CREN: educação e tratamento de distúrbios nutricionais

Na série mensal ‘Infância Roubada’, o jornal O SÃO PAULO apresenta o problema da má nutrição infantil e de grupos que atuam para superá-la

CREN: educação e tratamento de distúrbios nutricionais

Fundado em 1993, a partir de um projeto que mapeou os casos de desnutrição em 22 favelas da cidade de São Paulo, o Centro de Recuperação e Educação Nutricional (CREN)atua na educação nutricional e no tratamento de subnutrição e obesidade.

Uma das linhas de ação é o semi-internato, no qual as crianças e adolescentes diagnosticados com má nutrição permanecem ao longo do dia sob os cuidados de pediatras, enfermeiros, nutricionistas e psicólogos e há também atenção a suas famílias.

“No início, as crianças chegavam ao CREN via censo antropométrico, que consiste em mapear qual o território em que se quer entender a situação nutricional das crianças, se considera o pior IDH [Índice de Desenvolvimento Humano], a maior taxa de mortalidade infantil distrital, a baixa oferta de creche e outros indicadores, se contata a liderança local para estabelecer os relacionamentos – isso às vezes leva meses –, até que em um fim de semana aconteça, inicialmente, o mutirão de pesagem das crianças, e se o peso e a altura delas não estiverem adequados e o diagnóstico for de desnutrição, pedimos autorização às famílias para o tratamento dos filhos”, detalha Maria Paula Albuquerque, gerente-geral clínica do CREN.

Referência na cidade de São Paulo

Desde 2006, o CREN tem convênio com a Prefeitura de São Paulo para tratar crianças com diagnóstico de má nutrição, para lá encaminhadas especialmente via Sistema Único de Saúde (SUS), mas também há aquelas encaminhadas por abrigos, Conselhos Tutelares e a Secretaria Municipal de Educação. A instituição também realiza atendimentos ambulatoriais a crianças e adolescentes com até 19 anos, com uma equipe de pediatras, nutricionistas, educadores físicos e psicólogos. “Tanto a subnutrição quanto a obesidade são doenças multifatoriais, e, assim, é preciso abordar o problema de forma mais sistêmica”, comenta Maria Paula. “Trabalhamos com foco na alimentação e nutrição, mas temos como missão o desenvolvimento global da pessoa e sua família, pois a alimentação é um tema transversal na educação, na assistência social, na saúde”, complementa.

Em 2019, a instituição iniciou atendimentos itinerantes em dez distritos de São Paulo, apontados pelo Plano Municipal pela Primeira Infância como os piores para o desenvolvimento de uma criança. Atualmente, esse trabalho é mantido com polos de nutrição infantil em cinco distritos: Grajaú, Jardim Ângela, Cidade Tiradentes, Lajeado e Brasilândia.

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