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Após acordo, armênios terão que deixar distritos da região de Nagorno Karabakh

Saída da região deve ocorrer até 25 de novembro. Negociação entre Armênia e Azerbaijão foi mediada pela Rússia

Após acordo, armênios terão que deixar distritos da região de Nagorno Karabakh
Representantes do Azerbaijão, Jeyhun Bayramov; da Rússia, Sergei Lavrov; e da Armênia, Zohrab Mnatsakanyan (Foto: Ministério das Relações Exteriores da Rússia)

Entrou em vigor, no dia 9, o acordo de paz entre a Armênia e o Azerbaijão, que prevê a devolução de três distritos da região de Nagorno Karabakh, da República autoproclamada de Artsaque, ao país muçulmano. Além disso, Artsaque, um entrave armênio no território do Azerbaijão, perdeu outros quatro territórios durante os combates entre 27 de setembro e 9 de novembro.

Os milhares de armênios que vivem nesses povoados terão que abandoná-los até o dia 25 de novembro para se dirigem à Armênia, que terá de recepcionar os desterrados. Para a Armênia, um país pobre com três milhões de habitantes, será um desafio recebê-los de uma só vez.

No sábado, 14, moradores armênios do vilarejo de Charektar colocaram fogo em suas próprias casas como forma de protesto contra o acordo e para dificultar a ocupação da região pelas tropas azeris.

Em Yerevan, capital da Armênia, milhares de manifestantes se reuniram pedindo a renúncia do primeiro ministro do país, Nikol Pashinyan, responsável pela assinatura do acordo de paz.

O acordo foi obtido por meio da mediação russa, que prometeu enviar dois mil soldados à região para impedir que os confrontos continuem e se estendam a outros povoados da República de Artsaque, já que o acordo prevê que a república, que nunca foi reconhecida pelo Azerbaijão, continue a existir. Apesar disso, o presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, afirmou em vídeo publicado na internet que “não haverá status de autonomia para Karabakh. O Azerbaijão é um país indivisível”. A declaração ocorreu em visita do presidente aos povoados conquistados.

O conflito

Os conflitos na região têm origem no fim da Primeira Guerra Mundial, quando Nagorno Karabakh se tornou área de influência da União Soviética. Em 1991, os armênios do local realizaram um referendo e aprovaram a criação de um Estado independente, que nunca foi reconhecido pela ONU e pelo Azerbaijão. Em 1994, foi obtido um cessar-fogo entre o Azerbaijão, a Armênia e a República de Artsaque, após os conflitos causarem milhares de vítimas.

Apesar do cessar-fogo, alguns conflitos na região continuaram e, em 2008, foi criado o Grupo de Minsk, composto pelos Estados Unidos, França e Rússia, com o intuito de resolver a questão de maneira pacífica. Entretanto, neste ano, os conflitos retornaram com mais intensidade, principalmente com o apoio da Turquia ao Azerbaijão.

No sábado, 14, a Armênia anunciou que mais de 2.300 soldados e 50 civis foram mortos durante os conflitos deste ano. O Azerbaijão não divulgou o número de mortos, mas afirmou que, ao menos, 93 civis perderam a vida.

Com informações de Jovem Pan, Estado de Minas, AFP e G1

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