Cardeal Turkson pede justiça e protestos não violentos diante da morte de George Floyd nos EUA

GUSTAVO CATANIA RAMOS  (ESPECIAL PARA O SÃO PAULO)

Cardeal Peter Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, em entrevista ao Vatican News, na quarta-feira, 3, condenou o racismo ao redor do mundo e pediu que as pessoas busquem justiça e fraternidade, além de perdoarem-se mutuamente.

Cardeal Turkson pede justiça e protestos não violentos diante da morte de George Floyd nos EUA
Cardeal Turkson, Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral

O Prelado respondeu questões acerca do racismo no contexto dos protestos que acontecem no mundo inteiro, principalmente nos Estados Unidos. “Para nós, como Igreja, o racismo vai contra a coisa básica que acreditamos acerca do direito da pessoa humana a partir da Criação. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Todas as pessoas têm uma dignidade humana que é preciosa aos olhos de Deus”, afirmou.

Cardeal Turkson pediu que a justiça seja feita, pois ela é uma “virtude positiva”. “A justiça é, na verdade, a melhora de relacionamentos, a restauração de laços. Em uma situação como essa, o grito por justiça significa um grito contra aquilo que machuca a fraternidade, contra aquilo que impede que a fraternidade aconteça”.

Entretanto, ele frisou a importância do perdão e de os protesto não serem violentos. “Eu adicionaria ao pedido pela não violência e o de perdão. Este, eu penso, é o caminho pelo qual podemos dignificar a memória de George Floyd”, disse o Prelado, fazendo referência ao irmão de Floyd, que pediu que os protestos fossem pacíficos.

Os protestos tiveram início após a divulgação de um vídeo do dia 25 de março, em que George Floyd é morto sufocado por um policial, após ter sido detido por usar uma nota falsa numa loja de conveniência. Alguns desses protestos foram violentos, e resultaram no incêndio em casas e lojas, além de saques.

Igrejas também foram vandalizadas. A Catedral de Denver, por exemplo, foi pichada com dizeres como “Deus está morto”, “Pedófilos” ou “Deus não existe”, junto com outras frases e símbolos contra a polícia ou de teor anarquistas. Pedras foram jogadas contras os vitrais e a porta principal da igreja terá de ser trocada.  A Catedral de São Patrick de Nova Iorque também foi vandalizada e muitas outras igrejas em sete estados do país.

Diante disso, o Cardeal pediu que os bispos, padre e outros líderes católicos do Estados Unidos se unissem em oração, especialmente nas muitas cidades que experimentam violência.

“Como Igreja Católica, é isto o que podemos fazer: rezar por George agora. E seria bom se pudesse haver alguma organização de um grande evento de oração para unir as pessoas. Isso daria a elas a chance de expressar sua raiva reprimida, mas num jeito que é saudável, que é religioso e que cura”, concluiu o Cardeal.

(Com informações de Catholic News Agency)

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