 17 alunos, os quais recebem sustento da paróquia – caso contrário não teriam condições de estudar. “Agora, estamos também construindo uma nova igreja”, disse ele.

Fonte: Agência Fides

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