A solidariedade contagia

Os números da pandemia do novo coronavírus no Brasil, infelizmente, avançam a cada semana, mas também é crescente a solidariedade em favor dos que mais precisam de ajuda neste momento. O jornal O SÃO PAULO apresenta algumas dessas boas ações.

Uma corrente sobre pedais

Com nove postos de arrecadação na capital paulista e na Grande São Paulo, 14 grupos de ciclistas se uniram para obter alimentos para famílias carentes: Oiê Bikers, Star Bike, Pedal Tatuapé, Pedal São Caetano, Pedala Itaquera, Pedal Rise, Diademas Bikers, Bernô Bikers, Girus Bike, Bikers Catalunya, Di Bikers, Kambitos Bikers, Desbrava Bikers e NSA.

14 grupos de ciclistas uniram-se para arrecadar doações

Até agora, já são quase 3 toneladas arrecadadas, que serão distribuídas com o apoio de uma vereadora e da Prefeitura Regional de Itaquera. “Gratidão a todos: aos ciclistas que acompanham ou não cada um dos grupos e às pessoas que doaram sem nem mesmo ter qualquer relação com o ciclismo, apenas por quererem o melhor para todos”, disse à reportagem Sérgio Luiz Teles, funcionário público e integrante do Pedala Itaquera. 

Esse grupo de ciclistas regularmente realiza ações solidárias, como no Dia das Crianças e na Páscoa, além de mutirões para a doação de sangue. “Passe adiante esta corrente, não deixe que ela se quebre”, motivou Teles.

Famosos

Muitas personalidades também já fizeram doações desde o início da pandemia. A apresentadora Xuxa Meneguel, por exemplo, doou R$ 1 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS) e 300 mil sabonetes a comunidades carentes do Rio de Janeiro. Iniciativa similar teve a cantora Ivete Sangalo, com a doação de mil camas e 5 mil peças de roupas para uma unidade de acolhida à população em situação de rua de Salvador (BA). Também o apresentador Luciano Huck reuniu amigos e familiares para arrecadar R$ 1,5 milhão, que será repassado a empreendedores sociais que atuam em favelas e comunidades em diferentes partes do Brasil.

Live solidária

Muitos artistas têm angariado doações em shows transmitidos pela internet. Essa ideia foi dada aos músicos do projeto Samba da Esquina, que desde 2013 é realizado no primeiro domingo de cada mês no bairro do Grajaú, na zona Sul de São Paulo. Assim, eles realizaram, no dia 9, a “Live Solidária”.

Músicos do Samba da Esquina e as doações arrecadadas para as famílias carentes do Grajaú

“Nós nos unimos a outras pessoas influentes aqui do Grajaú, incluindo DJs e locutores de rádio, procuramos patrocínios com comerciantes e microempresários da região e, na live, conseguimos arrecadar muitos alimentos. Estamos separando as doações, para poder montar os kits de cestas que chegarão, em especial, às famílias mais carentes do Grajaú”, detalhou Herbert Almeida, um dos integrantes do projeto. “A gente nasceu e cresceu no Grajaú, sabe o quanto a comunidade precisa. Não devemos parar por aqui, temos que continuar fazendo o que pudermos para ajudar as famílias”, continuou.

Interessados em fazer doações podem entrar em contato pelo telefone (11) 94763-3016, e falar com Herbert Almeida ou Ronaldo Barbosa.

Lances de craques

Dois jogadores que atuaram pelo Brasil na Copa de 2018 protagonizaram boas ações desde o começo da pandemia.

O meio-campista Paulinho, ex-jogador do Corinthians e atualmente no futebol chinês, já doou mais de 8 toneladas de alimentos, máscaras e kits de higiene a famílias carentes, além de respiradores e álcool em gel para hospitais. “Vamos para dois meses de quarentena. As doações que foram feitas lá no início com certeza foram muito importantes, mas os mantimentos vão acabando e muitas pessoas continuam afastadas de seus trabalhos. Quem pode ajudar, como eu posso, graças a Deus, tem que fazer sua parte”, declarou.

Também Gabriel Jesus, ídolo do Palmeiras e atual atacante do Manchester City, da Inglaterra, doou 400 cestas básicas a moradores do Jardim Peri, na zona Norte de São Paulo, onde cresceu. Ele ofereceu ainda um par de chuteiras para ser leiloada: “Todo o lucro desse leilão será repassado a instituições que estão na luta para diminuir os impactos dessa pandemia mundial nos lugares mais necessitados do nosso País”, escreveu em uma rede social.

Vencendo Juntos

Um grupo de esportistas olímpicos está à frente da plataforma Vencendo Juntos, na qual qualquer pessoa pode fazer doações on-line, a partir de R$ 20, que ajudarão na compra de cestas básicas. “Nossa meta inicial é atender 33 mil famílias. Todas as doações serão convertidas em cartões vale-alimentação, com carga mensal de R$ 100 durante três meses”, consta no descritivo da ação, que beneficiará atendidos por projetos assistenciais e educativos, em sua maior parte vinculados à área esportiva.

‘Quentinha do Bem’

Também on-line, qualquer pessoa já pode custear as marmitas que são doadas a pessoas em situação de rua no centro de São Paulo em um trabalho coordenado pelo Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras).

A iniciativa Quentinha do Bem, realizada com o apoio da Soul Kitchen, incubadora de projetos na área de alimentação, tem a meta de assegurar a distribuição de 8 mil marmitas por dia, com a arrecadação de R$ 960 mil. O custo de cada “quentinha” é de R$ 4 e os recursos ajudarão a manter as seis cozinhas e os 28 cozinheiros que atuam na produção das refeições.

Mesa Brasil Sesc

Esse serviço permanente de combate à fome e ao desperdício de alimentos no Brasil tem sido intensificado. Desde o início do isolamento social já foram distribuídas mais de 5,4 toneladas de alimentos, beneficiando, a cada mês, 1,4 milhão de famílias em situação de vulnerabilidade social.

“Combater a fome não é um ato de assistencialismo, mas o cumprimento de um direito social que confere cidadania e colabora no desenvolvimento do País. Nosso trabalho é assegurar que o alimento, fora dos padrões comerciais, mas  apto para o consumo,  não seja desperdiçado e chegue à mesa para quem mais necessita. Nesse momento, com o cenário da pandemia da COVID-19, esse trabalho se torna ainda mais essencial”, avaliou à reportagem Ana Cristina Barros, Gerente de Assistência do Departamento Nacional do Serviço Social do Comércio (Sesc).

Em auxílio aos indígenas

Desde a juventude, Marcelo da Silva Rodrigues, 44, promove eventos culturais nos quais arrecada alimentos para pessoas carentes.

Empresas, instituições, personalidades e líderes comunitários atuam em prol dos mais impactados pelo novo coronavírus
Marcelo Rodrigues mobilizou pessoas para obter doações aos indígenas

Fofão, como é mais conhecido, intensificou as ações após o começo da pandemia do novo coronavírus e tem contado com o apoio dos grupos Quilombaque, Salve Kebrada, Casa da Árvore, Atitude Punk, Ocupa Pinheirinho, Sótão Studio & Pub, Casarão Arte Livre, C.R.I.S.T.O., Espaço Comun, Sarau da Brasa, Teatro na Laje, Banda Indaìz, além de Jefferson Gonçalves, a artesã Andrea G. Bello e a artista plástica Nany Dias.

Uma especial atenção tem sido dada aos indígenas Guarani, no Pico do Jaraguá. Mais de 400 das 600 famílias da aldeia já foram beneficiadas com as doações. “Neste momento, a solidariedade é o que todos deveriam fazer, independentemente de sua classe social ou  movimento. É preciso estender a mão ao próximo e ajudar de verdade, em vez de ficar acomodado”, afirmou. “Quem faz o bem só tem a ganhar; perder, não perde nada”, assegurou.

Interessados em colaborar devem entrar em contato pelo telefone (11) 99752-6132. Doações podem ser entregues no Espaço Cultural Libertário – E.C.L. Fofão Rockbar (Estrada das Taipas, 3.827, Jardim Alvina) ou na Rua Petia, 06, no Jardim Donária.

Empresas

Muitas também têm sido as doações de empresas e bancos. Eis algumas:

BB Seguros e o Banco BV: R$ 55 milhões para atender pessoas em vulnerabilidade social;

BRF (Sadia e Perdigão): R$ 50 milhões para hospitais e asilos;

Itaú Unibanco: R$ 1 bilhão para projetos de enfrentamento à pandemia. Além disso, junto com Bradesco e Santander, houve a importação de equipamentos médicos, no valor de R$ 282 milhões; 5 milhões de testes rápidos e doação monetária para a confecção de 15 milhões de máscaras.

JBS: R$ 400 milhões para o enfrentamento da COVID-19, já tendo beneficiado quase 500 mil pessoas.

Lojas Americanas: R$ 40 milhões para investimentos em saúde e logística e R$ 5 milhões investidos em um hospital de campanha no Rio de Janeiro.

Magazine Luiza: R$ 10 milhões para equipar hospitais públicos e filantrópicos.

Minerva Foods: R$ 10 milhões doados em 120 toneladas de proteína, carne bovina e enlatados; 138 mil equipamentos de proteção individual (EPIs) e 20 mil litros de álcool em gel, medicamentos e equipamentos hospitalares.

Vale: R$ 500 milhões para combater a COVID-19, com ações como a doação de testes rápidos, EPIs, construção de hospitais e reformas de unidades de saúde. 

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Graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Estadual Paulista (Unesp); tem Pós-Graduação (Lato Sensu) em Jornalismo Esportivo e Negócios do Esporte pela FMU.

Ingressou no Jornal O SÃO PAULO em dezembro de 2010 como repórter e desde agosto de 2014 ocupa a função de redator-chefe.

Na comunicação da Arquidiocese de São Paulo, também atua voluntariamente como apresentador-responsável do programa Camisa 9, da rádio 9 de Julho.

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Comentários

  1. Louváveis iniciativas. Parabéns. Só uma ressalva: vocês que distribuem “quentinhas” no centro da cidade, voltem mais tarde para recolher o lixo gerado pelas embalagens de isopor descartadas aos montes no meio das ruas e calçadas, deixando a cidade uma nojeira, com esse lixo se juntando a outros entulhos que vão entupir bueiros que provocarão enchentes e alagamentos ou vai parar nos rios ajudando na poluição deles. A cidade e os cidadãos agradecem em dobro…

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