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A Igreja vive da Eucaristia

GUSTAVO CATANIA RAMOS

 ‘A Eucaristia é verdadeiramente um pedaço de céu que se abre sobre a terra; é um raio de glória da Jerusalém celeste, que atravessa as nuvens da nossa história e vem iluminar o nosso caminho’ – São João Paulo II

A Igreja vive da Eucaristia
(Crédito: Luciney Martins/ O SÃO PAULO – foto tirada antes da pandemia de COVID-19)

Devido à pandemia do novo coronavírus, grande parte das igrejas em todo o mundo teve de tomar medidas para evitar a proliferação da doença. Missas com a participação dos fiéis foram limitadas, e estes, em sua maioria, ficaram privados de comparecer às celebrações e de receber a comunhão.

Essa situação incomum se, por um lado, causou um grande mal, pôde, por outro lado, fomentar uma consciência mais bem formada acerca da importância da Eucaristia na vida da Igreja. Nunca se viu a Igreja tão ativa nas mídias sociais com as transmissões on-line das missas. O valor da comunhão espiritual foi difundido e os fiéis tiveram de recorrer a ela mais frequentemente, em virtude da impossibilidade da comunhão sacramental. O pesar pela não presença física na Eucaristia, em muitas pessoas, provocou um maior desejo de recebê-la e, consequentemente, aumentou o amor a Jesus Sacramentado.

Entretanto, não se pode perder de vista que a situação é excepcional. A recepção sacramental da Eucaristia não é opcional e dispensável à vida cristã. A Eucaristia vivifica a Igreja, dá-lhe impulso para realizar a sua missão, une os fiéis mais intimamente a Cristo e faz crescer a comunhão entre os cristãos. Uma Igreja sem Eucaristia seria uma Igreja sem vida, na qual os fiéis viveriam a fé de maneira individualista. A Eucaristia nos une a Cristo e, por meio Dele, nos une ao próximo. Por essa razão, a falta da comunhão sacramental pode fazer crescer o desejo de receber Jesus, assim como pode, por outro lado, esfriar o coração para o amor a Deus e ao próximo.

A centralidade da Eucaristia

O Concílio Vaticano II, na constituição dogmática Lumen gentium, afirmou ser o sacrifício eucarístico “fonte e centro de toda a vida cristã”. A encíclica Ecclesia de Eucharistia, de São João Paulo II, a partir do documento conciliar, desenvolveu, com grande riqueza, a doutrina católica acerca do sacramento da Eucaristia.

“A Igreja vive da Eucaristia”. Com essa frase, São João Paulo II inicia o documento, associando intimamente esse sacramento com o sacrifício redentor de Jesus. Na Última Ceia, momentos antes de se entregar para a morte na Cruz, Cristo instituiu a Eucaristia como “sacramento por excelência do mistério pascal”, no qual se atualizam por inteiro a sua Morte e a Ressurreição.

A Eucaristia perpetua no tempo aquele único sacrifício de amor capaz de redimir e santificar o homem. Recebendo-a, os homens de todos os tempos e lugares podem unir-se intimamente a Cristo, como se estivessem presentes aos pés da Cruz: “A Eucaristia aplica aos homens de hoje a reconciliação obtida de uma vez para sempre por Cristo para a humanidade de todos os tempos”. 

Presença salvífica de Jesus

A participação frutuosa na missa e a comunhão são os melhores meios deixados à Igreja por seu Fundador, para que todos vivam uma união íntima de amor com Deus, para o qual toda a nossa vida tende, e que culminará no céu, quando eternamente estaremos unidos no amor a Deus.

Por esse motivo, São João Paulo II afirmou que “quem se alimenta de Cristo na Eucaristia não precisa esperar o Além para receber a vida eterna: já a possui na terra, como primícias da plenitude futura, que envolverá o homem na sua totalidade”.

Acalentando os corações com a esperança da vida eterna, o Papa continua: “A Eucaristia, presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu alimento espiritual, é o que de mais precioso pode ter a Igreja no seu caminho ao longo da história”.

Por nos associar a Cristo e nos dar as “primícias da vida eterna”, a Eucaristia também é o sacramento por excelência que une toda a Igreja numa comunhão de amor: “O dom de Cristo e do seu Espírito, que recebemos na comunhão eucarística, realiza plena e abundantemente os anseios de unidade fraterna que vivem no coração humano e, ao mesmo tempo, eleva esta experiência de fraternidade, que é a participação comum na mesma mesa eucarística, a níveis que estão muito acima da mera experiência de um banquete humano”.

O Papa, diante dessa realidade, recordou que a Eucaristia não é meramente um símbolo para nos recordar da Morte e Ressurreição de Cristo. Como todo sacramento, a Eucaristia produz efetiva e realmente aquilo que significa e, por esse motivo, não pode ser dispensada, sob pena de se ignorar o próprio Cristo, que apenas “voltou ao Pai depois de nos ter deixado o meio para participarmos do seu sacrifício como se tivéssemos estado presentes”.

A história dos santos demonstra a real eficácia da Eucaristia, que tiraram dela a força transformadora que possui. São Pedro Julião, considerado o Apóstolo da Eucaristia, viu nesse sacramento o melhor meio para curar a indiferença do homem em relação a Deus. “Tenho refletido amiúde sobre os remédios para esta indiferença universal, que se apodera de tantos católicos de maneira assombrosa, e só encontro um: a Eucaristia, o amor a Jesus Eucarístico. A perda da fé provém da perda do amor”, afirmou.

Diante de tudo isso, São João Paulo II fez uma pergunta em sua encíclica que deve ressoar nos corações de todos nós e que nos impele a amar a presença real de Cristo no pão e no vinho consagrados: “Na Eucaristia, temos Jesus, o seu sacrifício redentor, a sua Ressurreição, temos o dom do Espírito Santo, temos a adoração, a obediência e o amor ao Pai. Se transcurássemos a Eucaristia, como poderíamos dar remédio à nossa indigência”?

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Comentários

  1. A reportagem é significativa e mostra o sentido da Eucaristia na vida da Igreja. Porém, deveria esclarecer algo mais sobre o Sacramento, de forma a acalmar as pessoas que não podem receber o sacramento por pertencerem ao grupo de risco.
    Assim, deveria ser esclarecido o Cânone 920:
    § 1. Todo o fiel que tenha sido iniciado na santíssima Eucaristia está obrigado a receber a sagrada comunhão, ao menos uma vez por ano.
    § 2. Este preceito deve cumprir-se durante o tempo pascal a não ser que, por justa causa, se cumpra noutra ocasião durante o ano
    A Pandemia ainda não atingiu níveis seguros. Temos cerca de 50 mortes por dia na cidade de São Paulo e são mais de 1000 mortes no Brasil. Assim, as pessoas não podem ainda ficar se agrupando. Assim, seria mais prudente orientar melhor sobre o Sacramento para evitar que pessoas do grupo de risco comecem a se agrupar nas paróquias.

  2. Não há dúvidas sobre a centralidade da Eucaristia. Porém, não é um sacramento que, se não tomado em todo domingo, vá prejudicar. Aliás, o Catecismo, no parágrafo 1417, é claro que a obrigação é a cada ano.
    Assim, em época de Pandemia, quando o isolamanto é fundamental, quando os índices de óbitos não baixaram, não há necessidade de um desespero pela Eucaristia.
    Aliás, é época de Caridade, de amar o próximo pelo isolamento. Promover possíveis aglomerações com a abertura de Igrejas é um erro. A Igreja pode até argumentar que está tomando todas as medidas, mas falha na principal: não deve promover reuniões.
    A Igreja Católica deveria dar o exemplo, deveria mostrar que vai além dos templos de pedra. Pena que está caindo na materialidade, na visão simplista. A Pandemia está sendo uma oportunidade de mudança e o que vejo é que a Igreja está se prendendo no passado e no ritualismo.
    Que tal pensarem mais nas pessoas que são o grupo de risco, como os idosos e os que têm doenças como diabetes e cardíacas.

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