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CNBB: ‘Dom Pedro marcou sua vida pela solidariedade em relação aos mais pobres e sofridos’

Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) faleceu neste sábado, dia 8

CNBB: ‘Dom Pedro marcou sua vida pela solidariedade em relação aos mais pobres e sofridos’
(Crédito: CNBB)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua presidência, emitiu nota de pesar pela morte de Dom Pedro Casaldáliga Plá, Bispo Emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) e Missionário Claretiano, ocorrida neste sábado, dia 8, aos 93 anos de idade.

Na nota, assinada por Dom Walmor Oliveira de Azevedo, Presidente da CNBB; Dom Jaime Spengler, Primeiro Vice-Presidente da CNBB; Dom Mário Antônio da Silva; Segundo Vice-Presidente da CNBB; e Dom Joel Portella Amado, Secretário-geral, a CNBB manifesta sua solidariedade com a Prelazia de São Félix do Araguaia e a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria em razão do falecimento.

“Dom Pedro marcou sua vida pela solidariedade em relação aos mais pobres e sofridos, fazendo de seu ministério, sua poesia e sua vida um canto à solidariedade. Preocupado em ‘nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar’, contempla agora o Deus da Vida, a quem buscou servir em cada pobre, em cada sofredor”, consta em um dos trechos da nota.

Biografia e ação pastoral

Dom Pedro Casaldáliga nasceu em Balsareny, na Província de Barcelona, na Espanha, em 16 de fevereiro de 1928. Ingressou na Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) em 1943, sendo ordenado sacerdote em Montjuïc, Barcelona, no dia 31 de maio de 1952. Depois de ordenado, foi professor de um colégio claretiano em Barbastro, assessor dos Cursilhos de Cristandade e diretor da Revista Iris.

Em 1968, mudou-se para o Brasil para fundar uma missão claretiana no Estado do Mato Grosso, uma região com um alto grau de analfabetismo, marginalização social e concentração fundiária (latifúndios), onde eram comuns os assassinatos.

Foi nomeado administrador apostólico da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT) no dia 27 de abril de 1970. São Paulo VI o nomeou Bispo Prelado de São Félix do Araguaia no dia 27 de agosto de 1971. Sua ordenação episcopal ocorreu em 23 de outubro de 1971, pelas mãos de Dom Fernando Gomes dos Santos, Arcebispo de Goiânia; de Dom Tomás Balduíno, OP, e Dom Juvenal Roriz, CSSR.

No site da CNBB, a atividade de Dom Pedro como bispo é descrita como marcada pela “Evangelização, vinculada à promoção humana e à defesa dos direitos humanos dos mais pobres”; “Criação de comunidades eclesiais de base com líderes que sejam fermento entre os pobres”; “Encarnação na vida, nas lutas e esperanças do povo”; “Estrutura participativa e corresponsável na diocese”.

Como Bispo, Dom Pedro adotou como lema para sua atividade pastoral: Nada possuir, nada carregar, nada pedir, nada calar e, sobretudo, nada matar.

É poeta, autor de várias obras sobre antropologia, sociologia e ecologia.

Na década de 1970, ajudou a fundar o Conselho Indigenista Missionário (Cimi). Dom Pedro foi alvo de inúmeras ameaças de morte. A mais grave, em 12 de outubro de 1976, ocorreu em Ribeirão Cascalheira (Mato Grosso). Ao ser informado que duas mulheres estavam sendo torturadas na delegacia local, dirigiu-se até lá acompanhado do padre jesuíta João Bosco Penido Burnier. Após forte discussão com os policiais, o Padre Burnier ameaçou denunciá-los às autoridades, sendo então agredido e, em seguida, alvejado com um tiro na nuca. Naquele lugar foi erguida uma igreja.

No ano 2000, Dom Pedro foi agraciado com o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Em 13 de setembro de 2012, recebeu honraria idêntica da Pontifícia Universidade Católica de Goiás.

Dom Pedro, que sofria do mal de Parkinson, apresentou sua renúncia à Prelazia, conforme o Can. 401 §1 do Código de Direito Canônico, em 2005. No dia 2 de fevereiro de 2005, o Papa João Paulo II aceitou sua renúncia ao governo pastoral de São Félix. Dom Pedro Casaldáliga, o primeiro prelado de São Félix, foi sucedido por Dom Frei Leonardo Ulrich Steiner OFM.

Falecimento e velório

Aos 93 anos, Dom Pedro faleceu na manhã deste sábado, 8 de agosto. Ele estava internado em um hospital de Batatais (SP) com insuficiência respiratória e agravamento do Parkinson.

O velório acontecerá em três locais: hoje, a partir das 15h, na capela do Centro Universitário de Batatais. A missa de exéquias será celebrada, em Batatais, no domingo, 9 de agosto, às 15 horas, na mesma capela.

Na segunda-feira, 10 de agosto, o corpo segue para Ribeirão Cascalheira (MT), onde será velado no Santuário dos Mártires, ainda sem previsão de horário de chegada do corpo.

O sepultamento será em São Félix do Araguaia (MT), após o corpo velado no Centro Comunitário Tia Irene. A data ainda não foi divulgada.

A missa das exéquias será aberta ao público e também será transmitida pelo YouTube no seguinte link: https://youtu.be/spto8rbKye0.

(Com informações da CNBB)

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