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Colégios católicos contam a experiência de proximidade a alunos e professores durante a pandemia

O SÃO PAULO conversou com responsáveis da Pastoral Escolar do Colégio Maria Imaculada, localizado na Avenida Paulista, e o Colégio São Miguel Arcanjo, na Vila Zelina; além de algumas crianças estudantes

Colégios católicos contam a experiência de proximidade a alunos e professores durante a pandemia
Fotos: Arquivo pessoal

Em São Paulo, escolas já se preparam para o retorno às atividades presenciais, incluindo as extracurriculares, que englobam encontros, celebrações, eventos, entre outras.

Em muitas escolas católicas, a Pastoral Escolar (ou Pastoral, como é mais conhecida) é este espaço de partilha e celebração, responsável por animar datas festivas, realizar encontros de Catequese, organizar atividades conjuntas com a Pastoral Familiar e acompanhar professores, funcionários, estudantes e seus familiares no caminho da fé cristã e participação nos sacramentos.

Como, porém, as escolas deram continuidade às atividades pastorais durante o isolamento social e suspensão das aulas presenciais? O SÃO PAULO conversou com responsáveis da Pastoral em duas escolas da capital paulista: o Colégio Maria Imaculada, localizado na Avenida Paulista, e o Colégio São Miguel Arcanjo, que está na Vila Zelina.

Participação

Maria Amélia Cavalcante Fernandes é coordenadora da Pastoral do Colégio Maria Imaculada, professora de Ensino Religioso e assessora pastoral da Rede Concepcionista de Ensino, que abrange escolas de todo o Brasil.

Para ela, a Pastoral passou por momentos de inquietação, adaptação e, também, alegria pela interação que foi alcançada.

“Habituamo-nos com o trabalho remoto. Percebemos que não é o ideal, mas é possível fazê-lo, e tivemos muitas conquistas. No início da pandemia, suspendemos a Catequese, mas, depois, começamos a fazer os encontros on-line, que estão ocorrendo com muita interação entre catequistas e catequizandos. Também temos feito muitos encontros celebrativos com os pais, com pouquíssimas ausências. A Pastoral Familiar do colégio começou pelo WhatsApp e depois migrou para outras plataformas”, explicou Maria Amélia.

Ela falou, ainda, sobre o “Projeto Sintonia”, um momento diário de oração que está sendo feito em nível nacional, por meio do YouTube. “Antes da pandemia, fazíamos isso em cada escola, separadamente, envolvendo professores, funcionários e alunos, mas, agora, fazemos entre as escolas de todo o Brasil. Então, podemos dizer que a pandemia, nesse sentido, nos aproximou. Além disso, mantivemos as celebrações do Dia das Mães e do Dia dos Pais on-line com toda a Rede Concepcionista pelo YouTube”, contou.

Para o Mês da Bíblia, a escola pensou qual seria a melhor forma de celebrar a Palavra de Deus. “Escolhemos as Cartas de Paulo para trabalhar com o Fundamental I, e, para o Infantil, estamos fazendo encontros virtuais, por classe. Nestes encontros, cantamos, rezamos, ouvimos uma história bíblica, e eu vou tirando de uma caixa decorada elementos dos relatos bíblicos. Terminamos confeccionando um papiro para pensar a Bíblia nos dias de hoje, e cada criança deixa sua mensagem. Elas gostaram muito”, disse Maria Amélia.

Outra iniciativa proposta pela equipe de Pastoral foi o “Cantinho da Bíblia”. As famílias foram convidadas a montar, num lugar especial, um espaço sagrado com a presença da Bíblia em destaque. As famílias, além de fazer o cantinho, têm rezado junto e lido mais a Bíblia em família.

“Além disso, as turmas têm feito a leitura e partilha de versículos bíblicos. Uma ou duas crianças são sorteadas por dia para ler alguns deles e partilhar o que sentem e o que entenderam daquele trechinho”, contou a coordenadora.

Em agosto, a escola realizou, entre as turmas de terceiro ano, um “show de talentos” para a conclusão do Mês Vocacional. Outra atividade, no Ensino Médio, foi “As Pílulas de Otimismo”, que aconteceu durante as aulas de Ensino Religioso: a cada semana, um jovem é convidado a escolher e compartilhar com a turma uma frase, uma música, um texto que seja inspirador para si e para os demais.

“Conseguimos nos manter ativos e unidos como Rede Concepcionista. Fizemos uma ação que envolveu várias partes do mundo em que a Congregação das Religiosas Concepcionistas Missionárias do Ensino se encontra. Todos nós rezamos e acendemos uma vela na janela de casa. Foi lindo!”, contou Maria Amélia.

Como responsável pela Pastoral, a coordenadora disse que, além das atividades, manteve contato com professores e alunos sobre o reconhecimento da situação em que a escola se encontra e que as condições de ambos os grupos favoreceram a realização dessas atividades.

“A estrutura da nossa escola é privilegiada: contamos com a internet a nosso favor, e isso nos possibilita realizar um trabalho que, para muitas crianças e jovens do Brasil, sobretudo de escolas públicas, não é possível. Por isso, como Pastoral, tentamos ajudar os jovens a se conscientizar dessas condições e das distâncias culturais e sociais do País neste momento”, afirmou.

Proximidade

Vinícius de Menezes Fabreau é agente da Pastoral do Colégio Franciscano São Miguel Arcanjo e falou à reportagem a respeito das adaptações e novidades que foram realizadas para que as atividades pastorais continuassem.

“Os projetos da Pastoral foram adaptados para o modo virtual. No primeiro semestre, o foco foi pedagógico. Fizemos podcasts para celebrar bem a Páscoa, com episódios para cada uma das estações da Via-Sacra, por exemplo, e podcasts durante o mês de maio sobre as Sete Alegrias de Nossa Senhora, devoção que faz parte do Carisma Franciscano e que, tradicionalmente, na escola, culmina com a coroação de Nossa Senhora, momento que realizamos por meio de uma live”, explicou Fabreau.

Desde junho, a equipe de Pastoral do Colégio realiza o “Minuto de Paz e Bem”. “Trata-se de uma mensagem diária que é enviada em formato de áudio e texto para pais, alunos e funcionários do colégio, além de ser compartilhada nas redes sociais. O objetivo é proporcionar um minuto de espiritualidade às pessoas.”

Outra iniciativa que teve início de forma presencial e continuou virtualmente foi o “Projeto Laudato si’”, inspirado na encíclica do Papa Francisco e que proporciona uma aprendizagem solidária e a educação ecológica. “Fazemos campanhas solidárias e voluntariado. Em maio, tivemos um encontro com os alunos e construímos um mural virtual, em que todos, de várias turmas, participaram para que vivêssemos a Semana Laudato si`”, contou Fabreau.

No segundo semestre de 2020, a Pastoral do Colégio promoveu rodas de conversa virtuais com os alunos. “Fazemos as conversas às quintas e sextas-feiras e, por isso, intitulamos esses momentos ‘Quintou com Esperança’ e ‘Sextou com Esperança’. Houve bastante aceitação por parte dos alunos e de toda a comunidade escolar. Sentimos que, neste momento, o objetivo da Pastoral é cuidar e conduzir. Acredito que a cultura da proximidade faz muita diferença durante o isolamento social. E a proximidade oferecida pela Pastoral é diferente daquela do professor, por exemplo. Isso porque buscamos ser sinal de Jesus Bom Pastor, que caminha com todos e está conosco neste momento da pandemia”, afirmou.

Em setembro, geralmente, o Colégio São Miguel Arcanjo celebra seu aniversário. “Estamos mais voltados para o dia 29 de setembro, que é Dia de São Miguel Arcanjo e a proximidade do Dia de São Francisco, em 4 de outubro, além do Dia Internacional da Paz, em 21 de setembro. Por isso, fizemos um mural virtual para aproximar as turmas”, disse o agente da Pastoral.

Algumas crianças do Colégio Maria Imaculada compartilharam como foi a experiência do “Cantinho da Bíblia”

“Deixo a paz a vocês; a minha paz dou a vocês. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo” (João 14,27)

Colégios católicos contam a experiência de proximidade a alunos e professores durante a pandemia

“Esse trecho da Bíblia me mostrou para sempre seguir em frente e nunca desistir. Eu acho esse trecho muito bonito, pois me dá esperança de que tudo vai melhorar”, disse Heloísa Yamauti Julian, 9 anos, filha de William e Daniela Julian.

Para ela: “A experiência [do ‘Cantinho da Bíblia’] foi muito legal, desde escolher o lugarzinho da casa, as flores e todos os detalhes. Eu gostei muito e montei com muito carinho este espaço. Eu já tenho, no meu quarto, um cantinho onde coloquei a imagem de Nossa Senhora Aparecida, a foto da minha família e o Terço que a minha avó paterna me deu, mas não é tão bonito igual a esse que montamos em família. Minha irmã e minha mãe me ajudaram a escolher as pinhas que usamos de enfeite”

“Filho meu, ouve o ensinamento de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe” (Provérbios 1,8)

Colégios católicos contam a experiência de proximidade a alunos e professores durante a pandemia

“Achei muito interessante esse trecho, pois nos pede para honrar pai e mãe. Algo tão precioso e fundamental em nossas vidas”, disse Giovana Fernandes Perito, 9 anos, filha de Paula Corina Fernandes Perito e Cristiano Machado Perito.

“Eu gostei muito de montar o ‘Cantinho da Bíblia’, pois é dedicado a Deus e a Maria. Aqui em casa, sempre tivemos um cantinho da oração. E neste período de pandemia ficou ainda mais especial. Eu, meu irmão Renan e meus pais rezamos lá, por todos os que necessitam. Além disso, montei com meus amigos da escola um grupo de oração, e nosso primeiro encontro virtual”.

“Respondeu Jesus: `Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito`. Este é o maior e o primeiro manda- mento. E o segundo, semelhante a este é: ‘Amarás teu próximo como a ti mesmo’” (Mateus 22,37-39)

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“Eu gosto desse trecho da Bíblia porque fala que devemos amar a Deus em primeiro lugar e acima de todas as coisas. Também diz que nós devemos amar o outro como queríamos ser amados. Com esse grande mandamento, Deus nos revela que está no coração de todas as pessoas. Assim, se fizermos o bem ao próximo, estaremos fazendo o bem ao nosso Deus, e isso lhe agrada. Dessa forma, com certeza, o bem retornará para nós mesmos. Procuro ter esse mandamento em mente em todos os momentos da minha vida”, disse Sophia Rodrigues Lage, 9 anos, filha de Patrícia Rahme Lage e Ronelly Domingos Pinelli Rodrigues.

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