Igreja e movimentos pró-vida mantêm mobilizações contra a aprovação do aborto na Argentina

Igreja e movimentos pró-vida mantêm mobilizações contra a aprovação do aborto na Argentina
Grupos pró-vida têm permanente atuação contra a legalização do aborto na Argentina (Foto: Celam)

Após longos meses de intensas discussões e manifestações, a Igreja e os demais segmentos pró-vida da sociedade argentina se unem contra a possível legalização do aborto no país.

Aprovado na sexta-feira, 11, na Câmara dos Deputados, o projeto de lei que permite a interrupção da gravidez até a 14ª semana de gestação recebeu 131 votos a favor, 117 contrários e seis abstenções. Aguarda, agora, nova votação no Senado, instância que rejeitou uma iniciativa similar há dois anos e a quem caberá a decisão final a respeito.

As reações

“Sabíamos que era uma votação muito difícil entre os deputados: o presidente da Câmara é a favor, depois o Executivo pressionava com os ministros e também os quatro presidentes das comissões eram favoráveis”, explicou à imprensa Santiago Santurio, integrante da plataforma Pró-Vida.

“O aborto emerge em um contexto de falta de educação, de oportunidades, de desigualdades e de violência contra a mulher, e, em vez de solucionar as causas, passamos a propor que a resolução do problema permaneça na esfera privada das mulheres, oferecendo como única solução a de dar fim à vida da criança”, comentou por sua vez Graciela Camano, parlamentar do bloco do Consenso Federal.

A intervenção do Papa

Nação de maioria católica e terra natal de Francisco, a Argentina recebeu o apoio do Papa por meio de uma carta datada de 22 de novembro e endereçada à classe política e aos grupos pró-vida do país, na qual ele reafirma a importância de proteger a vida contra as tentativas de exterminá-la. “Não é preciso crer em Deus para ser contra o aborto”, ressaltou.

Na missiva, o Pontífice “agradece sinceramente” às ​​”mujeres de las villas”, rede de mulheres pró-vida, expressando admiração “por seu trabalho e seu testemunho” e encorajando-as a “seguir em frente”.

“O país se orgulha de ter mulheres assim”, escreveu Francisco, destacando que “o problema do aborto não é uma questão primordialmente de religião, mas de ética humana, antes mesmo de qualquer denominação religiosa. E faz bem fazer-se duas perguntas: é justo eliminar uma vida humana para resolver um problema? É justo contratar um assassino para resolver um problema?”, escreveu.

Iniciativas em favor da vida

Bispos, sacerdotes, fiéis leigos em geral e uma parte importante da sociedade laica argentina se opõem ao projeto há meses. No dia 8 de dezembro, por ocasião da Solenidade da Imaculada Conceição, rezou-se em todas as missas pela proteção dos nascituros.

Dias antes da votação, o Presidente da Conferência Episcopal Argentina, Dom Oscar Ojea, convidou os deputados a refletir antes de se posicionar a favor da descriminalização do aborto. Em mensagem de vídeo, o Prelado exortou os legisladores a pensar na importância de respeitar o direito à vida dos concebidos, mas não nascidos.

Nos últimos dias, as audiências do Congresso também contaram com a presença do Padre José Maria “Pepe” Di Paola, Coordenador dos “curas villeros”, os sacerdotes que exercem seu ministério nas favelas, que afirmou que “a hipocrisia está em afirmar que o aborto é uma necessidade dos pobres, afirma-se fazê-lo por eles”.

“A legalização do aborto admite como conduta legal a eliminação de uma vida que exige uma resposta superior”, concluiu.

Fontes: Vatican News, Prensa Celam e O Estado de Minas

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