Em meio à crise econômica, Igreja no Líbano auxilia os mais atingidos

GUSTAVO CATANIA RAMOS (ESPECIAL PARA O SÃO PAULO)

Em entrevista à Asia News, Dom Michel Aoun, Bispo da Igreja Católica Maronita, afirmou que o povo libanês está “desesperado” e que o governo “fez muitas promessas” que não levaram a “resultados concretos”.

Segundo o Prelado, a inércia do governo se dá pela corrupção generalizada nas instituições governamentais. O resultado disso é a péssima situação econômica do Líbano, piorada com a pandemia do novo coronavírus.

“O governo prometeu lutar contra a corrupção, mas até o momento não tem nada o que mostrar”, disse Dom Aoun.

Finanças e saúde

Um dos efeitos da crise é a desvalorização da moeda libanesa. “Segundo a taxa da câmbio oficial, um dólar equivale a 1,5 mil libras libanesas, mas a taxa real está, na verdade, em 4,2 mil libras libanesas”, afirmou o Prelado.

A inflação é outro problema. “Preços dobraram. Antes, podia-se comprar queijo por 5 mil libras, agora 10 mil não são suficientes”, assegurou.

Bairro na periferia de Beirute, no Líbano (crédito: Organização das Nações Unidas)

A crise econômica se estende por meses, aumentada pela guerra na Síria e a pandemia. Os líderes maronitas tomaram medidas para amenizar os efeitos da crise. A Igreja abriu dois imóveis de sua propriedade para receber pacientes convalescentes, além de prover terras para serem cultivadas.

O governo tentou responder à crise com um repasse de 50 bilhões de libras libanesas, que ajudariam 130 mil famílias em dificuldade. A medida, entretanto, foi muito criticada, em razão dos critérios para a concessão do benefício, que estariam associados a um favorecimento de uma faixa da população em detrimento das reais necessidades dos que mais precisam.

Ação da Igreja

As famílias foram atingidas pelo lockdown do setor privado e pelo fechamento de negócios. No Líbano, “não há trabalho”, afirmou Dom Aoun. Por isso, a Igreja Maronita “constantemente pede solidariedade” para apoiar as ação dos bispos e das paróquias.

“Nós, os bispos, preparamos porções de comida para distribuição mensal. Tentamos ajudar famílias em dificuldade, com os poucos meios que temos”, explicou o Bispo.

A crise também atingiu as escolas católica do país. No total, 80% delas podem fechar “porque as pessoas não querem pagar e a Igreja não possui dinheiro suficiente para pagar todas as despesas”.

“É um círculo vicioso, não sabemos quando irá acabar. Por isso, estou implorando ao Ocidente, para a Igreja universal, para que nos ajude neste período de emergência. Eu clamo a vocês: ajudem-nos!”, pediu o Prelado.

(Com informações de Asia News)

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